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Blog de Benedito Machado


                         O ETERNO CONFLITO

Para quem se interessa por Política (com P maiúsculo), o velho filme 1.900 de Bernardo Bertolucci, embora já esteja com provectos (para um filme) 40 anos, ainda pode proporcionar bons ensinamentos. Nele se tem uma idéia de como começa a velha pendenga esquerda/direita, da qual ainda não nos livramos, por força da resistência, ou paralisia, de certos espíritos, apesar de, há muitos anos, estarmos mergulhados na geléia geral da globalização. A resistência, ou paralisia, naturalmente, são alguns dos muitos eufemismos que se usam para ignorância voluntária – explico: em nossa época, quem não sabe das coisas é porque não quer saber.

        Mas voltando à pendenga esquerda/direita, o filme de Bertolucci focaliza o conflito na história miúda do ambiente rural provinciano, onde as intenções se organizam em atitudes mais explícitas, sem os disfarces retóricos do mundo político, nem a profundidade obscura do ambiente acadêmico. A oposição trabalho/capital se expressa na mutação semântica "explorado/explorador", o que lhe dá clareza suficiente para que os protagonistas tomem posição, no cenário rudimentar de suas atividades. O desejo de mudança, naturalmente por parte dos explorados, mediatizado pela ideologia revolucionária, opera uma correção (distorção, na opinião dos patrões) do olhar do trabalhador, a fim de interromper o ciclo histórico do capitalismo e criar um novo mundo, onde cada um se tornasse dono do produto de seu trabalho.  



Escrito por B.Machado às 18h35
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                        O CINISMO É CONTAGIOSO

O que mais impressiona, nesse episódio bem brasileiro de "jogar a cultura no lixo" é o cinismo dos protagonistas. Essa doença moral (o cinismo) é mais contagiosa que a gripe suína. E por falar em suína, ela também é uma doença que pode ser denominada "dos porcos", no sentido moral, naturalmente, porque os coitados dos porcos não têm nada a ver com isso. Administrado pelo cinismo, que "vem do alto" o povo brasileiro começa a seguir as regras vigentes, orgulhando-se de sua "cara de pau".  

        A notícia é espantosa, num país cujos habitantes não estão "rasgando dinheiro":

"Pelo menos 1.500 cadernos de exercício do aluno distribuídos pela rede estadual neste ano foram encontrados em uma caçamba de lixo ao lado da escola Eugênia Vilhena de Moraes, na Vila Virgínia, em Ribeirão Preto (SP)." Quem teria cometido o delito? A resposta-padrão, do mundo dos cínicos, veio rápida: "Segundo a Polícia Civil, funcionários da Eugênia Vilhena confirmaram que parte do material pertencia à escola, mas não souberam dizer como os livros foram parar no lixo. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação negou que funcionários da escola tenham jogado o material no lixo e disse que será aberta uma investigação". E mais adiante: "Questionada sobre a quantidade de livros encontrados no lixo, a assessoria disse que recebeu a informação de um veículo da imprensa de que eram apenas 200 exemplares e negou que fossem da escola".



Escrito por B.Machado às 12h19
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                    RIO – 2016

Transcrevo tal como leio nos jornais:

"O maior crime dos traficantes do Rio foi o de ter injetado uma dose de realidade no último faz-de-conta do Brasil grande".

"A guerra que a bandidagem do Morro São João declarou aos malfeitores do Morro do Macaco conspurcou o idílio do Rio-2016".

 Lula:

 “Estamos dispostos a fazer todo sacrifício necessário para ver se a gente limpa a sujeira que essa gente impõe ao Brasil no mundo”.

        A administração pública brasileira (presidente, governadores e prefeitos) se comportam como aquelas donas de casa que só resolvem fazer a faxina quando vão receber visita.  Parece que os "moradores", embora sejam os que paguem a despesa, não merecem o sacrifício.



Escrito por B.Machado às 13h51
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                     A CARA DE PAU

Primeiro o sujeito defende um negócio que foi considerado uma picaretagem. Depois, antes que se faça uma verificação melhor da malandragem, fecha-se o negócio. E tudo continua na mesma, como se não houvesse ocorrido nada. Não é preciso justificar a contradição, entre a negativa primeira, e a solução de sumir com os sinais de corrupção. Assim age o Sarney. Mas ele está na sua (na dele), o que é difícil entender é o eleitor. Não se pode comprar tanto voto, para se eleger senador. A maioria dos votos é dada voluntariamente. E a defesa que o Presidente fez do marajá (ladrão) do Maranhão também foi espontânea.



Escrito por B.Machado às 21h15
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                            CONSELHO TUTELAR

Muitas pessoas me perguntam sobre as atividades do Conselho Tutelar, de Iguape. Acredito que os conselheiros devem ter muito trabalho, nesta cidade, pois, hoje mesmo, soube de um roubo, no Rocio, no qual estavam envolvidos só menores. Esses menores são conhecidos, por nome e filiação. Não sei se é trabalho do Conselho procurar os pais dessas crianças, acionar o Juiz ou a polícia. De qualquer maneira, o que quero dizer é o seguinte: existe alguma proibição de divulgar o trabalho do Conselho? Na época da votação, devemos procurar os conselheiros, fazer um levantamento de suas atividades, para ver em quem devemos votar? Os três jornais da cidade, mais os Blogs estão proibidos de divulgar as atividades do Conselho?  



Escrito por B.Machado às 17h32
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                           ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Que ninguém queira me dar lição, nesse item. Tenho experiência da administração pública e da iniciativa privada, na área de pessoal, e posso afirmar: muitas repartições públicas poderiam ter 2, 3 e até 10 vezes menos funcionários do que têm. Um exame atual, no âmbito federal e estadual (Estado de São Paulo – imaginem os outros) mostra que tanto o Presidente quanto dois dos nossos governadores, aumentaram o contingente já exagerado do funcionalismo, muito provavelmente sem necessidade. Conforme observação de um jornalista credenciado sobre o assunto, "sob Lula, interrompeu-se o processo de enxugamento de pessoal, que Collor iniciara e que FHC aprofundara". Quanto ao Estado, não apareceu, ainda, nenhum "salvador da pátria", para diminuir a despesa com pessoal.

            As diferenças são pequenas, entre um e outro: até 2.008, a União aumentou em 15% os gastos com pessoal, e o Estado de São Paulo, 14%. A partir de uma mágica matemática, o governo estadual alega que o aumento foi de apenas 5%, mas ninguém acredita nisso. Os números são implacáveis: desde 2003 (gestão Alckmin e Serra), a máquina do Executivo de São Paulo ganhou 33.000 novos servidores ativos. Note-se que, além do mais, houve reajustes para maior, em algumas esferas do funcionalismo. Tanto no setor federal como no estadual, a desculpa é que a ampliação do quadro, bem como das despesas, ocorreu em esferas importantes, como educação e segurança. Mas não há qualquer informação sobre a diminuição de despesas, em esferas menos importantes. Uma boa parte da carga tributária poderia ser aliviada se houvesse melhor aplicação do dinheiro arrecadado. A folha salarial de São Paulo, em 2008, chegou a R$ 43,1 bilhões; e a federal, considerando-se os três Poderes – Executivo, Judiciário e Congresso - que, com Lula teve um aumento de 30% acima do IPCA, bateu em R$ 144,5 bilhões.



Escrito por B.Machado às 15h05
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                                     A DECISÃO POLÍTICA

A decisão por uma linha política não é movida, em todos os cidadãos, pelo mesmo circuito de idéias ou sentimentos. A mesa das ideologias e dos personagens que as encarnam está posta, e há "pratos" para todos os gostos, sendo que cada cidadão, segundo seu "apetite", temperamento, formação, informação ou desinformação intelectual, e passadas ou presentes atribulações e aspirações, faz sua escolha, por influência alheia ou decisão própria. Uma vez desenrolado o "nó górdio" da escolha, inicia-se o processo de justificativas, para uso próprio ou para o debate democrático, quando se oferece a ocasião. Este último movimento, das justificativas, movimento da consciência em busca do próprio equilíbrio, é tão importante quanto o primeiro, aquele da escolha do "prato", e pode até precedê-lo, pois é o que lhe dá sentido.

        Ainda aqui, na "ágora" das discussões, revelam-se aquelas características pessoais, acima apontadas, que antes orientaram a escolha dos caminhos políticos e, então, organizam a seleção dos argumentos cabíveis num convencimento ou retruque. Não foi em vão que evocamos a "ágora" das discussões; "ágora" era a praça ateniense onde os gregos, que "inventaram" a democracia, discutiam seus problemas, pesavam suas convicções, buscavam as soluções para as questões políticas (polis = cidade-estado). Nada tão distante dos regimes políticos orientais, cujos habitantes dificilmente podiam ser considerados "cidadãos", pois na verdade eram servos do poder, leigo ou (e) religioso, que viviam na tradição do "pater família" tirânico, mesmo sob o véu fantasioso de uma eleição à moda do atual regime iraniano.

        Ora, a primeira condição para o debate democrático, ou mesmo a aceitação das condições democráticas, num determinado território (pode ser também numa congregação religiosa ou grêmio esportivo) é a percepção de que todos os homens são dotados de uma consciência capaz de guiá-lo na escolha de juízos pertinentes, em meio às mais variadas conjunturas sociais. Duvidar disso, com antecipação, além da falta de respeito pelo "outro", é uma atitude preparatória para um modo de vida, ou regime ditatorial, apoiado no preconceito de que alguns, os tiranos, os donos do poder, são melhores, pensam melhor que os outros. Quem acompanha com atenção as peripécias retóricas e dialéticas deste Blog, cuja intenção é chamar para a ponderação e o esclarecimento, nos mais variados campos de atuação humana, pode observar e distinguir, dentre os comentaristas, aqueles que estão preparados para a democracia, concordando ou divergindo dentro das regras do bom senso, ou, ao contrário, aqueles que lançam mão, em sua argumentação dos restos perdidos das vociferações inconseqüentes dos comícios.



Escrito por B.Machado às 17h53
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                                      PARADOXOS

Estatísticas pouco divulgadas pelos órgãos competentes apontam que os resíduos de óleo comestível são mais abundantes nos lares da classe pobre do que nos da classe média e rica. Como se sabe, as frituras em excesso são prejudiciais, de várias maneiras, à saúde. Outros números pouco simpáticos aos "defensores dos oprimidos" são os que mostram que o maior problema de saúde, no Brasil, não é a fome, mas a obesidade.



Escrito por B.Machado às 17h05
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                       "FAXINA" NO SENADO

De repente, sai nos jornais: "Senado anula corte de despesas no serviço de faxina". Vamos com toda sede ao pote. O que diz o texto? Entre outras coisas: "Identificaram-se irregularidades em todos os contratos de fornecimento de mão-de-obra terceirizada. Realizaram-se novas licitações." Ora bolas! Pensamos que era uma "faxina moral", a remoção da sujeira dos sarneys e Cia. Ltda. e outros menos votados. Infelizmente, por essa faxina vamos ter que esperar muito!

 

                          A HORA DA MENTIRA

Quando Cristo foi preso, alguns de seus discípulos mais chegados, naturalmente por medo das conseqüências, negaram ter qualquer ligação com ele. A mesma coisa está acontecendo, agora, com os petistas chamados a falar sobre o "mensalão": nenhum deles sabe qualquer coisa a respeito, de Palocci a Dilma. Bem, esta mente compulsivamente, desde seu prontuário acadêmico, até as promessas do PAC.  



Escrito por B.Machado às 11h13
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                      "CHUTANDO FORA"

Lemos na História da Economia brasileira que, em 1956, os professores de Economia, da Faculdade de Economia e Ciências Administrativas da USP, principalmente os da esquerda, como Paul Singer, não apoiaram o "Plano de Metas" do Presidente Juscelino, que pretendia iniciar um programa de industrialização, ou substituição de importações. Alegavam que os produtos industrializados importados, sendo mais baratos do que aqueles que poderiam ser fabricados aqui, os "imperialistas" iam impedir a industrialização, para evitar a concorrência. No entanto, em vez disso, os "imperialistas" vieram para cá e ajudaram o país a sair de sua "fase agrícola", que durava desde a colonização.

Também no Governo FHC, houve uma violenta objeção dos economistas do PT à privatização de grandes empresas estatais, que só serviam de cabide de emprego para os parentes e correligionários do governo. A privatização possibilitou aos brasileiros terem um telefone grátis, em casa, em vez de pagarem 10.000 reais por ele, quando o conseguiam, no tempo em a Telefônica era dirigida pelo Governo. 

        Como se vê, o raciocínio comprometido com ideologias, dos "sábios" do século XX e XXI, não é diferente do raciocínio dos "sábios"       do século XVI, comprometidos com o pensamento religioso, quando contestaram o heliocentrismo, proposto por Copérnico e Galileu. 



Escrito por B.Machado às 10h34
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                         BURGUESIA E PROLETARIADO

Houve um tempo em que esses termos, burguesia e proletariado, andavam na boca de todos, na mesma freqüência com que andam agora "internet", "celular" e "ecologia". O enfoque era político. Como havia a ameaça de uma revolução socialista mundial (criaram até um hino), a burguesia vivia apavorada. Então, numa época de eleições, os sabichões da República brasileira resolveram unir dois políticos que representavam exatamente os dois pólos em disputa: Jânio, de um lado, representando a burguesia "reformista" e Jango, de outro, representando o proletariado. Não deu certo. Acabou na revolução de 1º. de abril de 1964.

        Pouca gente se deu conta de que, em nossa última eleição, houve novamente a união dos dois pólos rivais, agora invertidos: o proletariado representado pelo Presidente, e a burguesia, pelo Vice. E não é que deu certo? Agora a sociedade encontrou sua paz. De um lado, a burguesia continua a acumular seu rico dinheirinho e, de outro, o proletariado tem seus empregos, ou, pelo menos, promessas de emprego, e o "lumpen", o Zé povinho que ainda não conseguiu ascender à classe operária, ganha bolsa-família. Vê-se, por aí, que a primeira tentativa de união classista estava certa. Só que naquele tempo não se sabia que, em política, a "ordem dos fatores altera o produto".



Escrito por B.Machado às 16h39
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LEMBRANÇAS DA DITADURA

Falando dos "idos de março", quando começavam os primeiros conflitos entre a esquerda (organizada e desorganizada) do país, o professor João Quartim de Morais mostra como foi inesperado o golpe militar de 64. "Poucos anteviram, durante o idos de março, quando se alternavam manifestações sindicais e estudantis a favor das reformas de base e marchas da "família com Deus pela Liberdade", a possibilidade de vitória das forças do privilégio e do obscurantismo. Predominavam as esperanças de que o Brasil deixaria de ser o país dos milionários insolentes, dos pequeno-burgueses arrivistas, dos espertinhos e dos safados, para se tornar o país de seu povo".

        Por enquanto, continua o Brasil dos espertinhos e dos safados.



Escrito por B.Machado às 21h32
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                                CULTURA BRASILEIRA

A Universidade de São Paulo teve sua semente lançada em 1934, com a vinda de um grupo de brilhantes professores franceses, que promoveram uma verdadeira revolução cultural no Brasil, da primeira metade do século XX. Comentando esse fato, o professor Gérard Lebrun, em entrevista dada em 1987, nota, ponderadamente, que a "presença francesa significou uma contribuição para fazer dele (o Departamento de Filosofia da USP) um recinto um pouco isolado na realidade brasileira".  

        Estava certo, o professor francês, tão certo que sua observação pode ser estendida a quase tudo que diga respeito à cultura, e não só Filosofia, e não só em São Paulo, mas no país todo. A única observação a ser feita a esse respeito, é que a defasagem entre os professores e estudantes da "nova universidade" e o povo em geral, não é culpa da dedicação deles, mas do desleixo do resto da população, com relação à cultura. A imprensa começou a funcionar há quinhentos anos e, de lá para cá, quem permanece na ignorância o faz por escolha pessoal. Mesmo que todos digam que a escola é necessária, que a cultura pode nos ajudar a viver melhor, na hora do "vamos ver", isto é, de estudar, o grito de guerra do brasileiro comum é: "pernas prá que te quero, que não sou de ferro".



Escrito por B.Machado às 09h15
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LIVRO SOBRE O "PARAÍSO CUBANO"

A cubana Yoani Sánchez, autora do blog Generacíon Y, foi agraciada nesta quarta-feira, dia 14, com o Prêmio Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Columbia, em Nova York. Detalhe: Yoani não pôde receber a premiação porque o governo cubano impediu que ela viajasse para os Estados Unidos. Desde 2007, quando criou o blog Generacíon Y, Yoani traça cotidianamente um retrato sobre como é viver em Cuba nos dias de hoje. Intrigado com a história de Yoani, o jornalista Sandro Vaia viajou a Havana e gravou mais de vinte horas de entrevistas com a blogueira e seu marido, o jornalista Reinaldo Escobar. O resultado está no livro "A ilha roubada – Yoani, a blogueira" que abalou Cuba, lançado no primeiro semestre deste ano.



Escrito por B.Machado às 14h35
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                        INTERPRETAÇÕES

Para quem escreve, o pior antagonista não é o leitor discordante, mas o mau leitor. O mau leitor é aquele que interpreta o escrito de maneira errada. Assim, no caso deste Blog, toda vez que comento algum passo errado de Lula, o mau leitor não interpreta o "fato", mas uma suposta "posição" contra o presidente. Como se as críticas ao Presidente, de um modesto cidadão de Iguape, sem nenhum cargo político, tivesse alguma importância, no cenário nacional. O mau leitor, então, toma as dores do Presidente e me refuta, como se isso também, sua refutação, tivesse alguma importância, em termos nacionais. Será que o presidente vai lhe mandar agradecimentos?

         Muitas das atitudes ou ações do presidente são tomadas por influência de seus assessores, pois uma pessoa só não conseguiria dominar a multiplicidade e a complexidade dos interesses nacionais, nas suas relações internas e externas. E é na escolha de assessores que mora o perigo. Como não se espera que o Presidente tenha sempre a boa idéia de escolher um assessor competente fora do Partido, como o caso de Meireles, para o Banco Central, o perigo sempre o ronda, como o de ter ao seu lado um "chefe de quadrilha" tipo José Dirceu. No caso da política externa, por enquanto, o Presidente está prisioneiro do obsoletismo esquerdista dos anos 60, de seus assessores. Assim é que, em função de se opor a um "capitalismo internacional abstrato" (pois no concreto nós também estamos, com a Vale, a Friboi, etc.) o Brasil tem se alinhado a múmias políticas como Fidel Castro e Chávez, do que resultou esse comprometimento de nossa embaixada em Honduras, num conflito chavista, acolhendo nela aquele "cowboy de televisão".



Escrito por B.Machado às 14h23
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                         MOVIMENTO DOS SEM TERRA

Diante de notícias cada vez mais perturbadoras, cresce no país a convicção de que o Movimento dos sem Terra é, na verdade o movimento dos "sem vontade de trabalhar". É natural que se pense assim, embora possa haver erros na avaliação. Apesar da afirmação do relator especial da ONU, para direito à alimentação, Olivier De Schutter, de que há "uma tentativa de descredibilizar o MST", o que se nota é um movimento mais forte, dos governistas em evitar qualquer tipo de verificação sobre o dinheiro que é gasto com essa organização.

A base para a afirmativa do relator da ONU é o estudo encomendado pela Confederação Nacional da Agricultura, ao Ibope, sobre os resultados práticos dos assentamentos. Nessa pesquisa, verificou-se que 72% dos assentamentos não produzem o suficiente para gerar renda e que 37% dos assentados vivem com uma renda equivalente ao salário mínimo. É o retrato acabado de um fracasso, mas, como sempre acontece num pais de Terceiro Mundo (que está saindo dele pelo trabalho das grandes empresas, apesar dos entraves  da burocracia estatal), em vez de se verificar a veracidade dos resultados da pesquisa, trata-se de desmoralizá-la, desacreditá-la, como se vê, pelo movimento dos governistas do Congresso, articulados para impedir uma CPI do MST. Por outro lado, o presidente do STF opinou que o Ministério Público deve investigar os repasses de dinheiro ao movimento dos "sem vontade de trabalhar".



Escrito por B.Machado às 16h49
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                 JUNTOS OU SEPARADOS?

- Todo mês podemos ler 3 jornais, em Iguape. Cada qual "puxando" para um lado. Juntando os esforços dos três periódicos, poderíamos ter UM periódico mensal maior, ou Um periódico semanal, quiçá uma revista, em vez de jornal mensal. Se fosse o caso desse JORNAL combater, teríamos, no lugar de 3 porretinhos, 1 PORRETE macho.

- Também temos, em Iguape, muitos hoteizinhos. Se juntassem os capitais desses hoteizinhos, poderíamos ter um HOTEL, com piscina, sala de leitura, salão de dança, restaurante e bar, e um serviço de excursões florestais, fluviais e marítimas.

- Temos no Vale do Ribeira, dezenas de municípios, cuja economia, somada, não alcança o produto bruto de 1 só município como Araras. Se esses municípios fossem UM SÓ, com o dinheiro economizado das dezenas de "prefeiturinhas", com suas "camarinhas" e seus milhares de funcionários, poderíamos investir em programas de infra-estrutura, transporte, estímulo para atração de empresas, urbanização, etc.

AO REVÉS,

- Se o Brasil não tivesse conseguido reunir os interesses de todas as Capitanias ou Províncias, da colonização portuguesa, seríamos hoje um aglomerado de Colômbias, Honduras, Cubas, etc. cada qual com seus coroneizinhos e outros malucos, como Chávez, Zelaya e Fidel.  

- Os Estados Unidos da América (notem o plural) é o resultado da UNIÃO de várias colônias inglesas e até um pouco de francesas. Será que deram certo?

- A Europa criou juízo, cansou de divisões e guerras e resolveu partir para uma economia unificada, que conseguiu o progresso para todos, tornando-se o modelo exemplar do ditado: A UNIÃO FAZ A FORÇA.



Escrito por B.Machado às 18h30
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                     CONVERSA SÉRIA

Transformar a política em jogo e começar a torcer, contra ou a favor, e a criticar, apenas porque se é da oposição a determinado político ou partido, é coisa de abobado. O importante é analisar e saber o que se fez e o que se faz, de produtivo, numa determinada administração. Como nem todos são especialistas nisso, deve-se ouvir quem se dedica a essas análises, por exemplo, Luis Nassif. Vejamos o que ele diz, sobre a política econômica brasileira:

"Conforme explanei em outras colunas, desde o governo Collor, cada governo agregou um conjunto de idéias e conceitos na construção do novo país. O governo Lula levará como marca principal as políticas sociais, a diplomacia, o modelo do pré-sal e o retorno do desenvolvimentismo. Mesmo assim, foi um governo bastante insensível à criação de um ambiente econômico favorável ao crescimento".

 

"Um dos pressupostos desse ambiente é a tributação moderada. Lula  herdou uma economia com uma carga tributária alta e mal distribuída. Aumentou a carga e pouco avançou sobre a economia financeira. Pelo contrário, criou a isenção nas aplicações em títulos públicos para investidores estrangeiros, ampliando o desequilíbrio cambial."

"Outro dos pressupostos são as taxas de juros e a oferta de crédito. Ainda hoje, o Banco Central paga as mais altas taxas de juros do planeta. Nesses anos todos de governo, Lula não logrou enquadrar o BC em um projeto de desenvolvimento. O recente relatório do BC, especulando sobre a inflação do próximo ano (e atrelando as expectativas ao aumento dos gastos públicos)"



Escrito por B.Machado às 17h13
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                    AINDA SOBRE O PODER

O poder emana do povo sobre o povo. Paradoxal? Mas é o povo que atribui poder aos mandatários. Se o povo não obedecer, o mandatário perde seu poder. Mas há o exército! Sim, o exército que é formado por homens do povo. Em âmbito individual, quem dá poder não é o poderoso, mas o bajulador, o puxa-saco, o submisso.

        Nos países civilizados (há poucos), os mandatários do momento não se fazem tão importantes quanto os de países atrasados, no tempo e na cultura. O Rei da Suécia cumprimenta os cidadãos com respeito, o Primeiro Ministro britânico mora numa casa modesta e, geralmente, quando sai para o trabalho (sim para o trabalho, não para voar no seu avião de luxo), fica algum tempo conversando com as pessoas do povo, que estão à sua porta. Aqui, como se sabe, o manda-chuva não sai pela porta, mas pela garagem, dentro de um carro à prova de bala (porque confia no seu povo!).

        Nos países civilizados, fala-se mais em administração, nos países atrasados, mais em poder (o "puder", como diz Sarney). Em qualquer cidadezinha brasileira, o gabinete do prefeito é provido de uma barreira de recepcionistas, quando não de guarda-costas, para defendê-lo do povo. Depois dos recepcionistas, vem o "chá de cadeira". O mandatário está sempre ocupado, não se sabe o que seja essa ocupação, mais importante que o povo que o elegeu.



Escrito por B.Machado às 19h41
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VIVA: Brasil vira credor do FMI

Pela primeira vez na história, o Brasil será credor do FMI (Fundo Monetário Internacional). "O Brasil vai assinar um acordo de compra de bônus emitidos pelo Fundo no valor de US$ 10 bilhões, sob condições que serão estabelecidas no contrato que assinaremos", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A decisão foi anunciada em Istambul (Turquia), onde ocorre a reunião anual do Fundo. "Passamos da condição de devedores à de credores. É uma mudança radical", comemorou.

Em compensação, O IDH brasileiro

No ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o País aparece na 75ª posição, com a pontuação de 0,813 no ano referência de 2007. Em 2006, ocupava a 70ª posição, mas o IDH era de 0,807. A perda de posições se deve à piora da expectativa de vida. Pelo critério do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o IDH mede a expectativa de vida longa e saudável, acesso ao conhecimento e nível de vida digno. Quanto mais próximo de 1, mais evoluído o país será considerado.



Escrito por B.Machado às 10h41
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                      AS MULHERES RECLAMAM

Segundo se noticia, muitas mulheres estão reclamando da falta de jeito dos homens, na hora do "vamos ver". Segundo um item mais explícito, falta uma verdadeira "pegada", na hora de uma aproximação mais promissora e sensual, com as mulheres. A partir dessa queixa, dá-se um conselho: "Homens! Conversem com amigas, irmãs, primas ou parceiras e peçam para que elas lhes mostrem a intensidade que gostam de sentir uma 'pegada'. Com certeza, elas vão gostar de poder ajudá-los a desenvolverem um potencial que elas adoram".

        Vai aqui um conselho: cuidado para não ir com muita sede ao pote.        

 



Escrito por B.Machado às 21h41
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                                O DESENCONTRO

Metade dos problemas do mundo é causada pelo fato de que as partes envolvidas no problema não conversam entre si. Cada uma faz o discurso próprio para um determinado auditório, ignorando o que diz a outra parte. Leiam-se as notícias abaixo:

"Fantasiados de setores envolvidos com a questão do clima, ativistas do Greenpeace realizam um protesto nesta terça-feira no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), sede provisória do governo em Brasília. A idéia é pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a assumir metas defendidas pelo movimento contra o aquecimento global para serem apresentadas na Conferência do Clima da ONU em Copenhague, em dezembro. Os manifestantes esperam ser recebidos pelo presidente Lula e pelos ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Celso Amorim (Relações Exteriores), que estão reunidos discutindo a política brasileira que será levada para o evento. Os oito ativistas estão usando fantasias que representam setores envolvidos discussão: como uma vaca simbolizando o desmatamento na Amazônia, um homem placa solar para simbolizar as energias renováveis, além de uma máscara com rosto do presidente Lula."

 

"Teremos um número para apresentar em Copenhague e também muitas cobranças em relação aos emissores históricos. Quanto mais nosso esforço for comprovado e reconhecido, maior o nosso poder de termos protagonismo, de fazermos essa ponte entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento e de cobrarmos, inclusive, recursos e tecnologia para que os países menos desenvolvidos possam entrar no esforço global de defesa do planeta, que é só um", afirmou Minc.



Escrito por B.Machado às 18h01
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                          ANA JULIA

A governadora do Pará esteve, ontem, no Roda Viva, da Cultura. Mostrou-se muito mais eficiente, "na conversa", do que na administração, tal como tem aparecido no noticiário. A resposta às indagações sobre os absurdos que aconteceram, ultimamente, no seu Estado, é a mesma de todos os políticos: herdaram uma administração caótica, e estão tentando arrumar. Mas precisam de tempo. Falta verba, etc.

        Como todos os políticos brasileiros ela se preparou mais para tapar o sol com a peneira do que para fazer um governo minimamente eficiente. Mas, mesmo descontando tudo isso, Da. Júlia é bem melhor ao vivo do que no noticiário. Bem articulada, tinha resposta para tudo. E realmente herdou um abacaxi. Mas podemos ter certeza de que o abacaxi que vai deixar será maior do que o que recebeu. Os políticos brasileiros, e podemos dizer também, os políticos sul-americanos, com a exceção dos chilenos, não descobriram, ainda, que o mundo está em constante mudança. Continuam a discursar, ora contra o capitalismo, como se fazia no século XIX, nos subúrbios da Europa, ou, pior, procedem como os antigos imperadores, ilhados nos seus palácios, deslumbrados com seu poder.



Escrito por B.Machado às 10h57
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                          A LÓGICA DO PODER

A recente ação do MST invadindo e depredando as instalações de uma empresa de alimentos, mostra a lógica do poder: todos são coitadinhos, até terem força para estrepar com os outros. Os operários do ABC, de Lula, fizeram isso, os índios brasileiros e os lavradores sem terra fazem.  Quer dizer, todo mundo é bonzinho enquanto está por baixo. Quando se sentem fortes, os humildes se transformam em senhores, os carneiros se transformam em lobos. Dê um chicote a um escravo e ele se transformará no pior dos feitores.



Escrito por B.Machado às 20h03
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                                      DILMA ATACA

A candidata do PT às próximas eleições presidenciais já está a campo, começando por cima, isto é, pelo Norte, no Estado do Pará. Entra no incrível bloco de apoio a Lula, nada menos que 10 (dez) partidos: PMDB, PT, PDT, PR, PP, PTB, PCdoB, PSB, PRB e PSC. São os mesmos que apóiam Lula, apreciam um cargo para seus parentes e amigos e defendem as maracutaias do patrão, sejam desvios de verba de obras ou mensalões. Com Jader Barbalho (que só perde em pilantragens para o Sarney) na vanguarda nortista, Dilma antecipa um governo pleno de "sudamerianidads", isto é, demagogia barata e corrupção cara (para o país).  

        Jader Barbalho, sem compromissos com a honestidade, já começa com chantagens: indisposto com a governadora Ana Júlia, quer que a Dilma suba no seu palanque, de candidato a governador do Estado. Do contrário, ameaça unir-se a Serra, naturalmente levando consigo toda sua quadrilha. Se acontecer isso, Serra já começará sua campanha e, se bem sucedido nas eleições, seu governo, pelo mau caminho. Dilma procura amenizar a polêmica, elogiando um e outro. Os elogios, como se pode perceber, poderiam ofender, se o elogiado fosse pessoa de respeito, pois relembra seu apoio (de Jader) a Lula, no escândalo do mensalão. Por outro lado, ela lembra a "reciprocidade" de Lula, defendendo o Sarney. Uma mão lava outra, e as duas lavam bunda suja do governo.



Escrito por B.Machado às 16h40
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                SARNEY "COMETE" MAIS UM LIVRO

Nas horas vagas de suas malvadezas, Sarney escreve. Agora vai sair um livro de sua lavra chamado "A pobreza no Maranhão". Pelo título, devia ser uma enciclopédia, mas ele pode ter resumido o assunto. Aliás, quase todo dia sai alguma coisa errada sobre o feudo dos Sarney. Há dias foi revelado que 66 das 70 cidades do Maranhão não têm farmacêutico, alvará sanitário, nem autorização para comercializar remédios. Isso fora o comércio de remédios contrabandeados.



Escrito por B.Machado às 11h39
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                    DOGMATISMO E DEMOCRACIA

Aqueles que tiveram oportunidade de estudar o Catecismo sabem que, ou "entram na linha", ou vão para o Inferno. Mas cada religião se considera a "verdadeira", o que significa que as "outras" estão condenadas. Fora isso, ainda há aqueles que não professam nenhuma religião, esses estão múltiplas vezes condenados ao fogo eterno.

         No mundo há 2,2 bilhões de cristãos. Isso significa que, sem contar os maus cristãos, isto é, aqueles que só são cristãos "no papel", o resto da humanidade está perdido. Por outro lado, os islamitas são 1,57 bilhão, pelo que, pelo seu credo, muito mais pessoas vão povoar o reino de Satanás. No caso dos hindus (1,4 bilhão) a situação ainda é pior.

         Tudo isso de que cogitam os teólogos de todas as religiões não leva em conta que o "homo sapiens sapiens" já está há 200.000 anos na Terra, o que significa, primeiro uma dúvida: a partir de que época ele passou a ter uma alma imortal, considerando-se que há três milhões de anos atrás, ele já começava sua transformação para vir a ser um iluminado como Lula? Em segundo lugar, todas essas almas que viveram antes do surgimento das religiões salvadoras, aonde foram parar?

         Mas antes de um problema teológico, interessa-nos, aqui, uma questão de lógica. Como a religião é a coisa mais bem distribuída no mundo, a afirmativa "a minha religião é que está certa", prepondera em toda a humanidade. Acontece que essa falta de lógica não se restringe às religiões, mas a todo comportamento humano: a esquerda (ou a direita) política é que está certa, meu candidato é o melhor, se eu fosse prefeito (ou governador, ou presidente) faríamos uma administração mais racional, etc. Mas, e daí? Como vamos decidir nosso rumo, se há tantas divergências e todas se consideram a certa? Até agora, só surgiu um caminho: o diálogo democrático, que não é uma fórmula pronta, mas um longo aprendizado, para o qual poucos têm a paciência suficiente.  



Escrito por B.Machado às 19h05
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                               RETROCESSO

Segundo a Folha de S. Paulo, os fundos de pensão (Previ – Banco do Brasil, Petros – Petrobrás e Funcef – Caixa), apoiados pelo Presidente Lula, estão pressionando para mudar a atual diretoria da Vale do Rio Doce. Naturalmente, o objetivo final é colocar na direção da empresa os "amigos do Rei", para assim poder contar com polpudos patrocínios, para suas causas nem sempre honestas. FHC privatizou a empresa para livrá-la da influência oficial, exatamente porque estava convencido de que, onde o governo mete a mão, estraga tudo.

 



Escrito por B.Machado às 17h44
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                               A MÁFIA

Há muitos anos, li um romance de ficção científica, sobre um país governado por uma Máfia. Os comerciantes e industriais não pagavam impostos, pagavam uma "proteção". Quem não pagava sofria sanções, como um quebra-quebra, prá começar e, a persistirem na teimosia, um incêndio para liquidar. Não havia essa multidão de funcionários públicos, com seus carimbos e suas exigências de assinaturas e reconhecimentos de firma. Apenas os cobradores da proteção e os encarregados de castigar os teimosos.

        Os cidadãos não pagavam impostos e tinham a obrigação de serem estritamente honestos. Quem se metesse a assaltar, simplesmente era "liquidado". De vez em quando, havia algum desentendimento entre os chefões, coisa facilmente resolvida com uma rajada de metralhadora. A venda de drogas era feita pelo próprio "governo", evitando assim, a disputa entre quadrilhas. Enfim, o melhor dos mundos.

        Percebia-se, com a leitura sobre esse "país ideal", que os atuais países chamados democráticos são dominados por uma máfia que dá muito mais despesa e é muito menos eficiente, pois seus fiscais e encarregados de compras recebem propinas e naturalmente falham na sua função. O crime funciona tanto no baixo mundo, crime organizado ou não, e também nas altas esferas, pois os chefões não têm a quem dar satisfação, então "metem a mão" nos cofres públicos, sem o menor pudor, nem qualquer tipo de sanção.



Escrito por B.Machado às 21h09
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      O CUSTO-BENEFÍCIO ADMINISTRATIVO

O gasto da União, com livros, é apenas um exemplo de como, no Brasil, a administração pública mostra pouco resultado, comparando-se seu custo/benefício. Leio no Blog de Sueli Correia que "Entre os anos de 2005 e 2008, a prefeitura de Juquiá gastou cerca de R$ 1 milhão, apenas com o pagamento de contas de celulares corporativos".

        Alguém pode argumentar: e daí? Juquiá é Juquiá.... Não, a questão não é essa, a questão correta é: JUQUIÁ É O BRASIL! Em qualquer cidade, Estado e na própria União, a principal característica da administração pública é a desproporção dos gastos, em relação a seus resultados. Isso não é culpa do legislador de plantão, é um problema crônico. É raro aparecer um Hélio Beltrão, disposto a diminuir o desperdício burocrático, eliminando os entraves que o tempo foi se encarregando de colocar na administração pública brasileira.



Escrito por B.Machado às 11h02
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                          DINHEIRO E EDUCAÇÃO

O governo Lula é o maior comprador de livros no mundo. Segundo números da revista Bookseller, a União comprou 57,5% dos 211.542.458 livros vendidos no Brasil em todo o ano de 2008, informa a coluna Direto da Fonte. Deixando de lado o fato pitoresco de um Presidente que detesta ler faça o possível para garantir que os estudantes brasileiros não sigam o seu exemplo, esse paradoxo de tamanho gasto para tão pífio resultado, num universo estudantil indiferente à cultura, é desesperador. Aqui, ainda, ressalta outra revelação: os alunos da escola pública são tão bem servidos, em material didático, quanto os da escola particular, portanto as cotas que pretendem reservar-lhes nas Universidades é um privilégio indevido, uma estupidez legislativa.



Escrito por B.Machado às 10h39
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                       CIVILIZAÇÃO E PROGRESSO

A antinomia desses conceitos se acentuou pari-passu com a substituição do trabalho manual pelas máquinas, vale dizer, do artesanato e dos ofícios, pela tecnologia. Ao mesmo tempo que isso ocorria, em nível da produção, do uso e da barganha, os objetos passaram à categoria de mercadoria, e as trocas foram mediatizadas pela moeda. Não é preciso ler Marx para entender a profunda mudança que tudo isso produziu na consciência das pessoas e nos costumes dos povos. No crepúsculo da Idade Média, o chamado Renascimento, que significou, primordialmente, "civilização renascida", em alusão à retomada dos esquecidos clássicos, gregos e romanos, começou a preparar o mundo ocidental para o progresso, já em forma larvar na Física de Galileu e Torricelli e, mais tarde, de Newton.    

        Parece despropositado retomar os conceitos de civilização e progresso e seus efeitos, em pleno século XXI, mas eles servem para ilustrar algumas discussões sobre o cotidiano de comunidades que, por força de se posicionarem à margem dos fluxos econômicos e, em parte, tecnológicos, conservam com alguma pureza uma produção tradicional (do ponto de vista da civilização) ou arcaica (do ponto de vista do progresso), tanto de produtos (artesanato), como da arte (música, dança, pintura), ou crença (cerimônias, peregrinações e cantorias típicas).

        Essas discussões visam dar alguma luz ao valor e significado que se podem conceder às iniciativas, cidadãs ou governamentais, para estimular, valorizar e divulgar os produtos, artes ou crenças dos grupos humanos que se encontram na retaguarda do progresso (não da civilização). Acontece que, no momento mesmo desse estímulo, o produto (utilitário, artístico ou divino) assume a categoria de mercadoria e, conseqüentemente, sofre um desgaste no seu valor simbólico. Então surge um impasse (teórico, pois na prática ele foi desprezado): deve-se conservar a pureza da produção tradicional, evitando o contágio do progresso ou, ao contrário, facilita-se o ingresso da produção "ingênua" no universo da mercadoria?  



Escrito por B.Machado às 16h39
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                           ENEM, MAIS UM....

O caso do ENEM foi apenas "mais um" exemplo da bandalheira nacional. Já não se trata do Governo Lula, é um problema da administração pública brasileira, de alto a baixo, da Federação aos Municípios. Parece que ela só funciona na base da corrupção. O que varia, de um presidente a outro, é a freqüência com que os escândalos surgem. Nesse ponto, "nunca antes neste país", a corrupção e o desmazelo com a coisa pública foi tão grande. Há muitos anos atrás, Carlos Lacerda, o mais combativo político e jornalista brasileiro, estampou a manchete em seu jornal Tribuna da Imprensa: "Governo Juscelino: Sindicato de Ladrões".

        Vê-se que ele colocou bem o problema, não era o Juscelino Kubitschek, era o "governo Juscelino". E agora estamos assistindo ao repeteco disso (o fato de ter um sindicalista no Governo é mera coincidência). Nenhum Presidente vai andar por aí, assaltando o cofre da União. O que se trata é a colocação de amigos ladrões nos postos de mando, ou apoiá-los no Congresso. Quando se mantém um Sarney na presidência do Senado e se recebe o apoio de um Collor e de um Renan, as coisas estão mal. Contratar uma empresa sem idoneidade para fazer um trabalho (afinal, o Governo não tem gráficas?) parece que é a praxe no Brasil. Lembram-se do "caso Zuleido Veras"?



Escrito por B.Machado às 11h13
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                     AS PESSOAS "CERTAS"

Tempos atrás, trabalhando com um grupo de ação social, visitamos uma pequena cidade do Interior paulista, planejando uma série de atividades, como esportes, artes, cidadania. Espalhamos panfletos, demos entrevistas à Rádio local, pusemos notícia no jornal. Reunimos um pequeno grupo de voluntários, da própria cidade e depois iniciamos os contatos. Para nossa surpresa, todo esse esforço não rendeu nada. Não conseguimos reunir pessoas suficientes, nem para os cursos, nem para as artes, nem para os esportes. Mais indignados que surpresos, convocamos uma reunião geral, com entidades e instituições da cidade, e vários grupos, profissionais e sociais. No auditório de teatro local, completamente lotado, expusemos nossas dificuldades:  

        - Estamos oferecendo uma enorme gama de atividades culturais para a cidade, tanto para as crianças e jovens, como para os adultos e idosos. São atividades já testadas e aceitas em muitas cidades por nós visitadas. Porque não estamos recebendo respostas positivas nesta cidade?

        Houve muitas respostas, considerações, perguntas, análises. De todas essas cogitações, a única que me pareceu sensata foi de uma moça que estava na primeira fila:

        - Será que vocês fizeram os primeiros contatos com as "pessoas certas"?

        Aí é que está o "busilis" da questão. Em Iguape, também tive grande dificuldade para realizar, por minha conta, acentue-se, alguns projetos e atividades: Guia Turístico, Jornal, competições esportivas. Para todas elas, conversei e solicitei ajuda dos cidadãos que aqui estavam. Todos se mostraram solícitos, teoricamente. Na hora do "vamos ver", eu tive que me virar sozinho. Sem contar o boicote que uma figura da cidade fez a uma proposta minha. A pergunta que não consigo responder, até hoje, é a seguinte: quais seriam as pessoas "certas" para ajudarem numa atividade social desinteressada, nesta cidade, que não pertençam a um clubinho fechado?

NB: A questão exposta é pura curiosidade; não estou propondo nada, nem para já, nem para o futuro.



Escrito por B.Machado às 15h51
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                              OLIMPÍADA

Enquanto muitos comemoram a vitória do Brasil, no Comitê Olímpico Internacional, outros estão se preparando para ganhar dinheiro, nas entrelinhas dos projetos de obras para o Rio de Janeiro, por conta das melhorias exigidas para realização do evento. Em primeiro lugar, se é preciso alterar as condições da cidade, é sinal que suas atuais condições são desconfortáveis, isto é, sua população está sendo mal servida, apesar das juras e promessas dos seus governantes. Em segundo lugar, já se viu pelas 40 obras (incluindo as do PAC) interditadas pela Justiça, por conta das marmeladas que havia nelas, quanto dinheiro vai parar no bolso dos burocratas e pilantras que sugam o erário brasileiro, com as obras milionárias no Rio de Janeiro.  



Escrito por B.Machado às 22h10
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                    CONFERÊNCIA SOBRE O CLIMA

Tasso Azevedo, consultor do Ministério do Meio Ambiente em questões de clima e florestas, vai participar, proximamente, da 15ª. Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague. Conforme suas declarações, o tema da conferência é "conseguir um acordo que coloque o mundo num caminho ousado de redução das emissões de gases de efeito estufa, que permita evitarmos que a temperatura média do planeta suba mais de 2º. no século 21".

        Parece fácil, mas não é. É muito difícil segurar alguns setores da economia e da política, em função da "saúde" da Terra. Nós temos um bom exemplo no Brasil: depois do entusiasmo do Presidente Lula com o Pró-Alcool, uma opção ecologicamente correta para o crescente número de automóveis, agora surge o petróleo do Pré-sal, como a salvação nacional. Esse vai-e-vem é apenas mais um cacoete do "nosso guia", mas é mais um obstáculo no caminho do consenso para a preservação do meio ambiente.



Escrito por B.Machado às 11h21
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O PRÊMIO IGNOBEL  (um pouco de humor)

O Ig Nobel, um prêmio que parodia o Nobel, é concedido a pesquisas inúteis há 19 anos, e foi bolado por um grupo de humoristas. O prêmio visa a pesquisas "que não poderiam ou não deveriam ter sido publicadas". No ano passado, um brasileiro foi agraciado com tão honroso prêmio, que só dá o título mas nada de dinheiro. A grande proeza de nosso patrício foi descobrir que os tatus interferem na pesquisa arqueológica.

Os premiados de 2009 foram:

- Catherine Douglas e Peter Rowlinson (Universidade de Newcastle, Reino Unido), "por mostrarem que vacas que têm nome dão mais leite que as que não têm", na categoria de medicina veterinária.

- Em biologia, ganharam Fumiaki Tagushi e colegas, por demonstrarem que a massa do lixo orgânico pode ser reduzida em mais de 90% com bactérias extraídas de fezes de pandas.

- Donald Unger (EUA), ganhou na área de medicina por investigar uma possível causa de artrite ao estalar os dedos da mão esquerda --mas sem nunca ter estalado os da direita-- todos os dias por mais de 60 anos.

- O Ig Nobel da Paz foi dado a Stephan Bolliger e colegas (Universidade de Berna, Suíça) que pesquisaram se é melhor receber uma pancada na cabeça com uma garrafa de cerveja cheia ou vazia.

- A polícia de trânsito da Irlanda ganhou o Ig Nobel de literatura por apresentar mais de 50 multas ao mais frequente motorista infrator no país, Prawo Jazdy, cujo nome em polonês significa "carteira de motorista".



Escrito por B.Machado às 22h18
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                        ESPERTEZA PRÉ-HISTÓRICA

Os índios brasileiros querem gozar de todas as benesses de outros cidadãos, mas querem ficar longe do ônus que isso representa. Não respondem ao Código Penal vigente, querem terra de graça, não pagam imposto, etc. Mas exigem serviço médico, escola, internet e vivem reivindicando outras coisas. De vez em quando raptam um abobado da FUNAI, para pressionar o Governo, com algum pedido de coisas que poucos brasileiros têm. Quando se trata de seus direitos, são modernos, quando se trata de deveres, refugiam-se na Idade da Pedra.

        Setenta por cento dos índios da Amazônia vivem na mata, mas, como disse um cacique, "querem trazer a cidade para dentro da aldeia". Quer dizer, querem o conforto, mas esquivam-se de pagar por isso. Os "caras pálidas ou escuras" são obrigados a pagar a "bolsa índio". O pior é que essa leniência com os indígenas ajudou a Amazônia a se tornar uma terra sem lei. Apenas 4% de suas terras têm título de propriedade. A venda ilegal de madeira é apenas um dos inúmeros crimes praticados tranquilamente por lá. Muitas mercadorias e serviços são pagos com "cascos", como eles chamam às tartarugas, cuja caça é proibida. Os barcos viajam com lotação acima do permitido, sem nenhuma fiscalização, do que resultam tragédias que já cansamos de assistir. E assim por diante. Enfim, o ideal europeu de civilizar o índio transformou-se no seu contrário: o homem civilizado vai para a Amazônia para aprender a ser selvagem (com suas espertezas e negaças), como os índios.  



Escrito por B.Machado às 10h06
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                            ESQUERDA E DIREITA

Não há nada mais parecido com um direitista do que um esquerdista. Essas denominações, que se originaram na Revolução Francesa, século XVIII, serviram para balizar posições políticas extremadas, isto é, aquelas ocupadas pelos que não querem ouvir, só querem falar, melhor dizendo, gritar. Não houve nenhum estadista tão parecido com o direitista Hitler (6 milhões de judeus mortos) do que o esquerdista Stalin (20 milhões de adversários políticos mortos, inclusive Trotsky), ou Mao Tse-tung, (número incalculável de inimigos mortos). 



Escrito por B.Machado às 09h49
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