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COLIGAÇÕES
Se alguém duvida da vantagem das coligações, dê uma olhada nos resultados das eleições passadas. Daquela vez, Ariovaldo teve o apoio de 7 partidos, Cabral, 5, Wilson, 4, Mônica, 1. A ordem de “chegada” ao poder foi exatamente essa, pela contagem decrescente dos votos. A razão disso é o trabalho dos vereadores de cada partido, que fazem propaganda de si e do “cabeça de chapa”. Mesmo quem não consegue se eleger ajuda o candidato da coligação a Prefeito. Eu sei que isso não é nenhuma novidade, mas o cálculo sobre o resultado das próximas eleições devia apoiar-se mais nessa realidade do que em “palpites” dos “técnicos” em opinião pública.
Escrito por B.Machado às 21h55
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DE VOLTA PARA O ATRASO
João Sayad, Secretário da Cultura de São Paulo, divide os interesses culturais entre “elite branca” e “periferia” (conforme declarações ao jornal O Estado de São Paulo). Depois disso, fala que um “extremo é a vanguarda, o outro é o conservadorismo”. “As realizações da Secretaria estão sempre nessas pontas. Paulatinamente, o setor público vai chegando à periferia.” Isso parece significar que, para ele, a cultura começa na “elite branca” e só depois chega à periferia, com a ajuda do Estado, por meio das chamadas “Fábricas de Cultura” e “CÉUs”. Conclui o Secretário: “Já, para a elite branca há a Osesp” (Orquestra Sinfônica). Sem contar a estranha definição de cultura, como produto de uma boa situação econômica (exclui-se, assim, do âmbito da cultura, a cultura caiçara, o samba do morro, etc.), ou da localização na geografia da cidade (a periferia é dependente da cultura do centro). Quanto à sua terminologia “Elite branca” e “periferia”, parece-me que se ouvia muito falar assim, na África do Sul, no tempo do Apartheid.
Escrito por B.Machado às 21h14
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QUEM NÃO DEVE NÃO TEME?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, há alguns dias, que os ministros Tarso Genro (Justiça) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) intensifiquem as negociações no Congresso para aprovar o projeto de lei que trata dos grampos telefônicos. Pelo texto, haverá um controle maior sobre as escutas telefônicas em todo país. A orientação de Lula ocorreu após Tarso e Múcio criticarem publicamente os grampos telefônicos. Na semana passada, Múcio afirmou que seu celular era como se fosse uma “rádio comunitária”, enquanto Tarso reclamou que ninguém mais tem segurança de falar ao telefone. Falar o que, no telefone, Ministro? Alguma coisa que o povo não pode saber?
Escrito por B.Machado às 11h22
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MUNICIPALIZAÇÃO DO PARQUE DE DIVERSÕES
Ouvi rumores, por isso não estou tomando posição, nem julgando, pois não tenho nenhuma comprovação disso: a Prefeitura teria “estatizado” o Parque de Diversões da Baixada, usando seus funcionários para fazê-lo funcionar. Qual o problema? Afinal, não é bom que nossa Municipalidade aproveite a Festa de Agosto para melhorar seu caixa? Não dá mais lucro receber o rendimento direto do Parque, do que alugar o espaço público? Estou falando do ponto de vista prático. Não sei dos trâmites legais, isto é, se existe uma permissão legal para fazer isso.
Agora o “segundo tempo” da polêmica: os que criticam essa iniciativa da Prefeitura (se é que houve, como disse, não tenho certeza) estão falando abertamente que quem vai ganhar com isso são os próprios funcionários, pois a “a maior parte da grana vai ficar com eles”. Isso é falado, assim, como se os funcionários fossem um bando de larápios, em quem não se pode confiar. Mas, afinal, que negócio é esse? Do que estamos tratando? Não é de negócios públicos? Como podemos falar assim de pessoas que ficam o ano inteiro cuidando da aplicação de nossos impostos?
Agora, o “terceiro tempo” da polêmica, que fica por nossa conta. Trata-se do problema da instituição pública “lucrativa”, isto é, melhor dizendo, da empresa pública, tal como é a Petrobrás, e como era a Telefônica, a Vale, etc. Quando estas duas últimas foram privatizadas, no Governo FHC, houve uma tremenda celeuma, promovida, principalmente, pela esquerda, capitaneada pelo PT. Falava-se em “privataria”, em “presente” para os compradores das empresas, sem esquecer, naturalmente, dos rumores de um dinheiro clandestino fluindo na direção do bolso dos governantes! O que queriam, aqueles que protestavam? Naturalmente que as empresas continuassem nas mãos do Governo! Nem o triste espetáculo da foto de um dirigente dos Correios recebendo uma “bolada”, por conta da corrupção, nem os comprovados “achaques” de um apaniguado de José Dirceu, por conta de um negócio de Loterias da Caixa, abalaram a convicção estatista dos que protestavam.
Agora fica a pergunta: se aquelas empresas privatizadas deviam ficar nas mãos dos administradores públicos, porque um Parque de Diversões não pode?
Como dizia o personagem de um antigo programa da TV: NÃO PRECISA EXPLICAR, EU SÓ QUERIA ENTENDER!
Escrito por B.Machado às 17h10
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POBRE GOSTA DE LUXO(?)
Num dos artigos reunidos em livro, sob o título “Mitologias”, Roland Barthes comenta a diferença entre as receitas culinárias da revista “Elle” e do jornal “Express”. As receitas da Elle apresentam uma “cozinha ornamental”, com pratos cheios de enfeites e fantasias, ao passo que em Express os pratos são bem simples, dos quais se pode imaginar o gosto, como uma salada de vegetais. Conforme aponta Barthes, os leitores da revista Elle são os pequenos-burgueses, pessoas simples, que vivem sonhando com a riqueza que mora longe, ao passo que os leitores do Express são os burgueses, bem providos de recursos, que podem custear sem esforço as receitas recomendadas. Assim, pelas receitas e pelos órgãos que as divulgam, o autor analisa o comportamento das classes sociais francesas: enquanto os pequenos-burgueses, frustrados na sua vida medíocre, vivem de sonhos, os prósperos burgueses, satisfeitos com sua prosperidade, podem usufruir do mundo real.
Essas considerações do escritor francês me fizeram lembrar do Joãosinho Trinta, não aquele padre que passou por aqui, mas o carnavalesco João Clemente Jorge Trinta, que faleceu em 2006. Quando alguns artistas sugeriram confeccionar carros alegóricos que retratassem a pobreza brasileira, como um protesto político, Joãosinho discordou: “Pobre gosta de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual!”. Essa frase talvez seja uma boa recomendação para os políticos que agora se preparam para ganhar as eleições. Pode ser que apresentar-se nos palanques com falsa modéstia, fingindo pertencer às classes menos favorecidas tenha menos efeito positivo do que ostentar poder e riqueza, para que o povo julgue que deve entregar o poder a alguém que cuida bem de suas finanças - mesmo que seja honestamente. Um passado pobre (como no caso de Lula) pode servir de bandeira inicial para propaganda, mas é bom que seja logo descartado, como aconteceu com o passado do próprio Lula. Em sua mais recente apresentação, sua imagem vem valorizada por um avião de 50 milhões de dólares, ternos Armani e toalhas de algodão egípcio. E como se vê, seu cartaz não pára de melhorar. Ele sabe que, como um líder autêntivo, deve aparentar riqueza e prosperidade. É disso que os pobres gostam: líderes que não sejam “pés-de-chinelo”, como eles, mas burgueses prósperos, que sabem “defender uma grana”, quando aparece a oportunidade. Retirante em “caminhão pau-de-arara” (no caso do Presidente) é só o mito fundador, que deve ficar esquecido no passado.
Escrito por B.Machado às 10h00
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O “PEQUENO PRÍNCIPE” E A MISS YOU TUBE
“O Pequeno Príncipe” era o livro mais citado pelas candidatas a “Miss” de todo mundo, na hora de demonstrar sua “cultura”. Como era um livro minúsculo, de compreensão fácil, mesmo para uma “loira burra”, era o preferido para citação, pois se houvesse alguma discussão a respeito de seu conteúdo, era fácil discorrer sobre os “sentimentos” ali contidos, a “lição de vida” para todas as pessoas, uma vez que o livro buscava as “singelezas do fundo da alma”, para curar o homem contemporâneo de seu materialismo egoísta.
Pois agora, no último concurso de Miss Brasil, 2008, no dia 13 de abril, no qual foi vencedora a representante do Rio Grande do Sul, Natália Anderle, as candidatas foram avisadas de que não precisavam mais citar o título de livros, mas do “site” que mais acessam. Não assisti a esse grande acontecimento social, mas acredito que as candidatas a Miss se mostraram muito mais tranqüilas, livres que ficaram de demonstrar não só que sabiam ler, mas que leram algum livro importante, nem que fosse o opúsculo sentimentalóide de Saint-Exupéry.
Escrito por B.Machado às 18h16
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A FESTA DE AGOSTO “DE DANTES”
Iguape já teve seus dias de dureza, quando não se amarrava cachorro com lingüiça não por falta de cachorro, mas por causa do preço da lingüiça. A diversão, então, era ouvir os seresteiros, no bar ou na rua, o que não era pouca coisa, já que eles tocavam e cantavam melhor que esses arranhadores de cordas que se esgüelam nas TVs de hoje. O tempo era marcado pelas festas, que se faziam pelo calendário da Igreja. Dessas festas, tirante o Carnaval, a “de Agosto” era o destaque do ano, o tempo de tomar fôlego, de chacoalhar a pasmaceira, com a chusma de visitantes se atropelando nas ruas, se aboletando nas casas, armando barracas no campo do Rosário. A cidade se enchia de gente, de sujeira, de barulho e também de dinheiro. A hospitalidade do povo compensava a falta de hotéis e ninguém precisava dormir ao relento para cumprir os deveres da Fé. O problema maior era a raridade de banheiros e penicos, então muito romeiro cavava um buraco no chão e mandava brasa. Nos intervalos das rezas, os homens se aboletavam nos bares, a moçada se caçava nas ruas, a molecada corria e se trançava nas pernas das velhas.
Naquele tempo, o comércio da cidade era tão fraco que, durante a Festa, era mais lucrativo alugar o espaço das lojas para os “turcos” e ficar flanando na praça. Os turcos revolucionavam a moda da cidade, com novidades chiques da Capital. Todo mundo comprava roupa deles, não só os visitantes caiporas de Serra acima, ou os “barriga verdes” de Santa Catarina, mas também a caboclada local. Depois da Festa, na cidade, era aquele desfile de moda, tudo comprado dos turcos. Também se dava um trabalho maior ao Correio, pois era um tal de mandar e receber cartas, por conta da saudade dos encontros na Festa. Dizer que naquele tempo tudo era melhor é saudosismo besta, mas que o ambiente era mais alegre, isso não se discute. Esse alegre fica por conta das surpresas e novidades, coisa rara hoje em dia, já que tudo é antecipado com programas, planos e campanhas de esclarecimento. Naquele tempo ia-se no improviso, e se chovia, então, o improviso era maior ainda. Enfim, festa é festa, mas festa surpresa é bem melhor que festa planejada, pois, nesta, o prazer já corre por conta da imaginação e, quando chega a hora, o balão da fantasia já está murcho.
Escrito por B.Machado às 19h40
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COMO “NASCEM” OS MINISTROS
No tempo das “vacas magras”, Carlinhos era o único petista em Aracaju que tinha um carro com ar condicionado. Por essa razão, ele foi recrutado pelo Partido dos Trabalhadores, a que pertencia, para levar prá cá e prá lá o sindicalista Lula, de passagem pela cidade. Naquela época, Carlinhos era um simples advogado. Servir de chofer para o chefe do PT, no entanto, rendeu-lhe amplos dividendos: hoje, “Carlinhos”, num passe de mágica, saltou de sua modesta posição em Aracaju, para Presidente do Tribunal Eleitoral. E ninguém mais o chama de Carlinhos. Seu nome atual é Sua Excelência, Ministro Dr. Carlos Ayres Britto.
Escrito por B.Machado às 17h25
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A IMPLOSÃO DO PSDB DE IGUAPE - I
Segundo uma definição simples, um partido é uma organização estruturada, cujos membros exercem atividade coletiva na sociedade, a fim de realizar um programa político. Dentro dessa definição, “homem de partido” é aquele que preza os interesses do partido. Tenho feito algumas críticas a alguns partidos políticos de Iguape, pela pouca prática dessas virtudes, mas apenas visando àqueles fatos que se tornaram públicos, pois essa é uma seara alheia. Diferentemente é o caso do PSDB, que é e sempre foi o “meu partido”, mesmo quando era apenas um núcleo de idéias e procedimentos, encaixado em outro partido, o PMDB.
Comecei a freqüentar as reuniões do PSDB de Iguape, há cerca de um ano. Não fui a todas as reuniões, nem participei das deliberações e, por aqui, já se percebe uma parte dos problemas locais do partido: falta de comunicação, falta de companheirismo, falta de espírito partidário, falta de noção do que é trabalhar em conjunto. Claro que existem problemas que devem ser tratados em nível da Executiva do partido e outros que devem ser tratados numa Assembléia Geral. Mas nas reuniões de que participei, nunca se soube o que era uma coisa nem outra. Na verdade, nunca havia uma agenda e, se havia, era uma agenda para uso particular dos “donos do partido”, este último fato, a existência dos “donos do partido” sendo um dos seus vícios mais profundos. As reuniões simplesmente aconteciam, vinha tudo de cambulhada e os assuntos ficavam ao sabor de quem tomasse a palavra. E, para minha surpresa, só se tomava a palavra para exaltar a figura de Cabral, como se ele fosse a única razão da existência do partido, assim como um deus é a razão da existência de um culto religioso. As coisas eram ditas de tal modo como se o futuro do partido já estivesse decidido, antes de qualquer discussão, qualquer análise da situação política, tanto da cidade como do candidato, que, a essas alturas, não tinha nem resolvido seus problemas com a Lei. Percebi, então, para meu desgosto, que não havia PSDB, em Iguape, mas o PC, Partido do Cabral. Nós, os partidários, não tínhamos nada a pensar, nem a dizer, afora fazer discursos laudatórios e bater palmas para o “pajé”, pois quem se impõe dessa maneira, não é líder político, é pajé, pai-de-santo, pregador evangélico ou coisa parecida.
Apesar de tudo isso, continuei no partido, sabendo que a luta por mudanças não é fácil, mas fui em frente, não à moda Marta Suplicy, (relaxa e aproveita), mas compreendendo que eu era um neófito (pelo menos para o grupo atual), e precisava caminhar junto com o partido, para me entrosar melhor, sentir os problemas e então fazer sugestões, se fosse possível. Um convite para ir a Registro, algum tempo depois, me mostrou como o partido estava dividido, não em opiniões, que se trocam e se mudam, mas em feudos, em territórios incomunicáveis e hostis, que sempre caminham para rupturas. O presidente do partido também foi a Registro, mas em outro grupo, sem que um se comunicasse com outro, nem na própria reunião a que compareceram. Quando os presidentes regionais começaram a declinar o nome dos pré-candidatos para as próximas eleições, Neto, percebendo as intenções de Paulo Magalhães, se adiantou e exigiu que ele declinasse o seu nome, junto com o de Cabral, como pré-candidato a prefeito, em Iguape. Esse foi mais um incidente que, se é usual em Iguape, e aqui eu ponho essa questão, então em Iguape não há nenhum partido político. Se não é costumeiro, tanto pior para o PSDB, um partido que sempre diz pautar-se pelo rigor ético.
Escrito por B.Machado às 18h24
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A IMPLOSÃO DO PSDB DE IGUAPE - II
Enquanto esses fatos aconteciam, fui sabendo, aos poucos, o histórico que antecedeu a todas essas querelas desagradáveis, no partido. Durante a estada de Cabral, no Japão, talvez pela incerteza de sua presença nas próximas eleições, surgiu a hipótese Neto. Não foi uma iniciativa deste. Ele teve o aval do próprio Cabral, que, na época, distante do país, talvez não se sentisse tão otimista a respeito de suas próprias possibilidades, ainda mais que já tinha perdido a eleição anterior. Com esse primeiro estímulo, a candidatura Neto começou a ser discutida no âmbito de outros partidos, com vistas a futuras coligações. Desde o princípio, para quem conhecia o eleitorado de Iguape, estava claro que Neto realmente não teria nenhuma chance de ganhar a eleição, sozinho. Mas tinha possibilidade de ganhá-la com apoio de outros partidos e pessoas politicamente representativas da cidade, inclusive do próprio Cabral, que lhe dera o estímulo inicial. Todo mundo sabe que, nesta cidade, sem apoio de uma das grandes correntes políticas que são bem conhecidas, ninguém ganha eleição. O próprio Cabral, quando aqui iniciou sua carreira política, teve que se ligar ao chamado Berne, e seu primeiro passo foi dado no arraial dessa agremiação, um conhecido sobrado com entrada para a Praça da Basílica. Essas agremiações informais, em nossa cidade, são mais fortes do que os partidos políticos e todos aqueles que resolveram desafiá-las, empacaram no caminho, em sua disputa eleitoral. Sem esse apoio, Cabral ainda estaria patinando no sonho. É claro que, agora, depois de se ter identificado com o Berne, ele tem respaldo junto ao povo. Mas antes disso, sua situação não era diferente da de Neto, agora.
Mas voltando aos fatos, quando Cabral voltou do Japão, não se discutiu mais sua proposta de apoio a Neto. Pelo contrário, numa autêntica demonstração de desprezo pela ética e falta de espírito de equipe, Neto passou a ser hostilizado pelos partidários de Cabral, como se o fato de ele pensar em disputar uma pré-candidatura fosse uma espécie de transgressão, de apostasia, à “religião” do partido, que era o apoio incondicional ao “pajé”. Pior que isso, essa divergência jamais fez parte das discussões, nas reuniões do partido. Na verdade, elas só constituíam matéria de murmúrios rancorosos, de hostilidade bem ou mal disfarçada. Junto com esse silêncio sobre as legítimas pretensões de um membro do Partido, foi também escamoteada qualquer discussão sobre os problemas legais de Cabral, embora fosse público e notório o perigo que eles representavam para suas pretensões futuras.
Outro episódio que mostra o comportamento antidemocrático e autoritário dos dirigentes do partido foi a escolha dos candidatos a vereador. Quando só faltavam alguns dias para findar o prazo para o registro definitivo das candidaturas, o presidente do Partido tinha uma lista de candidatos e Tony tinha outra. Nesta última, eu estava incluído. Paulo Magalhães simplesmente negou qualquer possibilidade de me incluir na sua lista. Tony, aparentemente, só aparentemente, como pude perceber logo, me apoiava e falava em reivindicar a inclusão de meu nome, mas ficou cozinhando o problema até o final do prazo e, nos últimos dias, deixou de dar notícia, praticamente desapareceu. A partir daí, fiquei sabendo que tinha sido ignorado porque não servia para “boi de piranha”, o candidato a vereador sem possibilidade de vitória, que, com algumas dezenas de votos, válidos como somatória, ajuda o candidato principal de seu partido a ganhar a eleição. Esse descarte de meu nome pareceu indicar (e políticos mais experientes, da cidade, me confirmaram) que eu poria a candidatura de um dos donos do partido em risco. De certa maneira, isso até me soou como um elogio.
Escrito por B.Machado às 18h24
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A IMPLOSÃO DO PSDB DE IGUAPE - III
As duas convenções do PSDB, para escolha do candidato a Prefeito, se constituíram numa vergonha para o partido, para o qual, repito aqui, a ética é (ou era) uma bandeira. Uma convenção feita segundo todos os preceitos legais foi desautorizada por uma instância superior, a pedido da parte vencida. Esse episódio fez a política de Iguape ficar parecendo a de Zimbábue! Será que se esse candidato perder as eleições, ele vai apelar para o TSE? Quando a primeira convenção terminou, o candidato vencido saiu do recinto e se reuniu, não só com os membros do Partido, mas também com os membros do PV, que apoiavam sua candidatura. Na segunda convenção, se é que se pode chamar de convenção “uma ação entre amigos” para a “nomeação” de alguém para concorrer a uma eleição, ainda perdurava o apoio do PV, o único partido que se arriscou a enfrentar a brigalhada do PSDB e tentar uma coligação com ele. Só para ter uma idéia como foi essa convenção, a que não assisti, por uma questão de princípio, uma das pessoas que conseguiu se candidatar a vereadora, disse (a mim, pessoalmente) que foi a Presidente do PV que “acertou seus papéis”. Por aí se vê como andaram as coisas!
A saída do PV de sua pretendida coligação com o PSDB tem várias versões, mas, de qualquer maneira, esse é um mistério pífio, que não compensa ser investigado. Afinal, o PV tem fraca representatividade em Iguape e, até há pouco tempo, estava apenas servindo de “promotor de eventos” para Cabral aparecer. De qualquer maneira, para não deixar esse capítulo em branco, uma das versões é que os partidários de Cabral não o queriam. Tenho sérias dúvidas a respeito. A razão mais provável é que a Presidente do PV, que não é nada boba, tenha saído dessa “canoa furada”, antes de se comprometer e afundar junto. O partido que entrou realmente na coligação, saiu do “bolso do colete” do candidato, para “inglês ver”, como se dizia antigamente.
Por que estou revelando tudo isso? Aliás, por que estou repetindo tudo isso? Porque realmente não estou revelando nada, pois todos esses fatos são de conhecimento público. Minha intenção é fazer desse previsível fracasso eleitoral do PSDB, um brado de reunir, para sua próxima caminhada. Por que acho que o fracasso é previsível? Porque esses lamentáveis acontecimentos esfacelaram o Partido, tiraram sua credibilidade, mostraram a face real de alguns de seus dirigentes e próceres. Como um partido vai tentar reunir o povo em torno de um programa, se ele não se entende, dentro de suas próprias fileiras? Como falar em seriedade administrativa, num possível mandato, se, dentro do Partido, não houve honestidade nem na escolha do candidato? Isso sem falar que muitos de seus mais respeitáveis líderes já estão dando seu apoio a outro candidato. Ostensivamente! Há também os que não o fazem ostensivamente, por respeito às aparências, mas seu afastamento do partido já é notório, até segunda ordem. Essa jornada final do PSDB de Iguape não se parece em nada com a “cruzada de Brancaleone”. Nesta, predominava a ingenuidade, quando não a ignorância. O PSDB está marchando sob o signo do desespero. Desespero de alguém que não se conforma em ficar longe do poder, e arrasta seus companheiros numa luta inglória!
Escrito por B.Machado às 18h23
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25 ANOS DE ESPERA
Maria da Penha, uma mulher que ficou paraplégica por causa de um tiro e uma tentativa de eletrocussão feitos por seu marido, recebeu uma indenização de 60.000 reais, do governo cearense, depois de esperar por 25 anos. A quantia recebida corresponde a 200 reais por mês de espera. Era o caso de perguntar ao governador do Ceará: será que não vai fazer falta ao Estado? Calcule quanto um deputado gasta “por mês”, e você terá uma idéia de como o cidadão é tratado “neste país”.
Escrito por B.Machado às 22h21
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DE FHC PARA LULA
É notável, e isso tem sido acentuado por vários analistas políticos e economistas, como o Governo Lula, apesar de ter-se colocado como uma alternativa de oposição, continuou os mesmos rumos do Governo FHC: estabilidade da moeda (Plano Real- FHC), o sistema de distribuição de dinheiro para os pobres (começou com o Bolsa-Escola de Cristovam Buarque e também como auxílio às famílias, por FHC), Banco Central autônomo, etc. Agora, com essas encrencas dos banqueiros sacanas, verificamos mais uma ligação entre um governo e outro: descobriu-se que uma parte do dinheiro ganho por Daniel Dantas, no programa de privatização de FHC (privataria, como dizem os adversários) serviu para financiar os mensalões, do governo Lula. Não é à toa que o ministro Gilmar Mendes está tratando bem o “seu cliente”: um homem com tamanho cartaz, em dois partidos importantes (PSDB e PT), merece respeito.
Escrito por B.Machado às 14h54
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O NEGÓCIO É CONSTRUIR
A mania dos dirigentes políticos (municipais, estaduais e federais) é construir novas obras, esquecendo de conservar ou melhorar aquelas que já estão em uso. Veja-se o caso da maternidade paraense, um escândalo de repercussão internacional, um tapa na cara do orgulho nacional. Mal comparando, é como a mulher gastadeira que, em vez de pregar um botão na roupa que já tem, compra outra roupa nova. Em nível federal, além da construção de novos implementos, multiplicam-se as repartições e os ministérios (e as despesas conseqüentes), como se dar novas denominações a velhas atividades, melhorasse a qualidade do trabalho.
A razão desse criacionismo inconseqüente é a vaidade de ser chamado “criador”, muito mais nobre do que a condição de “conservador”. Eles (os políticos) sabem que quando se vê uma estrada ou um centro de saúde, ninguém vai lembrar que fulano consertou, aperfeiçoou, mas que beltrano mandou construir. No caso de Iguape, por exemplo, um prédio como o da Unidade Mista de Saúde permanece do mesmo jeito, embora com sua estrutura deficiente, e não recebe qualquer melhoria, embora tenha sido ensaiada, há tempos atrás, de maneira ridícula, aliás, a inserção nele, de uma maternidade. Em vez de melhorar o atendimento e as instalações, tenta-se criar, sem qualquer possibilidade operacional, um novo serviço. A vaidade se sobrepõe ao bom senso e à competência.
Escrito por B.Machado às 12h02
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HORA DE PRESTAR CONTAS
Antes que comece a campanha eleitoral, seria bom fazer um balanço do trabalho realizado pelos atuais vereadores. Este Blog tem mais de cem leitores. Se todos colaborarem, dá para fazer um levantamento razoável dessas atividades. Vamos orientar os eleitores. Mandem para cá notícia da atuação dos vereadores em exercício. Não do que eles pretendiam fazer, mas do que realmente fizeram, isto é, das medidas que tomaram e seu efeito concreto. Se um projeto não foi levado adiante, não interessa que tenha sido elaborado e apresentado ao plenário. O que importa é o que resultou do projeto. Como quase todos os vereadores vão tentar se reeleger, é bom que se saiba para que desejam voltar à Câmara. Também não se deve esquecer o que fizeram de errado. O eleitor merece ser esclarecido da verdade. É hora do balanço.
Escrito por B.Machado às 14h48
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O PROBLEMA DA “FICHA SUJA”
Curiosa essa notícia sobre a liberação dos políticos de ficha suja, para concorrerem às próximas eleições, nas prefeituras e câmaras municipais. Li essa “boa nova” no Blog de meu amigo Júlio Silva, Diário de Iguape.com. Não sei se percebi um ligeiro “sorriso” por trás da notícia, como se houvesse algum político “ficha suja”, se escondendo nas entrelinhas do comunicado. Em todo caso, pelo sim, ou pelo não, devemos nos regozijar porque o Supremo Tribunal Federal se mostrou tão generoso? E como é que o candidato vai se apresentar perante seu eleitorado? – “Gente, sou FICHA SUJA, mas estou liberado. Portanto podem votar em mim!”
Escrito por B.Machado às 20h00
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FALSOS COMEÇOS
Há tempos atrás, Rubens Ricupero, o ministro que caiu porque falou fora de hora, escreveu um interessante artigo sobre os “falsos começos”. Trata-se daquele discurso político de início de mandato ou, mesmo, daquelas falas de campanha, em que os candidatos prometem “mudar os rumos” do país, do Estado ou do município. “Desde o fim da Ditadura, o Brasil está sempre começando novos rumos”, observa Ricupero. Quando passou a Presidência para Lula, Fernando Henrique não deixou de preveni-lo: “Não tente re-inventar a roda!” Não deu outra: Lula está sempre “redescobrindo o Brasil”e já criou até um slogan: “nunca antes neste país....!”
Agora, com as eleições municipais, vai haver uma enxurrada de “falsos começos”, pelo Brasil afora. Em Iguape, então, os “descobridores” dos caminhos do progresso pululam. Mesmo aqueles que no passado já fizeram essa “viagem”, vão se fingir de marinheiros estreantes e apontar futuros radiosos para a cidade! A eleição vai ser uma festa de “descobertas”.
Escrito por B.Machado às 19h31
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BOIS DE PIRANHA
Na eleição passada, 131 pessoas se candidataram ao cargo de Vereador. Desses, 9 foram eleitos, uma proporção de 1/14,5, ou, também, 6,8%. Isso quer dizer que 122 pessoas, ou 93,2% dos candidatos, se ofereceram ao sacrifício, para que 9 postulantes ao cargo conseguissem seu objetivo. Se alguém pensa que os que perderam não têm nada a ver com os que ganharam, está muito enganado. Na verdade, quantos mais se sacrificam, mais chances tem aquele que está “no ponto”, de ganhar seu lugar no panteão dos felizardos. Isso ocorre por causa das famosas “cotas”, que influenciam a vitória final. Por força desse dispositivo, às vezes ocorre que alguém com menos votos passe à frente de outro com mais votos. É que o número de votos conseguidos pelos seus “bois de piranha”, (aqueles que se sacrificaram para ele possa “chegar lá”), pode ser maior, ou terem tido mais votos que os outros “bois”. Na eleição passada, de que estamos falando, 6 candidatos, dos reprovados, tiveram mais votos do que o último colocado na lista dos “chamados”. Essa é uma das razões principais das “coligações”, que acumulam votos, e também o que explica que os “donos do partido” não convidem pessoas que apresentem um potencial (ainda que hipotético) de boa votação, porque estas podem tirar-lhes o “pão da boca”!
Escrito por B.Machado às 20h01
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AMERICANOS, QUEM DIRIA, SÃO OS CULPADOS!
Essa é uma das tantas ironias da História. Durante a II Guerra Mundial, as rotas asiáticas do ópio foram interrompidas. Embora esse produto faça parte do “inferno (ou céu) dos víciados”, ele também é muito usado pelos médicos para aplacar a dor. Orlando Silva, um dos maiores cantores brasileiros, foi uma das vítimas do vício, tendo começado a usar o ópio para acalmar a dor de um pé, esmagado pela roda de um bonde. Mas voltando ao ópío asiático, temendo ficar sem o produto, tão precioso nas enfermarias de Guerra, os americanos escolheram uma região mexicana, nos limites dos Estados de Sinaloa, Chichuahua e Durango, para plantar a papola, a flor do ópio.
A “fazenda” de papoula deu tão certo que, de provisória virou permanente, e acrescentou, ainda, às papoulas, plantações de maconha, que logo atraíram traficantes de todo lado. Para resumir, até recentemente entre 100 sitiantes da região apenas um cultivava milho; o restante preferia plantar maconha, muito mais procurada e lucrativa. Os maiores compradores são os próprios americanos, claro que não os mesmos que precisaram do ópio medicinal. O comércio da maconha trouxe riqueza para a região e termos estranhos, como a “narco-esmola”, uma espécie de “bolsa família” com que os traficantes procuram captar a simpatia do povo. Não é à toa que se diz, zombando: “coitado do México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.
Escrito por B.Machado às 18h24
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CONSTRUÇÃO DO FUTURO
Comentando a política de Evo Morales, um ex-presidente boliviano, Carlos Mesa, deu uma fórmula que bem serviria para Iguape. Assim falou o ex-presidente Mesa: - O país deveria ter um presidente que dissesse: “Estou disposto e quero construir um futuro com brancos, índios e mestiços” e não que dissesse (como parece que Morales está dizendo): “O mundo ocidental é portador de valores negativos e o mundo indígena é portador de valores positivos”.
Em Iguape, a polarização política sempre foi assim: de um lado os “bernentos” (cocheiros não prestam), de outro lado os “cocheiros” (bernentos não prestam). Se ambos os lados estivessem com a razão, a cidade inteira estaria podre. Basta um pouquinho de lógica para perceber que isso é o resultado de preconceitos estúpidos. Por isso, vale a pena sentar e conversar. Agora que surge a possibilidade desse “papo”, seria bom que as pessoas de bom senso tomassem a palavra. E que os demais se dispusessem a ouvi-las!
Escrito por B.Machado às 19h09
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É HORA DE MUDAR
É hora de mudar a opinião que a gente manteve até aqui, sobre pessoas conhecidas, que atuam na política de Iguape. Será que vale a pena repassar, na memória ou na conversa, todos os erros que eles cometeram? Ou vamos recorrer à Bíblia: “Atire a primeira pedra quem estiver isento de pecado”? Lula, Fernando Henrique, José Serra, Gabeira e tantos outros políticos, hoje com a “ficha limpa”, na política, foram presos, acusados de subversão, dois deles, Serra e Gabeira (preso e torturado), tiveram até que se exilar, para evitar a prisão, e, quem sabe, a tortura e a morte. Hoje estão todos eles aí, lutando lado a lado, sem que o passado lhes pese na reputação.
“Ora, direis”, o crime deles foi lutar contra a Ditadura! Mas a política é assim mesmo. Naquele tempo a ditadura era o Mal (para uns), e o Bem (para outros), mas nem por essa dubiedade ética os políticos iguapenses deixaram de se filiar à ARENA, o partido da Ditadura, e se eleger com o beneplácito dos militares. É possível até encontrar, nos arquivos fotográficos da cidade, pelo menos um político abraçado com um general! Quem foi “criminoso” naquela época, hoje é herói, será que os amigos da Ditadura (incluindo aqueles de Iguape), de então, hoje não seriam vilões?
O problema não é “apagar” a História, mas relê-la segundo nova ótica. E que não se confunda essa ótica refeita com oportunismo, mas que se a identifique com uma atitude construtiva. Afinal, Iguape bem que precisa disso. Em vez de criticar a administração, vamos ajudar na sua mudança, já que ela, até aqui, não trouxe à cidade aquilo que desejamos. E a mudança está à vista. Todos elogiavam os candidatos novos, mas sempre faziam a ressalva: “não têm o apoio dos velhos caciques, não vão se eleger”. Pois agora, pelo menos um deles tem, porque criticá-lo, por um passado de oposição, em vez de estimular sua ascensão ao poder? Não é isso que pediam as pessoas mais esclarecidas da cidade?
Escrito por B.Machado às 19h00
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A CONSAGRAÇÃO
A reunião, no Clube Alvorada, de um deputado federal e sete agremiações políticas, em apoio (eu diria, quase em louvor) à candidatura Wilson, se apresentou, pelo seu elevado teor emocional, como um desses dramas operísticos em que se unem a ação e a música, esta substituída pelos discursos e pelos aplausos. Na sua totalidade, o espetáculo não descuidou dos mínimos detalhes, desde a foto, com extremo “profissionalismo”, como alguém destacou, preparando o material para a mídia, que multiplicaria as cenas desse estrondoso encontro, até as apresentações dos candidatos à vereança, em que cada partidário, consciente da importância desse momento histórico, recitava seu nome e sua agremiação com a galhardia de um gladiador, às vésperas do confronto.
Uma vez no palco, quero dizer, na mesa dos trabalhos, os atores, perdão, os participantes da mesa fizeram seus discursos, como seria de esperar, enaltecendo a quem de direito, e ressaltando o momento histórico que estavam vivenciando. Quando chegou a sua vez, Márcio França, a quem não falta nem o “physique du rôle” nem a maestria de uma “prima dona”, sustentou o tom dramático da peça, digo, da cerimônia, secundado, sem queda de qualidade, pelo “herói”, quero dizer, pelo candidato Wilson, “personagem” a quem a estatura física não faz jus ao talento oratório.
Afora a qualificação estética, qual o significado desse memorável espetáculo? Não tenhamos dúvida: Iguape começa aqui uma nova era. Quando um velho “condottière” passa o bastão a um corredor da nova geração, temos não só uma mudança no ritmo da corrida, como uma melhoria na qualidade da prova. Haja ou que houver, esse espetáculo cívico pode estar na raiz de uma renovação de idéias e métodos políticos da cidade que devem ter profunda repercussão no seu futuro.
Escrito por B.Machado às 19h23
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CETICISMO
O iguapense é, antes de tudo, um cético. Por isso não acredita na primeira versão de qualquer história. É preciso que haja mais de um oitiva, para sua convicção se firmar. E ele está absolutamente correto, nesse procedimento. Numa época de política em efervescência, como a que atravessamos, isso ainda se torna mais necessário. Em cada esquina, ou em cada bar, há uma versão diferente para o mesmo acontecimento. O que ontem era verdade, hoje pode ser exagero, invenção e, amanhã, pode ser até mentira. O pior de tudo isso é que mesmo pessoas respeitáveis transmitem informações falsas, às vezes por ingenuidade, às vezes por descuido ou, até, por negligência. Considerando-se a quantidade de pessoas de má fé, na praça, imagine-se o número de boatos, mentiras, fantasias, que circulam por aí. Com isso, a melhor posição é a do cético: só acredita vendo, ou ouvindo os envolvidos na história! Por isso, a respeito de notícias, por enquanto, vou passar em branco. Estamos na fase final da efervescência. As coisas só vão se assentar a partir de amanhã.
Escrito por B.Machado às 15h46
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RAPOSÍADAS
As “armas e os barões (também as baronesas), estão assinalados”. A luta “prá valer”, ainda não começou, mas já se mostra antecipadamente “valerosa”. As tricas e futricas de bastidores estão chegando ao fim; agora as raposas vão se transformar em leões (e leoas) e urrar nos palanques. As ninfas do Rio Ribeira serão invocadas para dar mais brilho aos “engenhos ardentes” na elaboração do “som alto e sublimado” do discurso, que vai se “espalhar por toda parte, se a tanto ajudar o engenho e arte”.
Estou sem notícias, embora com muitos boatos, e por isso vou aguardar mais um pouco o desenrolar da cena. Desde que Cabral, o homem que liberou a escolha dos convencionais do PSDB, “desde que fosse ele o escolhido”, recorreu ao Olimpo do partido para cancelar o resultado da Convenção (que, segundo os juristas é “soberana”, mas, pelo visto, nem tanto) a situação do PSDB virou um caos. Tony, que confiava no D (de democracia) do partido, se viu na situação de um Júlio Cesar (teve até um Brutus, no episódio) recebendo “facadas” traiçoeiras. Mônica, a musa do PV, esvoaçando em torno do Cabral, talvez sem querer, pois sua maldade não chega a tanto, funcionou como uma espécie de Lady Macbeth, estimulando a revanche de Cabral, depois dos resultados da 1ª. Convenção do PSDB. No fim, acabou saindo fora, por pressão de alguns membros do PSDB, que fizeram o cálculo de seus magros votos. Deslocada, foi se consolar nos braços da Beth.
O “caso” do apoio de Ariovaldo a Wilson levantou uma azeda polêmica neste Blog. Alguns leitores, que confundem a política com equações matemáticas ou silogismos aristotélicos, cobram dos componentes do PSB uma coerência que não é realista, dentro dos padrões iguapenses de política. Não é de hoje que Wilson ouve a ladainha de que, separada das correntes tradicionais da cidade, sua candidatura nunca iria decolar. Agora teve um “insight” da dura realidade, por conta das ligações do Clovinho e do Márcio França, com o “mestre” dos cocheiros, que está mais vivo que nunca e aprontou essa para “esperar o Cabral (e a Beth) na curva”.
Escrito por B.Machado às 19h10
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