Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, IGUAPE, Centro, Homem, Portuguese, French, Livros, Arte e cultura



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Alfarrábios
 Cidadania Iguapense
 Iguape em Imagens
 Sueli Correa
 Thrive - Multimídia
 Antonio Reis
 A outra face...
 Sonhos de uma noite...
 Diário de Iguape
 Sagaz Produções


 
Blog de Benedito Machado


“POLÍTICOS”, PARA PRINCIPIANTES

Que ninguém se dê à vaidade esdrúxula de dizer que sabe o que “pensam os políticos”. Em primeiro lugar, porque político que se preza não pode se dar ao luxo de manter um pensamento fixo, isto é, uma Idéia, com I maiúsculo, que guiasse sua vida, do momento em que assume sua profissão até o dia (que nunca chega, ou só chega com a própria morte) de se aposentar dela. Por definição, o político é um ator, em permanente cena, que recita um script. O script do político é aquilo que faz dele um “político”, isto é, um homem voltado para os “interesses do povo”, expressão que, sem deixar de ser um lugar comum, é valorizadíssima no discurso político. “Interesses do povo” significa não aquilo que o povo quer, porque isso é impossível de ser verificado, e muito menos aquilo que seria bom para todos, utopia dos sonhadores, mas aquilo que o povo manifesta, isto é, o que seus “porta-vozes” mais bocudos manifestam. Se você não entendeu, Freud explica (como sugeriu o ilustrado Presidente Lula).



Escrito por B.Machado às 21h42
[] [envie esta mensagem] []



                      ALIENAÇÃO POLÍTICA

Na noite de 14 de julho de 1789, Luís XVI escreveu no seu diário: “Nada”. Ele estava confortavelmente instalado em Versalhes, enquanto o povo invadia a Bastilha, iniciando a derrocada de seu reinado, que seria encerrado com sua própria execução, na guilhotina. Mas, naquele momento, o Rei, no seu conforto e alheamento dos fatos, dava vazão ao seu fastio. Essa alienação das pessoas, com relação a acontecimentos que lhe dizem respeito, que naquele tempo ocorria pela dificuldade de comunicação, hoje, quando as notícias são instantâneas para todos, ocorre por iniciativa dos próprios cidadãos, seja por preguiça, por ignorância ou por desleixo.

            A história se acelerou, a telemática transformou o mundo, há um movimento frenético em todos os continentes, na direção do progresso técnico, da produtividade e da melhoria de vida. Mas como no mundo de Asterix, lá no fundo da Gália, uma aldeia resistia ao Império Romano, também aqui no nosso mundo, cá no fundo do Vale do Ribeira, uma aldeiazinha resiste à modernidade e se recusa a tomar consciência da importância do momento. Se a gente pudesse ler a consciência de alguns iguapenses, neste momento de decisão política, que deve ter uma grande significação para o futuro da cidade, talvez encontrasse a mesma exclamação de indiferença, do diário de Luis XVI: “Nada”.  



Escrito por B.Machado às 20h49
[] [envie esta mensagem] []



A DISSIMULAÇÃO DOS PODEROSOS

Toda vez que surge um escândalo nas altas esferas da República, como esse que atingiu o Supremo Tribunal, assistimos a esse espetáculo das justificativas vazias, dos debates inconclusivos, do blá-blá para boi dormir. Isso se explica. O poder só é poder enquanto mostra sua força. Ele não pode baixar a guarda, humilhar-se na confissão de seus pecados, tornar-se vulnerável mostrando seus pontos fracos. Os próprios argüidores (no caso os membros do Parlamento) entram no jogo, com reviravoltas verbais para que os argüidos possam encaixar suas desculpas e justificativas. No fim, como dizia o personagem de um velho filme “todos vão para a praia”.  



Escrito por B.Machado às 20h59
[] [envie esta mensagem] []



A PERDA DE TEMPO

Em 1989, Lula, Carlos Minc (sim, o atual Ministro do Meio Ambiente) e Fernando Gabeira se uniram numa campanha contra a construção da Usina Nuclear Angra 3. Também vieram a Iguape alguns professores de Física (petistas, creio que não é preciso enfatizar) falar contra as usinas nucleares. Agora é o próprio Lula que quer reativar a construção da Usina Nuclear Angra 3, justamente quando Carlos Minc virou Ministro do Meio Ambiente. Fernando Gabeira, do alto de suas posições parlamentares, nem tugiu, nem mugiu.  

            Está claro que não é pecado mudar de idéia. Todos estamos sujeitos a isso. O problema é que a campanha contra as usinas nucleares não era uma atitude técnica, embora envolvesse físicos nucleares, mas uma campanha essencialmente política. A oposição fazia campanha contra tudo (só poupavam o futebol) o que o poder político constituído da época queria fazer. Nunca se pensou no bem do país, nunca se ponderou sobre o prejuízo que uma atitude dessas poderia trazer ao povo. O problema se resumia a uma oposição contínua: “o governo quer? Então sou contra!”.

            Essas campanhas políticas da oposição, que o tempo acaba mostrando serem pura idiotice, não acarretam aos seus autores quaisquer sombras de arrependimento. Eles confiam na pouca memória popular. O fato de resultarem em prejuízo (como a luta contra os transgênicos, inspirada por um idiota europeu), também não é lembrado pelo povo, sempre atento ao discurso do dia, dos atuais donos do poder. Alguém já falou que a maioria das pessoas está presa às imagens imediatas da televisão. Uma imagem apaga a anterior, e, assim, sucessivamente, num eclipse intermitente da memória e, conseqüentemente, da História.  



Escrito por B.Machado às 18h04
[] [envie esta mensagem] []



DESLEIXO

Segundo o Jornal Regional -29/08/2008, em “atendimento à decisão de Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público há dois anos, a Prefeitura Municipal de Iguape iniciou reforma e ampliação entre outras adequações na Unidade Mista de Saúde”. Entre os 32 itens apontados, ressaltam “falta de planejamento e investimento a curto, médio e longo prazo, fragilização no atendimento à saúde da população, falta de médicos, reciclagem de funcionários, equipamentos básicos para diagnósticos e terapias, ausência de um centro cirúrgico básico – leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para casos de emergência e urgência, falta de higiene, roupa de cama, etc.”

            Quer dizer, então, que foi preciso perder o processo para tomar providência? Imagine o leitor que alguém foi processado por bater na mulher. Enquanto o processo dura (digamos 2 anos) o marido continua a bater na mulher, do mesmo jeito, porque o processo ainda não chegou ao fim e ele não foi condenado? Voltando à Unidade Mista, quer dizer que durante dois anos as deficiências do serviço continuaram, em prejuízo dos contribuintes, sem que a Prefeitura tomasse uma providência?



Escrito por B.Machado às 21h15
[] [envie esta mensagem] []



BUROCRACIA E CORRUPÇÃO

Se a gente ligar o “desconfiômetro” no ato de analisar as leis, regulamentos e normas que regem o país, a impressão que se terá é a seguinte: os legisladores brasileiros combinaram entre si que fariam os regulamentos mais complicados possíveis, para que, quando o cidadão precisasse de alguma coisa do sistema burocrático, além das taxas normais para obtê-la, pagaria um “extra” ao funcionário encarregado que, por sua vez repassaria uma porcentagem para os chefes, e uma subporcentagem para o legislador.

            Foi dessa maneira que Iguape conseguiu vender a Ilha Comprida para uma multidão de clientes. A Ilha tinha algumas posses e muitas áreas devolutas. Não conheço bem a terminologia, mas quero dizer que havia terras sem proprietários e terras de proprietários desconhecidos, ou já mortos. Uma teia de corrupção entre Prefeitura, Cartório e corretores de imóveis conseguiu vencer a regulamentação burocrática, e criar o maior mercado imobiliário que o município já conheceu, em toda sua história. Se os “donos do poder” da época fossem “Caxias” e resolvessem seguir rigorosamente as leis e regulamentos, a cidade estaria numa miséria franciscana.

            A história da “venda da Ilha Comprida” tornou coletivo um velho ditado: no passado de uma família rica há sempre um pirata (no caso do passado próspero da cidade, houve muitos piratas). Isso não é exclusividade nossa. A “corrida do ouro” nos EUA e a conquista do “Far West” americano se constituíram numa sucessão de brigas, assaltos e malandragens. A Inglaterra também montou sua civilização em cima da exploração de outros povos. Sem esquecer Portugal que viveu durante séculos às custas do ouro brasileiro. A “pirataria imobiliária” iguapense não é novidade, apenas mostra que a cidade soube se defender num mundo cheio de sacanas.



Escrito por B.Machado às 17h24
[] [envie esta mensagem] []



OS INTERESSES DO PODER, LÁ E CÁ

            Nos Estados Unidos, as grandes corporações trabalham para colocar no poder alguém que as ajude a continuar ganhando dinheiro (exemplo: as grandes companhias de petróleo que apóiam Bush) e depois continuam esse apoio, através da manipulação da informação, pela grande mídia, mantendo assim sua liderança interna e externa. Daí que as lutas em que o país se envolve estão situadas no exterior, onde se concentram seus interesses – Iraque, agora, como antes, Sudeste Asiático, Kwait, etc.

Num país como o Brasil, cujas grandes empresas se concentram na exploração das riquezas internas (bancos, mineradoras, empreiteiras de obras, empresas de serviços – aviação e transportes em geral), a luta pelo poder transcorre no seu próprio interior, nas repartições públicas, nos desvãos dos palácios, nos gabinetes do poder. De vez em quando essa luta aparece com bastante clareza, no noticiário, pelo conflito entre as autoridades que prendem e aquelas que soltam os criminosos, com repercussão no Congresso, onde se tenta uma composição que permita que todos (claro que os que estão no poder) continuem ganhando, sem muito estardalhaço..  

            Essa luta pelo poder (e pelo dinheiro) tem sua continuidade miúda, nos Estados e nos municípios. Alguns comentadores deste Blog apontam e acusam, este ou aquele, de falcatruas na Prefeitura e anexos, mas isso não parece indicar a existência de uma trama bem urdida, que fizesse do assalto ao poder um negócio seguramente rentável. Será que aqueles que se beneficiam do poder, em nível municipal, estão agindo sozinhos, como raposas no galinheiro, em vez de uma associação bem estruturada, que lhes dê vantagens mais seguras e duradouras?



Escrito por B.Machado às 21h26
[] [envie esta mensagem] []



O EMPREGUISMO COMO POLÍTICA PÚBLICA

Não são poucos aqueles que defendem o empreguismo na administração pública como uma maneira correta de governar. A desculpa é que isso diminui o número de desempregados. Começando pelo Presidente da República que aumentou o número de ministérios para dar emprego a centenas de milhares de pelegos e similares, aqui em Iguape também muita gente de juízo (pelo menos aparentam isso) defende até a manutenção do pedágio ligando duas cidades, mesmo sabendo que boa parte do dinheiro arrecadado, bem, todos sabem para onde vai. Eles acham que, com isso se resolve o problema do desemprego. Resolve, sim, dos privilegiados que são amigos dos políticos que estão no poder, naquele momento.

            Não é fácil, para quem gosta das coisas certas, combater o empreguismo no serviço público. Para começar, sempre tem algum parente que vive disso. Em segundo lugar, quando a gente fala do empreguismo, muitos funcionários se sentem atingidos, quando o problema não é o emprego deles, em particular, mas o inchaço de funcionários. O nepotismo é um problema que atinge o emprego público de alto a baixo, o que ninguém ignora, e foi preciso até um Tribunal superior se manifestar a respeito para todos afinal se conscientizarem de que se trata de uma grossa imoralidade. Mas o brasileiro está tão acostumado com a imoralidade que nem tinha reparado nisso.

            O que é mais importante nisso tudo, e raramente é mencionado, é que um determinado trabalho precisa de um determinado número de pessoas para realizá-lo. Tanto o excesso de gente como a falta, prejudica o trabalho em si. Isso é um conhecimento banal de administração. As repartições públicas brasileiras têm excesso de gente, por isso funcionam mal. Basta comparar o tempo que se leva para registrar uma empresa, no Brasil, 3 a 4 meses, com o aquele se leva para registrar uma empresa num país progressista, 3 ou 4 dias. O problema é que, aqui, os papéis passam por tantas mãos e gavetas que não conseguem chegar ao final num tempo mais curto. Isso sem contar que, nesse longo périplo, passa sempre pela mão de um incompetente.



Escrito por B.Machado às 21h23
[] [envie esta mensagem] []



A ARTE DE JOGAR DINHEIRO (PÚBLICO) FORA

Como é possível que se administre uma subprefeitura (Santana/Tucuruvi-SP), que tem uma população de 330.000 pessoas, com 549 funcionários, e se precise de 1.000 funcionários para uma cidade (Jandira) de 103.000 habitantes? É por essa razão que acredito na iniciativa particular e na privatização. Um empresário jamais aceitaria que uma fábrica com 1.000 operários produzisse menos que outra (com a mesma tecnologia e recursos) com 100. Vai abaixo uma relação das subprefeituras da cidade de São Paulo, com sua população, seguida do número de seus funcionários, comparadas a cidades do mesmo Estado de São Paulo. Por essa comparação, os leitores descobrem para onde vai o dinheiro dessas cidadezinhas (incluindo Iguape):

Itaquera – 490.000 – 684 //// São João da Boa Vista – 80.000 – 1.265

Cidade Ademar 370.000 – 219 //// Paranapanema 16.600 – 660

Santo Amaro 218.500 – 454 //// Águas de Lindóia – 15.800 – 400

Guaianases – 256.300 – 553 //// Poá – 105.200 - 1.200

M’Boi Mirim 554.000 – 205 ////Itapecerica da Serra 148.500 – 3.000

São Miguel Paulista – 382.000 – 592 //// Ilha Comprida 8.900 – 550



Escrito por B.Machado às 11h22
[] [envie esta mensagem] []



BRASÍLIA, DE VENTO EM POPA

NOTÍCIA: “Cidade mais rica do país, com renda per capita três vezes superior à média, Brasília vive um boom econômico sem precedentes em sua história. Aos poucos, está deixando de ser apenas a sede do poder para se transformar num pólo dinâmico de desenvolvimento econômico. Uma classe média endinheirada, escolarizada e, em sua grande maioria, estável no emprego graças ao setor público, vai às compras sem pudor. Isso tem atraído a instalação de novos shopping-centers, como da rede Iguatemi.

            Quando falam que o “Brasil está progredindo” os políticos da situação devem estar com os olhos postos nas ruas de Brasília. Lá é o funil por onde passa a grana da corrupção, a fortuna dos empregos bem remunerados, da Câmara, do Senado, dos Ministérios e das estatais. Lá se concentram os lobies, que canalizam as propinas para os políticos e para os escalões mais altos da máquina do governo. Não sei como uma cidade dessas não poderia estar indo de vento em popa. Quando a Capital Federal saiu do Rio de Janeiro, foi um desespero geral. A cidade entrou numa decadência que durou anos. Nos últimos tempos, começou a se recuperar (apesar do casal Garotinho), graças ao turismo e ao avançado sistema do tráfico de drogas, um importante item nas exportações brasileiras, que tem a grande vantagem de não pagar impostos.  



Escrito por B.Machado às 18h25
[] [envie esta mensagem] []



A INQUISIÇÃO MUÇULMANA

Notícia: “A editora americana Random House cancelou os planos para lançar um livro de ficção sobre a noiva infante do profeta Maomé devido a temores de que a obra provoque violência. A novela The Jewel of Medina seria o livro de estréia da jornalista Sherry Jones e deveria chegar às livrarias na próxima terça”.

 

Já não bastava o caso daquele escritor indiano que precisou viver escondido por vários anos, para escapar à fúria dos fanáticos de Maomé, e da correria dos jornalistas dinamarqueses, por conta de uma caricatura de Maomé. É interessante ver o Ocidente tremer diante do Oriente, explorado pela colonização européia durante quatro séculos. O Ocidente acabou com a Inquisição Católica há duzentos anos, e agora tem que tolerar a Inquisição muçulmana.



Escrito por B.Machado às 13h27
[] [envie esta mensagem] []



OS DEFEITOS (OU QUALIDADES?) DE CADA UM

A indecisão, no título, se explica: aquilo que parece defeito, para uns, parece qualidade para outros. Portanto, o leitor está avisado: entramos no terreno da relatividade dos valores. Além do mais, é bom que fique claro que não queremos dar nenhum conselho. Esses defeitos (ou qualidades) do candidato podem ajudar na sua vitória, ou causar sua derrota. Ninguém sabe do efeito deles, no contato com uma população heterogênea. Além do mais, essa percepção é a nossa, não tendo, por isso, obviamente, valor absoluto. Dito isso, vamos lá:  

- WILSON – Fala com a ênfase e a desenvoltura de um tomista (fique tranqüilo o leitor que não souber o que isso significa. Wilson sabe). Esse tom dogmático impressiona bem o eleitor informado (que pensa: ele sabe do que está tratando), mas irrita o ignorante (que pensa: ele acha que sou ignorante!). Apesar de seu alto nível intelectual, não descuida da pirotecnia que impressiona a chamada “massa”, o grosso do eleitorado.

- CABRAL – Quem não sabe de seu passado jamais desconfia que ele foi milico: fala e escuta com a paciência de um confessor franciscano. Os espertos interpretam essa atitude modesta como fingimento; os ingênuos, como sinceridade. Eleitores argutos buscam saber mais a respeito dele com seus inimigos; eleitores ingênuos se deixam melhor seduzir e só ouvem seus partidários.  

- Da. BETE – É uma mãezona. Seus partidários são seus pupilos, e seus possíveis eleitores, filhos que ela pretende adotar. Trata os visitantes de seu gabinete como hóspedes queridos. Quando a gente vai reclamar sobre uma exigência burocrática descabida, ela murmura, sorrindo: “Mas eu falei que era para o funcionário sugerir, não exigir!” Há quem desconfie que seus funcionários aproveitam sua  boa fé para ludibriá-la e se beneficiarem nos seus cargos.

- MISAWA – É uma espécie de Anjo Gabriel cartesiano: uma mistura de lógica com boa fé. Acredita na definição sintética do homem, cunhada por Aristóteles: “O homem é um animal racional”. Para ele, as pessoas apenas se desviam do caminho, pelos percalços da vida, não por serem canalhas. Todos os seres humanos podem receber a luz do esclarecimento e mudar seu comportamento.

- NICOL – Perto dele, Wilson é um humilde mestre-escola do Itimirim. O professor Nicol não fala, discursa, não sugere, afirma, não parece estar querendo cativar eleitores, mas desejando caçar herejes como uma espécie de Savonarola cívico. O tom enfático não vacila, seja para tratar de um futuro porto em Iguape, resolver os problemas contábeis da Prefeitura ou projetar Iguape como a estrela mais brilhante do Vale do Ribeira.



Escrito por B.Machado às 11h27
[] [envie esta mensagem] []



INTRANQÜILIDADE NA CÚPULA

O magnífico trabalho da Policia Federal, prendendo empreiteiros, banqueiros e outros big-shots do mundo econômico brasileiro, acabou trazendo à tona o conflito de interesses, dentro da própria esfera do governo, melhor dizendo, do poder, do país (só os ingênuos acreditam que o governo manda sozinho). De um lado, alguns promotores, juízes e oficiais da polícia, não comprometidos com os mandatários políticos do momento e incomodados com o ambiente de corrupção que domina o país, estimulam e favorecem ações direcionadas contra os “donos do dinheiro”, a cornucópia dos corruptos de chapa branca. Por outro lado, políticos, promotores e juízes e, mesmo membros da polícia, possivelmente favorecidos pelo fluxo corruptor, tentam barrar essas ações ou, pelo menos, diminuir-lhes os efeitos.

            A “coisa” começa pelas intrigas e afastamento de alguns elementos do miolo da investigação. Com um pouco menos de estardalhaço, e muito de sofisma jurídico, e entremostrando o incômodo que essas ações causam, surge a tentativa de melhorar a imagem dos delinqüentes de colarinho, livrando-os de signos degradantes, como as algemas. Em toda história da humanidade, foram raríssimas as intervenções jurídicas contra a degradação simbólica de delinqüentes pobres. Esses fatos, que estão estampados na imprensa diária, acabam por confundir a opinião pública, pois se tenta exercer uma justiça para todos e, de repente, pululam “habeas corpus” para os figurões, dados com prestimosa solicitude pelos juízes do Supremo Tribunal, que correm lépidos para seus postos, a fim de não atrasar a concessão de soltura para seus amigos. (Do ponto de vista da Justiça, seria didático alguém comparar a velocidade desses “mandados de soltura”, com o tempo que alguns inocentes – pobres – presos, ficam aguardando o esclarecimento de seus casos).

Na verdade, não está acontecendo nada de novo, em nosso país. Sabemos todos que o poder político para ser respeitado, precisa de uma “caverna de Ali Babá”, com tesouros disponíveis, e isso só é possível usando-se livremente o conteúdo dos próprios cofres públicos. Não é preciso repetir que, num sistema capitalista, ninguém respeita quem é pobre. Lula sabe bem disso, tanto que comprou toalhas de algodão egípcio para seu banheiro (quando ele jogava futebol, no ABC, enxugava-se com a própria camiseta) e adquiriu um avião para que todos esqueçam seu tempo de “pau de arara”. Antigamente, os reis manipulavam o orçamento público (impostos e rendimentos da Coroa) a seu bel prazer. Os códigos republicanos vieram atrapalhar essa prerrogativa dos mandatários e, agora, os políticos precisam recorrer a donos das empresas (naturalmente com reciprocidades), para sustentar o luxo que a periferia admira e respeita. Daí que quando os grandes empresários começam a ser procurados pela polícia, muitos dos componentes do poder (e aqui entram todas as especificações da estrutura institucional do país, isto é, os chamados Três Poderes) começam a ficar incomodados.  



Escrito por B.Machado às 21h35
[] [envie esta mensagem] []



O DEDO NA FERIDA

 

Do juiz Fausto Martin de Sanctis: “Temos de fazer uma lei adequada ao nosso país. Não adianta querer fazer lei de país civilizado porque este país não o é.”

Se alguém quiser confirmar esse diagnóstico do magistrado, leia os comentários de alguns leitores deste Blog. Deixando de lado os erros crassos de Português, basta ver o nível de pensamento deles e a falta de respeito com as pessoas, além da covardia do uso da máscara do pseudônimo.



Escrito por B.Machado às 16h53
[] [envie esta mensagem] []



PALPITE É O QUE NÃO FALTA!

Para cada partidário, o “seu” candidato é o que vai ganhar as eleições. Independentemente de conhecimentos, pesquisas ou cálculos, há palpites baseados em alguns pontos, fracos, falsos, o que quer que sejam, são opiniões de eleitores:

1º. – Wilson vai vencer, porque seus votos da última eleição (2.047), somados aos votos de Ariovaldo (7.749), também da última eleição, são suficientes para ganhar. Pode ser que alguns votos do Ariovaldo “migrem” para Da. Beth, mas também pode ser que mais pessoas se agreguem ao número anterior de votantes de Wilson (não é fora de propósito dizer que muitas pessoas não votaram nele, da última vez, porque perceberam que não tinha condições - voto útil);

2º. – Da. Beth vai vencer, primeiro porque tem o poder nas mãos e, conseqüentemente, as verbas. Está realizando obras extensas no Rocio, um repositório respeitável de votos, e é uma figura simpática aos iguapenses. Talvez as mulheres (metade dos eleitores) se sensibilizem com uma figura feminina no poder.

3º. – Cabral vai levar essa. Está forte na zona rural, onde, dizem, Wilson não tem bom respaldo. Há uma certa nostalgia de sua administração, já que ele se encontra fora do poder há muito tempo. Ele teve 6.705 votos, na última eleição, faltando pouco para atingir o ponto X.

4º. – Missawa é o homem da vez. Wilson já tentou duas vezes, anteriormente, Cabral já teve sua oportunidade de fazer alguma coisa e, segundo seus adversários, não fez nada para acabar com as mazelas da cidade. Missawa é uma esperança de mudança.

Álea jacta est. Ao vencedor, as batatas!



Escrito por B.Machado às 21h30
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]