| |
A IMPLOSÃO DO PSDB - IV
Enfim, aí está o resultado do arbítrio. O PSDB, realmente, está em “péssimas mãos”. Tudo que aconteceu, como relatei em “Implosão do PSDB, I,II e III, agora se confirma. Só para refrescar a memória de alguns, eu dizia que no partido não havia qualquer discussão, mas apenas imposição de nomes. São minhas palavras, então: “percebi que não havia PSDB em Iguape, mas PC, Partido do Cabral. Nós, os partidários, não tínhamos nada a pensar, nem a dizer, afora fazer (e ouvir) discursos laudatórios e bater palmas para o pajé”. O resultado está aí. O “rei estava nu” e só não percebiam isso seus acólitos.
Escrito por B.Machado às 14h59
[]
[envie esta mensagem]
[link]
MINISTRO GILMAR MENDES
Nossa memória é curta, por isso é bom que alguém mais atento nos faça recordar certas coisas. É o que faz o Professor de Filosofia João Quartim de Moraes, a respeito do ministro Gilmar Mendes. Eis algumas das proezas daquele que é o mais dedicado provedor de habeas corpus aos milionários que aparecem de algemas na mão, no noticiário:
- Foi assessor do ex-presidente Collor, o maior desastre político do Brasil;
- Assessorou o então Ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas, “inventando” teses jurídicas (informação do jurista Dalmo Dallari).
- Quando advogado-geral da União, agrediu (conforme Dallari) “grosseiramente juízes e tribunais”, chamando de “manicômio” o sistema judiciário brasileiro (agora ele faz parte do “manicômio”).
- Na mesma função de advogado-geral da União, dizia que “toda liminar concedida contra ato do governo federal era produto de conluio corrupto entre advogados e juízes”, sócios no que ele então chamava a “indústria de liminares”.
- Segundo Dallari (Revista Época de 22/04/02), na condição de chefe da Advocacia Geral da União, G. Mendes pagou R$ 32.400,00 ao Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual ele próprio é um dos proprietários, para que seus subordinados lá fizessem cursos. Conforme observa Dallari: "Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na 'reputação ilibada', exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo. Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional" . (No entanto, ele foi indicado, em abril de 2008).
- Manifestou-se contrário ao esclarecimento judicial dos crimes de tortura cometidos durante a ditadura militar, portanto pela negação aos torturados e desaparecidos, a suas famílias e amigos, do direito à memória.
- Votou contra as pesquisas em células-tronco.
- Tentou intimidar o juiz federal Fausto de Sanctis, que com firmeza e dignidade persistia no justo esforço de tirar Dantas de circulação.
- Por último, mas não menos importante, gentis com os engravatados ricos, G. Mendes e seus colegas do Supremo decidiram também que algema não é para VIPs, por mais celerados que sejam. O pulso de Dantas e companhia foram feitos para ostentar Rolex...
Escrito por B.Machado às 20h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O EXEMPLO
Reportagem da Folha, publicada na edição do domingo passado, informa que dos 1.077 candidatos que disputam uma vaga de vereador em São Paulo nas próximas eleições, 241 (22% do total) têm antecedentes criminais na Justiça. Com base nas certidões criminais entregues pelos próprios candidatos ao registrar a candidatura, a reportagem mostra que os concorrentes respondem ou responderam a 267 inquéritos policiais e a 175 processos.
Pergunta: para que temos um Poder Judiciário?
Escrito por B.Machado às 14h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]
BRASIL, “PAIS DE RISCO” Em julho, a Grã-Bretanha divulgou uma lista de 11 países de fora da União Européia, considerados "de risco" para o país, em termos de imigração ilegal e anunciou que poderia passar a exigir vistos para seus cidadãos. (Nota: os tais vistos já estão sendo exigidos). Além do Brasil, estavam na relação Bolívia, Botsuana, Lesoto, Malásia, Ilhas Maurício, Namíbia, África do Sul, Suazilândia, Trinidad e Tobago e Venezuela. Sem considerar que essa “companhia” de risco não é das mais recomendáveis, é admirável que os países árabes não tenham sido aí incluídos. Por sinal, não lembro de nenhum árabe ter sido morto, por suspeita de terrorismo, como foi aquele brasileiro, no Metrô londrino. Pelo visto, no Brasil, não podemos fazer nenhuma gozação sobre os cubanos que fogem do “paraíso” de Fidel Castro. Tem muita gente fugindo do “paraíso” de Lula.
Escrito por B.Machado às 15h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
FUGA DE CÉREBROS
Fala-se muito da “fuga de cérebros” dos países subdesenvolvidos, para os países desenvolvidos. É comum que muitos bons cientistas brasileiros prefiram trabalhar no exterior, aonde são melhor remunerados e considerados. Além disso, nosso campo de pesquisas é restrito, pois as corporações que se interessam por mais avançadas tecnologias têm sua sede nos países de economia mais desenvolvida. Mas, dentro de um mesmo país, há também “fuga de cérebros” das pequenas cidades para as grandes. Nestas é que se encontram as boas faculdades para quem quer lecionar, ou laboratórios de pesquisa, para outros profissionais.
Alguém já disse, com um excesso de malícia que a fuga de cérebros, no caso de Iguape, pode ser aquilatada pelo tipo de lideranças políticas que temos. Segundo essa apimentada opinião, pelo tipo de político que atua em nossa cidade, pode-se ver que os “cérebros” estão mesmo fugindo da cidade. Mas isso é picardia dos linguarudos. Na verdade, o problema de Iguape e de todas as cidades, em qualquer parte do mundo, é que a vocação política nem sempre é acompanhada por habilidades administrativas. Em primeiro lugar, acontece que os bons administradores são absorvidos pelas grandes empresas; em segundo lugar, os políticos vivem muito atarefados em manter o poder, e não lhes sobra tempo para estudar administração; em terceiro lugar, os convidados para cuidar das minúcias da administração, em qualquer setor da administração pública, são os correligionários e amigos daqueles que ganharam a eleição e essas pessoas nem sempre têm capacidade para lidar com o cargo que receberam.
Escrito por B.Machado às 21h34
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ANALFABETISMO, BUROCRACIA ETC.
Costumamos atribuir todos os males presentes numa cidade ao prefeito; no Estado, ao governador; no país, ao presidente. Não é bem assim. Não é fácil mover uma máquina burocrática viciada e o governo, tanto o Legislativo como o Executivo, na União ou em suas unidades, nunca conseguem controlá-la. Não é um problema de pessoas, mas de estruturas. Com isso quero dizer que as mesmas pessoas, dispostas numa configuração diferente, podem produzir resultados diferentes. É bom que se inclua nesses problemas o Judiciário. Pois como é que se pode tolerar que um pilantra, que acumulou 200 milhões de dólares, continue em liberdade, e ainda exerça uma função pública, apesar de estar mais que provado que esse dinheiro foi roubado?
Mas eu queria falar do caso específico do analfabetismo. Há tempos atrás, escrevi que o analfabetismo crescia no Brasil a cada plano que se punha em funcionamento. No começo do plano, havia, digamos 10 milhões de analfabetos; no fim do plano, 15 milhões. Já é de conhecimento geral, que muitos alunos que terminam o curso médio não são capazes de interpretar um texto simples. Isso se chama analfabetismo funcional. Também se chama analfabetismo funcional o da pessoa que sabe ler, mas não lê e, assim, permanece ignorante como se analfabeta fosse.
Isso é culpa do governo? Não, não é. Há muitas coisas na vida que as pessoas querem fazer e não podem. Mas há muitas outras que as pessoas podem fazer e não querem. Falta determinação, interesse, dedicação. Essas qualidades não são fornecidas por decreto, por planos de governo ou por campanhas institucionais. Elas devem brotar dentro de cada um, como resultado de uma visão de vida, da simples percepção de que o Paraíso terrestre, onde tudo caía na mão sem esforço, é apenas uma lenda bíblica
Escrito por B.Machado às 17h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
NEPOTISMO EM BAIXA
O Supremo Tribunal Federal acaba de proibir o nepotismo nos três poderes: Judiciário, Executivo e Legislativo. Com a chamada “súmula vinculante” a ordem passa a ser obrigatória em todo o país, isto é, nos estados e municípios. Além disso, a medida atinge os órgãos de autarquias. Os legisladores estão atentos também ao chamado “nepotismo cruzado”, isto é, dois políticos combinam empregar um o parente do outro, para disfarçar a “marmelada” (isto implica em considerar que todos os brasileiros são idiotas, para não perceberem essa manobra).
Há tempos atrás, publicamos neste BLOG uma lista de políticos de Iguape que tinham parentes colocados no serviço municipal, sem concurso, num total de 11 pessoas – parece que alguns já se “mancaram” e “pediram as contas”. Acho que está na hora de eles “colocarem as barbas de molho”.
Escrito por B.Machado às 11h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
IGUAPE: QUAIS AS SOLUÇÕES?
O que realmente faz falta em Iguape? Empregos? Faculdades? Indústrias? Turismo? Quanto ao primeiro caso, na era da globalização, o cidadão é que deve correr atrás do emprego e não esperar que o empregador venha bater-lhe à porta. O chamado “desemprego estrutural” é uma realidade mundial. A metade da população chinesa (cálculo otimista) ainda vive marginalizada. As favelas indianas são maiores que as brasileiras. Os africanos estão forçando as fronteiras européias, para escapar da fome. Os mexicanos continuam a rodear e tentar ultrapassar a fronteira americana, junto com os brasileiros e todos os demais latino-americanos. A cidade de São Paulo está cheia de bolivianos que se sujeitam a empregos clandestinos, para não morrer de fome. Uma cidade como São Paulo, com todo seu dinamismo econômico, tem um milhão de desempregados: são trinta cidades de Iguape correndo atrás de oportunidades. Não é por aí que estamos em desvantagem.
Faculdades? Pela sua posição geográfica e entrecruzamento de estradas, Registro está mais vocacionada para isso. Além disso, faculdade, no Brasil, está virando sinônimo de fábrica de diploma. O Governo Federal está tentando acabar com as faculdades-maracutaias, onde a única exigência que se faz aos alunos é que paguem suas mensalidades. Nelas, entra-se como “burro” e sai-se como “cavalo”. Profissionais liberais, com diploma de curso superior estão jogando búzios, para ver como vai ser seu futuro. Indústrias? Não é a cidade que escolhe o lugar para instalação de indústria, são os empreendedores que sabem onde se instalar. Só nos resta o turismo, então? Pode ser um caminho, mas até agora não podemos dizer que tem sido bem percorrido. Talvez seja um ponto em que a administração municipal tenha que caprichar mais. Mas ninguém espere tirar a “sorte grande” com isso. Cananéia parece ter um turismo mais movimentado que o nosso, mas lá os turistas vivem refugiados em seus casarões. Pelo aspecto do clube da cidade, desconfia-se que a cidade em si pouco progrediu com o turismo. Parece que a cidade está cumprindo um papel de refúgio para os que estão cansados do tumulto dos grandes centros. Só isso.
O nosso braço turístico era a Ilha Comprida que foi arrancado sem anestesia por gente mais esperta que nossos administradores. Como diria Machado de Assis “ao vencedor, as batatas”. Agora resta o outro “braço”, a Barra do Ribeira e a Juréia. Já há quem diga, por lá, que eles teriam melhor sorte se fossem incorporados a Peruíbe. Os iguapenses que abram os olhos!
Escrito por B.Machado às 10h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
OLIGARQUIA
A ciência política costuma definir oligarquia como o governo de um pequeno grupo. É bom não confundir oligarquia com elite. Esta última palavra significa “o melhor” em qualquer ramo, seja no mundo das letras, da ciência, dos negócios e, mesmo, da política. Nas democracias modernas, dentro do espírito capitalista, denomina-se membro da oligarquia aquela pessoa com posses que exerce alguma forma de poder, em sua comunidade. Essa forma de poder pode manifestar-se pela ligação com os membros dos poderes constituídos ou pela influência na escolha daqueles que vão administrar uma unidade política. Antigamente, em Iguape, os oligarcas eram capazes de “despachar” da cidade desde o coletor de impostos até o juiz, passando pelo delegado e promotor. O aperfeiçoamento relativo do sistema democrático diminuiu esse poder, mas não o suprimiu inteiramente, deixando ao oligarca a possibilidade de influenciar o sistema político.
Numa cidade pequena, não é preciso ser milionário para ser um oligarca. Muitos até nem são ricos, embora às vezes ostentem isso, mas são capazes de exercer alguma influência a partir de suas relações ou de sua família. Nesse sentido, Iguape deve ter algumas dezenas de oligarcas. Eles são discretos, alguns até sorrateiros, mas costumam ser ouvidos em certos círculos. É verdade que o voto secreto esvaziou muito essa influência, mas nas eleições eles são procurados pelos políticos, pois podem fornecer recursos necessários para agüentar uma campanha. Além disso, muitos eleitores costumam basear suas convicções nas conversas ou pareceres dessas figuras. Daí que lhes sobre alguma influência para influenciar nos resultados das eleições, pois para onde eles pendem, muitos outros, sem uma opinião esclarecida, podem também pender.
Escrito por B.Machado às 18h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O DEBATE
Em primeiro lugar, quero manifestar minha satisfação por esse passo na direção de uma verdadeira democracia. Nem a ausência de uma candidata, nem o tumulto na saída dos espectadores diminuiu a importância desse evento. Já houve tempo em que os políticos iguapenses se reuniam com seus correligionários mais chegados, planejavam a campanha, pagavam almoços, prometiam empregos, arrumavam condução para os eleitores “de curral”(aqueles que já vinham com a cédula pronta para deixar na urna) e se xingavam mutuamente. Louve-se a iniciativa da Igreja Católica que marcou (espero) o início de um novo tempo na política de nossa cidade.
A impressão que ficou da platéia é que não havia nela nenhum eleitor indeciso. Parece que cada qual foi lá para ver como o “seu” candidato se portava, ou malhava seus concorrentes. Será que alguém mudou suas opiniões em função dos discursos do evento? Não há jeito de saber. A meu ver, o melhor resultado desse debate foi adicionar ao processo eleitoral da cidade um procedimento que pode contribuir didaticamente para o desenvolvimento de um autêntico espírito público.
A percepção que cada candidato deixou de si confirmou a imagem que se tinha deles: o idealismo ingênuo de Misawa, o dogmatismo militar de Nicol, a didática agressiva de Wilson e as ressalvas prudentes de Cabral, na sua condição de “telhado de vidro”, como ex-prefeito que é. Houve uma variação de opiniões quanto à ausência da candidata Beth. Para uns, ela dispensou o debate porque já se acha vencedora. Para outros, ela ficou com receio de não ter habilidade suficiente para agüentar a retórica prevista no debate.
Escrito por B.Machado às 13h12
[]
[envie esta mensagem]
[link]
PROGRESSO BRASILEIRO
1) - O desempenho comparado dos estudantes brasileiros está em 53º., ao lado do Quirguistão (duvido que 90% dos alunos das escolas brasileiras saibam onde fica esse país).
2) - Nenhuma universidade brasileira figura entre as 100 melhores do mundo.
3) - Menos de 50% dos domicílios brasileiros são ligados à rede de esgotos. Destes, apenas 35% recebem tratamento. O restante é despejado diretamente em rios, córregos e lagos. O Brasil é africano nessa área.
4) - Ao lado do Zimbábue e Zâmbia, o Brasil ocupa o 119% lugar no ranking mundial de adequação das leis trabalhistas. Metade dos brasileiros tem ocupação informal.
5) - Nas cidades brasileiras, 12,3 milhões de pessoas vivem em casebres, a maioria deles em situação irregular.
NOTA – E O PRESIDENTE LULA CONTINUA A MERECER AMPLO APOIO POPULAR!!
Escrito por B.Machado às 11h07
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ELOGIO DE IGUAPE
Com toda essa conversa eleitoreira, sobre quem é o “mais capaz de governar a cidade”, a “cidade precisa de conserto”, “vamos melhorar a cidade”, “precisamos de um porto, de empregos, de um velório”, etc. acabamos por esquecer a cidade real, aquela em que vivemos todos, sejam aqueles que aqui nasceram, sejam aqueles que aqui aportaram, trazidos pelos ventos do interesse ou do acaso. Ora, vamos confessar sem receio de parecermos ridículos ou ingênuos: Iguape é uma cidade boa para se viver!
Afinal, todos, ou quase todos, estamos aqui por vontade própria, não somos degredados nem prisioneiros de um compromisso inevitável. Não vem ao caso repetir slogans ingênuos de atração turística ou exagerar o tom nas “cantigas de saudade”. Iguape não é uma “cidade bonita por natureza”, nem é melhor que as outras por ser a “terra do Bom Jesus”. A natureza de seu entorno é bonita como em qualquer outro lugar e o “Bom Jesus” não nasceu aqui. O que Iguape tem de melhor é o contato humano, que faz falta nas cidades maiores. Aqui, o ritmo tranqüilo da vida nos permite sentir falta dos amigos que se foram, dos filhos que estão longe, e nos alegrar com reencontros e comemorações. Nas grandes cidades, esses sentimentos se diluem na azáfama do dia-a-dia, na preocupação dos horários, no desconforto das conduções ou nos congestionamentos do tráfego. Seja quem for o vencedor das próximas eleições, aquilo que a cidade tem de bom vai continuar a existir. Nessas circunstâncias lembramos as palavras de Diógenes, o Cínico, quando Alexandre o Grande lhe perguntou que presente desejava: “Só quero que você não me tire o que não me pode dar”, respondeu o filósofo, fazendo um sinal para que o rei saísse da frente do sol.
Escrito por B.Machado às 17h25
[]
[2008_09-18_18_25_37-4161662-0','340','400','1');">envie esta mensagem]
[link]
O SEGREDO DO SUCESSO
Depois de passar por um presidente inteligente e culto, que acabou com a inflação e começou o programa de privatização, o Brasil se tornou um país viável e prosseguiu sua caminhada, ainda que sob as ordens de um presidente semi-alfabetizado. Isso acontece em todos os fatos da vida. Depois de inventados, um carro ou um computador podem ser manipulados por qualquer pessoa, mesmo aquelas intelectualmente despreparadas. O problema é criar aqueles aparelhos, como é um problema descobrir o melhor caminho da administração pública.
Talvez o que esteja faltando a Iguape (e não é de hoje) seja um prefeito sintonizado com o mundo lá fora (em vez de ocupar seu tempo com futricas municipais), capaz de estabelecer as conexões com o fluxo dinâmico da economia globalizada, já presente nas cidades mais prósperas do país. É estranho que uma cidade situada a 200 km do maior centro econômico da América do Sul (a cidade de São Paulo) dentro do Estado brasileiro que tem um PIB maior que muitos dos países sul-americanos, permaneça estacionária, como se estivesse perdida no meio de um deserto. É bom que se pense nisso, quando Outubro vier!!!
Escrito por B.Machado às 14h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]
RETRATO DO BRASIL
Folha de São Paulo - 13/09/2008: O HC (Hospital das Clínicas) decidiu demitir "por justa causa" o médico Waldemir Rezende, ex-diretor do Instituto Central do hospital, autor de um livro em que relata irregularidades supostamente cometidas no instituto. O médico diz que irá recorrer à Justiça. Lançado em dezembro passado, Estação Clínicas - Os bastidores do maior hospital público da América Latina conta histórias de superfaturamento, compras sem licitação e furtos, entre outras irregularidades que Rezende diz ter encontrado no Hospital das Clínicas ao assumir a direção, em dezembro de 2002. "Tenho a consciência tranqüila. Tudo o que escrevi é verdade e tem que servir como lição de como trabalhar e administrar com sucesso", afirmou Rezende. Procurado, o HC não quis se manifestar.
Escrito por B.Machado às 21h32
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ECONOMISTAS DE ARAQUE
Dias atrás, ouvi uns comentaristas da economia saudando a baixa nos preços dos alimentos, como se isso fosse uma boa notícia. Seria bom que eles ouvissem os produtores, em vez de ouvirem os consumidores. Baixa nos preços de qualquer mercadoria significa “encalhe”, isto é, falta de dinheiro por parte dos compradores. A crise financeira que paira nos céus de Wall Street tem reflexos até na farinha de mandioca que consumimos. Precatem-se, pois os consumidores. Pode ser que o vendaval passe longe, mas cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Escrito por B.Machado às 21h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
NEPOTISMO
A Assembléia Legislativa de Minas Gerais já demitiu 40 parentes de deputados, que estavam pendurados em cargos de confiança (eufemismo para roubalheira em família). Segundo o jornal “Estado de Minas”, ainda falta demitir mais 28. Agora essas nomeações são consideradas “crimes de improbidade administrativa”. Já eram isso mesmo, antes, mas agora conseguiram enquadrá-los na Lei. Agora raciocinem: só em Minas, só na Assembléia Legislativa, havia 68 parentes. Multipliquem pelos outros Estados e Prefeituras do Brasil, e por outras repartições públicas. Depois multipliquem o número que deu por R$ 2.000,00, e vocês terão uma parte dos impostos que pagamos quando compramos arroz, gasolina ou móveis.
Escrito por B.Machado às 19h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
INJUSTIÇA
É muito comum ouvir-se falar mal de políticos; quase ninguém fala mal do eleitor. Como se este não fosse o culpado por termos maus políticos. Pior, ainda, como se este não tivesse as chamadas “falhas humanas”. Uma das maiores bobagens, consagradas pelos usos e costumes, é aquele ditado que diz que a “voz do povo é a voz de Deus”. Eu escreveria esse “deus” com d minúsculo, pois essa “voz do povo”, se é a de um deus, deve ser de um daqueles deuses infernais, dos antigos gregos.
A biografia de Symphronio Costa e Silva, publicada na Tribuna de Iguape, de setembro, mostra uma dessas injustiças cometidas pelo povo, contra seus melhores cidadãos. Symphronio foi um dos responsáveis pela emancipação do município de Registro, e, como pode ser lido na sua biografia, fez muito mais pela cidade que adotou como sua, do que qualquer outro cidadão de sua época. Pois não é que, candidato a simples vereador (quando deveria até ser prefeito, pelo seu trabalho e pela sua competência), ainda perdeu a primeira eleição?
Escrito por B.Machado às 18h49
[]
[envie esta mensagem]
[link]
FAZER-SE DE BURRO, PRÁ COMER MILHO
Explico prá quem não entende de velhos ditados: fingir inocência para passar outro prá trás, ou, bancar o desentendido para saber o que o outro pensa ou, melhor ainda, fingir que concorda com certas opiniões e depois “virar a mesa”. Foi mais ou menos com essa estratégia que Lula chegou lá. Fingiu que atacava os EUA, os monopólios, a privatização, para ter o apoio da esquerda burra, que controlava os sindicatos e o povão menos informado, que ainda pensava em termos de “Guerra Fria”, enquanto assegurava aos banqueiros e dirigentes das grandes corporações (afinados com a economia globalizada) que manteria o rumo da economia, tal como FHC havia começado.
O que vale para o país, vale para a cidade. Quem quiser ganhar a eleição, por aqui, tem que manter o discurso afinado com as idéias locais. E que idéias são essas? Antes de responder a essa pergunta, cabe fazer outra: há idéias por aqui? Resposta: há, mas poucas, mal formuladas e contraditórias. Vamos resumir algumas delas:
1) Criar ou manter empregos. Aqui cabe de tudo: continuar com o pedágio, porque garante empregos; arranjar empregos públicos, nos estabelecimentos de ensino, na prefeitura, no Estado. Numa época com exigência de concurso para a maioria dos cargos públicos, o negócio é preparar candidatos para isso. Pelo número de candidatos (às vezes, 20 ou 30 por vaga) sabe-se da “secura” da juventude pela segurança do funcionalismo.
2) Atrair empresas ou empresários. Não se sabe que negócio bom tem por aqui, que pudesse atrair empresários. Empresários inteligentes, quero dizer. Quando havia terras para lotear e vender aos “forasteiros” muitos empresários vieram para cá. Isso no tempo em que a Ilha Comprida fazia parte de Iguape. Agora, os próprios forasteiros estão vendendo seus lotes prá deixar de pagar impostos inúteis. Isso acontece tanto nos loteamentos da Ilha, quanto nos de Iguape. Lá como cá, o mato acabou com muitas ruas dos loteamentos e tornou as propriedades imobiliárias uma mercadoria sem valor. Às vezes eu penso que quando algum político fala em “atrair empresários”, isto está significando “atrair empresários descuidados, para uma esparrela”.
3) Melhorar a cidade para os próprios iguapenses. Este me parece um programa interessante. Pelo menos é alguma coisa palpável, possível, concreta. A cidade tem músicos, grupos de teatro e toda uma juventude disponível para eventos culturais e esportes. Por que só se paga cachê para os artistas de fora? Com esse dinheiro, mais aquele gasto com foguetório inútil, dava para sustentar bons grupos de artistas locais e promover competições esportivas para sacudir a pasmaceira local. A cidade tem um arremedo de ginásio de esportes que poderia ser transformado num verdadeiro local de competições.
Escrito por B.Machado às 22h54
[]
[envie esta mensagem]
[link]
“POLÍTICOS”, PARA PRINCIPIANTES
Que ninguém se dê à vaidade esdrúxula de dizer que sabe o que “pensam os políticos”. Em primeiro lugar, porque político que se preza não pode se dar ao luxo de manter um pensamento fixo, isto é, uma Idéia, com I maiúsculo, que guiasse sua vida, do momento em que assume sua profissão até o dia (que nunca chega, ou só chega com a própria morte) de se aposentar dela. Por definição, o político é um ator, em permanente cena, que recita um script. O script do político é aquilo que faz dele um “político”, isto é, um homem voltado para os “interesses do povo”, expressão que, sem deixar de ser um lugar comum, é valorizadíssima no discurso político. “Interesses do povo” significa não aquilo que o povo quer, porque isso é impossível de ser verificado, e muito menos aquilo que seria bom para todos, utopia dos sonhadores, mas aquilo que o povo manifesta, isto é, o que seus “porta-vozes” mais bocudos manifestam. Se você não entendeu, Freud explica (como sugeriu o ilustrado Presidente Lula).
Escrito por B.Machado às 21h42
[]
[envie esta mensagem]
[link]
ALIENAÇÃO POLÍTICA
Na noite de 14 de julho de 1789, Luís XVI escreveu no seu diário: “Nada”. Ele estava confortavelmente instalado em Versalhes, enquanto o povo invadia a Bastilha, iniciando a derrocada de seu reinado, que seria encerrado com sua própria execução, na guilhotina. Mas, naquele momento, o Rei, no seu conforto e alheamento dos fatos, dava vazão ao seu fastio. Essa alienação das pessoas, com relação a acontecimentos que lhe dizem respeito, que naquele tempo ocorria pela dificuldade de comunicação, hoje, quando as notícias são instantâneas para todos, ocorre por iniciativa dos próprios cidadãos, seja por preguiça, por ignorância ou por desleixo.
A história se acelerou, a telemática transformou o mundo, há um movimento frenético em todos os continentes, na direção do progresso técnico, da produtividade e da melhoria de vida. Mas como no mundo de Asterix, lá no fundo da Gália, uma aldeia resistia ao Império Romano, também aqui no nosso mundo, cá no fundo do Vale do Ribeira, uma aldeiazinha resiste à modernidade e se recusa a tomar consciência da importância do momento. Se a gente pudesse ler a consciência de alguns iguapenses, neste momento de decisão política, que deve ter uma grande significação para o futuro da cidade, talvez encontrasse a mesma exclamação de indiferença, do diário de Luis XVI: “Nada”.
Escrito por B.Machado às 20h49
[]
[envie esta mensagem]
[link]
A DISSIMULAÇÃO DOS PODEROSOS
Toda vez que surge um escândalo nas altas esferas da República, como esse que atingiu o Supremo Tribunal, assistimos a esse espetáculo das justificativas vazias, dos debates inconclusivos, do blá-blá para boi dormir. Isso se explica. O poder só é poder enquanto mostra sua força. Ele não pode baixar a guarda, humilhar-se na confissão de seus pecados, tornar-se vulnerável mostrando seus pontos fracos. Os próprios argüidores (no caso os membros do Parlamento) entram no jogo, com reviravoltas verbais para que os argüidos possam encaixar suas desculpas e justificativas. No fim, como dizia o personagem de um velho filme “todos vão para a praia”.
Escrito por B.Machado às 20h59
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|