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SOBRE O PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Segundo se noticia, o Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional –IPHAN – está fazendo um levantamento de áreas de relevância histórica e cultural, no Estado de São Paulo. A notícia se completa com declarações do Carlinhos, diretor do Departamento de Cultura, Turismo e Eventos de Iguape: “O interesse do IPHAN na região e em específico em Iguape é muito gratificante, já que estamos construindo um processo de consolidação da conscientização junto à população do valor do nosso patrimônio histórico”. Ele só não esclareceu que o “processo de consolidação da conscientização junto à população”, à parte o estilo arrevesado, inclui uma “água fria” do prefeito, agora cassado, para a única instituição civil de Iguape, fundada com o fim específico de defender o patrimônio histórico da cidade, a Associação Quatro Cantos.
Quando tomou posse, por um curto período, no afastamento anterior de Ariovaldo, Da. Beth convocou a Associação para discutir as questões ligadas ao Patrimônio Histórico de Iguape. Assim que o prefeito cassado voltou, as relações entre o Departamento de Cultura e a Associação esfriaram e permanecem na geladeira até hoje. O único “processo de consolidação” de que tomamos conhecimento é o da incapacidade de certos políticos de Iguape de separar diferenças de opinião das questões de interesse público. Mas há uma luz no fim do escuro túnel: a volta de Da. Beth deve pôr um fim a essa intolerância idiota para com uma instituição que nunca teve qualquer colorido político.
Escrito por B.Machado às 21h39
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NÃO VAMOS NOS ILUDIR
A aproximação de eleições, em qualquer nível, tem o dom de renovar nossas esperanças. Os novos candidatos trazem diferentes discursos, e os velhos políticos escovam seus trajes e mudam as palavras que vão fazer as mesmas promessas de sempre. Nessa hora, é preciso manter a prudência, e não se deixar levar pelo “canto das sereias”. Assim como aconteceu nas décadas anteriores, não vai haver nenhuma revolução na administração pública. Tanto na esfera federal, como na estadual e na municipal, o tempo e o desleixo se encarregaram de criar, alimentar e fazer crescer uma burocracia que só se renova, a cada gestão, na sua cúpula, nos cargos de chefia, confiados geralmente aos amigos dos políticos vencedores e não a técnicos escolhidos segundo o mérito.
Realismo não faz mal a ninguém. No caso de Iguape, o prefeito eleito vai ficar em cima dos pedreiros, para que eles consertem um buraco na rua em menos de uma semana? No tempo da máquina de escrever e dos livros-caixa, feitos a mão, a prefeitura tinha 5 funcionários e a cidade 3.000 habitantes. De lá pra cá, os habitantes da cidade se multiplicaram por 10, mas os funcionários burocráticos se multiplicaram por 100, ajudados por computadores, telefones, calculadoras, etc. Ao contrário da indústria automobilística, em que a automação dispensou operários, na burocracia pública a tecnologia não conseguiu vencer o empreguismo demagógico.
Mas mesmo assim, não vamos perder as esperanças. Se o novo prefeito conseguir pôr em movimento o “mamute” burocrático municipal, congelado pela inépcia dos antecessores, já merecerá aplausos.
Escrito por B.Machado às 15h23
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IDÉIAS NÃO FALTAM
Uma nota na coluna “Alfarrábios”, de Roberto Fortes, no Jornal Regional, transmite uma boa idéia de Célio Nosor Mizumoto: transformar o bairro do Jipovura em pólo turístico para os japoneses e seus descendentes, agora que entramos no ano da comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Para isso, basta uma escuna, uma melhoria na paisagem do sítio e alguns guias turísticos, fáceis de recrutar, neste “deserto de empregos”.
Escrito por B.Machado às 21h13
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INCOMPREENSÃO
O partidarismo é o maior obstáculo ao entendimento. Em política, então, ele deixa as pessoas cegas, surdas e mudas. Falei, neste Blog sobre o uso que Lula e o PT fazem das origens de seu líder, como se ter nascido pobre desse à pessoa o direito de permanecer ignorante e tolerar a delinqüência ao seu redor. Pobre foi Juscelino Kubitschek, que veio do interior de Minas, e até a adolescência não tinha dinheiro para comprar um par de sapatos, trabalhou à noite para poder estudar durante o dia, chegando a formar-se em Medicina; pobre foi Jânio Quadros, que veio de Mato Grosso, e foi professor, ganhando a metade do salário de um metalúrgico. Mas esses presidentes nunca fizeram bandeira de suas origens.
Quanto à administração pública, nós do Vale do Ribeira estamos vendo o resultado do PAC das estradas, na buraqueira da Regis Bitencourt, só para citar um exemplo. O sucesso da Vale do Rio Doce foi resultado da privatização, da qual o PT sempre foi contra, como foi contra a Constituição, o Plano Real e a reeleição (para os outros) do Presidente. A bandeira da pobreza foi mantida mesmo diante da declaração de bens, na reeleição. Os bens de Lula, o pobre, somavam quase o dobro dos de Alckmin, o rico. Isso sem contar o sucesso da firma (5 milhões) do Lulinha.
Quanto à melhoria econômica do país, quem planta, colhe e exporta não é o prefeito, nem o governador, nem o presidente. O Plano Real acabou com a inflação e permitiu ao Brasil inserir-se na economia mundial. Esse foi um passo positivo. Fora isso, FHC também não precisou fazer muita coisa. Se o presidente (assim como o governador e o prefeito) não atrapalhar os empresários, já faz muito. Um país exportador de produtos primários, como o Brasil, ou qualquer outro país da América do Sul, sem um parque industrial de alta tecnologia, como a Coréia, o Japão e os EUA, vive na dependência do sucesso dos outros, que lhe compram os produtos. Se a China parar de comprar o minério de ferro e os outros países deixarem de importar frango e soja, do Brasil, não haverá presidente que salve nossa economia.
Escrito por B.Machado às 15h47
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QUEM RESPEITA A JUSTIÇA? OU A MORAL?
Há tempos, li no jornal que quase 80% dos prefeitos brasileiros estavam com problemas na Justiça. Apesar de nosso “problema” local, achei a coisa meio exagerada. Pois não é que o prefeito da Ilha Comprida também está “enrolado”? Segundo o jornal “A Voz do Vale do Ribeira”, o prefeito Márcio Ragni responde por peculato, de sua primeira gestão, em 1993. Conforme a informação, o processo corre (eu diria se arrasta) pela Procuradoria Geral do Estado, desde 2006. Isso porque outras maracutaias ainda não entraram na alçada da Justiça. O mesmo jornal aponta que o nepotismo é uma prática das mais cultivadas na Ilha: nada menos que 13 parentes de seus políticos estão aboletados em bons empregos, no serviço público municipal!
Escrito por B.Machado às 16h05
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A CHAVE DO PARAÍSO
Fernando Henrique Cardoso, quando ministro, acabou com a inflação (Plano Real), o maior obstáculo para o desenvolvimento da economia brasileira, e, quando presidente, criou os programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e o Vale Gás, políticas sociais elogiadas pela ONU e imitadas por vários países. Aproveitou a globalização para inserir o Brasil no mundo capitalista e, por isso, foi chamado de neoliberal, um palavrão nos arraiais da esquerda brasileira, de onde vem mais barulho que idéias. Os cachês que pagou a parlamentares corruptos para conseguir reeleger-se mancharam sua reputação. Veste-se com simplicidade, só bebe socialmente e mantém a postura de um velho professor. Entretanto, hoje, não venceria Lula numa eleição.
Luiz Inácio Lula da Silva ampliou os programas sociais de FHC, estimulou a inserção do Brasil no mundo capitalista (mas ninguém se lembrou de chamá-lo neoliberal) e pagou cachês não a alguns políticos corruptos, mas a dezenas deles, com dinheiro subtraído das estatais. Veste-se como um lorde inglês (e a Marisa está mais elegante que a Rainha Elizabeth II), comprou um avião por 50 milhões de dólares, viajou mais do que FHC e bebe cachaça como nosso lendário Chico Pipa. Nada disso “pega” nele, como defeito, pelo contrário, tudo tem sido “capitalizado” para aumentar-lhe a popularidade. Qual o seu segredo? Qual sua “Chave do Paraíso”? Ter nascido pobre! FHC é filho de general e estudou na melhor Universidade da América do Sul. Lula viajou em “pau-de-arara”, o que lhe angariou solidariedade do povo, gosta de jogar futebol em vez de “queimar as pestanas” na biblioteca, o que lhe aumentou a popularidade, e aprecia uma cachacinha, mais um ponto no seu currículo de “bom brasileiro”.
Escrito por B.Machado às 10h56
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MANJUBA COMO METÁFORA
A revista Veja criou uma boa imagem literária para designar quem se acha muito importante: “Modéstia tamanho manjuba”. Foi com essa expressão que deu o fecho na entrevista do sobrinho do Senador Eduardo Suplicy, Felipe Suplicy, que se diz “um dos maiores especialistas no assunto (maricultura)”; “Sou sobrinho do senador mais querido do Brasil”; “Sou muito caprichoso”. Etc.
Escrito por B.Machado às 22h18
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POR TABELA
O depoimento dado pelo motorista Élcio Moreira de Souza, no “caso Eleni”, acabou respingando lama em outro vereador: “...já cheguei a levar também o vereador Edson Stela em uma fábrica de salgados do seu irmão, na cidade de São Paulo, para trazer salgados para seu restaurante” (Do Blog de Júlio Silva: “DiáriodeIguape.com”)
Escrito por B.Machado às 21h19
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A ECONOMIA DO TRÁFICO
Não conheço nenhum estudo completo a respeito da produção, transporte, atacado e varejo, e o número de usuários, enfim todo o universo clandestino das drogas. O que sai nos jornais, geralmente, são as detenções de pessoas envolvidas, e a quantidade de droga apreendida, mas segundo se supõe, isso é uma gota d’água, no oceano do vício. Entretanto, creio que é possível imaginar que, atualmente, milhões de pessoas estão envolvidos nesse "negócio". Na Bolívia, há tantos plantadores de coca que eles conseguiram até eleger um Presidente da República. Mas existem muitas outras pessoas, em outros países, dedicadas a essa atividade: Paraguai, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e ainda sobra alguma culturazinha no Brasil e nas Guianas. Assim, por alto, calculo que temos, em todos esses países, dois milhões de pessoas dedicadas ao plantio da matéria prima da coca.
Após o plantio, a coca precisa passar aos fabricantes da cocaína. Novamente entra em cena um enorme batalhão de intermediários, desde o atacadista, aquele que entra em contato direto com os plantadores e tem uma frota de veículos, armazéns, etc. A partir daí, surgem os distribuidores de vários níveis, todos se dirigindo aos fabricantes de cocaína. Dos distribuidores no atacado até a fabricação final do “produto”, podemos considerar que isso envolve mais outro milhão de pessoas. Industrializada, a cocaína entra no mercado, passando pelos vários níveis do atacado, que pode ser um grupo de pessoas “respeitáveis” ou uma quadrilha de marginais, nos grandes centros ou nas favelas das grandes ou pequenas cidades. Considerando este último estágio, podemos calcular que nele ganha a vida mais meio milhão de pessoas. Como se vê, mesmo deixando de lado outros “funcionários” e intermediários (inclusive policiais e políticos que facilitam as coisas) dessa grande máquina do vício, até agora já chegamos ao número nada modesto de 3,5 milhões de pessoas. A respeito do que se pode ganhar, nesse “negócio”, em nível de atacado, basta uma olhada na fortuna do traficante colombiano preso há pouco tempo no Brasil. Na área do varejo, vale o depoimento desse rapaz que serviu de inspiração ao filme “Meu nome não é Johnny”, em cartaz atualmente: “Quando chegava um caminhão com 200 quilos de cocaína, esse cara (o pequeno atacadista) me ligava. Eu ficava com 10, 15 quilos de pó..” A respeito de seus ganhos ele diz: “Numa sexta à noite eu ganhava o equivalente a 20.000 reais”. Seus clientes eram os freqüentadores das grandes festas. Na sua primeira prisão, ele não foi levado à delegacia, mas a um carro, aonde os guardas “negociaram” sua liberação, mediante o pagamento de 5.000 dólares. Conseguiu sair com o “resgate” de 3.500 dólares.
Bem, esse rapaz é apenas um dos milhares de distribuidores diretos ao público interessado, em qualquer lugar do mundo civilizado, desde as grandes capitais até as pequenas cidades. Pode-se imaginar o que se acrescenta, em termos de mão-de-obra, aos 3,5 milhões já contabilizados acima. Agora, a segunda parte: todos esses "funcionários" da cocaína consomem, gastam estadias nos hotéis, gasolina nos carros, feijão no prato e sapato no pé. Quantos milhões de pessoas dependem desse dinheiro? Agora pensem comigo: vamos imaginar que, por um milagre dos Céus, esse comércio de cocaína cesse de uma hora para outra. Quantas pessoas se veriam na miséria? Quantas compras deixariam de ser feitas, quantos hotéis ficariam sem esses clientes, quantos caminhoneiros ficariam sem essa carga? Agora concentrem-se mais em suas idéias: será que é por isso que o combate às drogas vai até um certo ponto, mas nunca acaba com elas? Será que a administração pública, em todos os países, não está fazendo esses mesmos cálculos e chegou à conclusão de que a interrupção desse imenso "negócio" daria um razoável tombo na sua economia?
Escrito por B.Machado às 20h26
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CABRAL PERGUNTA
Em entrevista ao jornal “A Voz do Vale do Ribeira”, o ex-prefeito Cabral pergunta:
- “Quem foi mais honesto, mais justo, leal e ético? Na questão da moralidade, quem não empregou parentes, quem não teve escândalos administrativos, quem não ficou perseguindo cidadãos e servidores públicos por interesses políticos mesquinhos? O povo também vê quem não ficou criando firminhas para burlar licitações públicas, quem não se conchavou com vereadores mal intencionados para aprovar todos os seus desmandos e daí por diante.”
A “quem” será que o ex-prefeito está se referindo?
Escrito por B.Machado às 16h19
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Publicidade Não há quem não goste de publicidade, para si ou para sua família, cidade ou país. E isso desde o tempo de Nabucodonosor e Ramsés I. E olhe que, para eles, não era fácil fazer publicidade. Escrever em alfabeto cuneiforme, num tijolinho, ou desenhar hieróglifos, numa pedra, não é bolinho. Assim mesmo, deram muitas notícias, tão importantes que ficaram para a posteridade: "Mandei cortar a cabeça de cem inimigos e esfolar 200 deles", gabava-se piedosamente Nabucodonosor; "Sou filho de Deus e por isso mando no meu povo", avisava, modestamente, Ramsés I.
Pois bem, apesar desses humildes antecessores, certas autoridades de Iguape sempre mantiveram uma desconfiada distância daqueles que resolvem divulgar o nome da cidade. Depois do apoio do então prefeito, Jair Young Fortes, ao excelente “Nossa História” de Roberto Fortes, o único livro feito sob os auspícios da Prefeitura foi o do Carlinhos, também muito bom, só que custou 20 vezes o do Roberto e tem 10 vezes menos informação. Da minha parte, publiquei 3 pequenos livros sobre Iguape, sem receber nem dinheiro, nem apoio moral da Prefeitura. O primeiro foi sobre o Senhor Bom Jesus, que teve duas tiragens, somando 6.000 exemplares, mas passou despercebido pelas autoridades de plantão. O segundo foi lançado em São Paulo, com uma festa patrocinada pelo SESC, que bancou o local, o pessoal de apoio e até o vinho para os convidados. Mandei convite (o SESC também patrocinou a correspondência) para a Prefeitura e para todos os vereadores. Destes, nenhum compareceu, e só fui lembrado numa menção honrosa, por especial gentileza da falecida vereadora Dalvinha. O emissário da Prefeitura surgiu (surgiu - esse é o termo) no SESC e me dedicou 3 segundos: 1 para entrar na sala do lançamento, 1 para me cumprimentar e mais 1 para dar o fora. Foi tão rápido que ele próprio precisou me lembrar que tinha ido lá, porque de sua visita só me ficou uma espécie de “visagem” que passou por mim.
O lançamento de meu terceiro livro sobre Iguape foi feito aqui mesmo. Das “autoridades constituídas”, só compareceu meu amigo, o vereador Tony. Os outros ignoraram o acontecimento, ou o esconjuraram secretamente. Ramsés I e Nabucodonosor tremeram em seus túmulos: “Que autoridades são essas que repudiam as obras feitas em nome de sua terra?” - devem ter exclamado do seu tugúrio infernal.
Escrito por B.Machado às 18h00
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PANORAMAS
Comenta-se, em alguns arraiais, que, com exceção de Misawa e Nicol, outras candidaturas ainda são hipóteses, como a de Da. Beth, Gian, Zé Augusto, etc. ou estão dependentes das próximas convenções. O resultado dessas convenções aponta várias direções, principalmente aquelas relativas ao PSB e PSDB, que pode apresentar os seguintes panoramas:
1 – Wilson vence a convenção do PSB e sai como candidato;
2 – Ximbica vence a convenção do PSB e apresenta 3 possibilidades:
a) Sai como candidato;
b) Convence seu partido a apoiar o Cabral (PSDB) e sai como vice de Cabral;
c) Se Cabral estiver com impedimento, Ximbica propõe sair como candidato pelo PSB, com apoio do PSDB, desde que convença os demais membros do PSDB de que tem mais força que Neto.
Esta última hipótese é o “salto sem rede” de Wilson, o que pode resultar num grande sucesso ou num tremendo tombo sem volta. Mas, afinal, política não se faz “sem choro nem vela!”
NB - Repito: esses “panoramas” são cogitações de alguns grupos entendidos em política de Iguape.
Escrito por B.Machado às 15h59
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A JUSTIÇA E OS ELEITORES
A Polícia Federal e a Justiça brasileira têm tido um imenso trabalho em descobrir, apurar e condenar os políticos desonestos “deste país” (como diz o homem) sem que isso leve os eleitores (desses políticos) a negar-lhes os votos, nas eleições seguintes. Renan foi um dos defensores de Collor, já tinha sido acusado de maracutaias, mas vai ser reeleito toda vez que se candidatar. Esse é apenas um exemplo. Há centenas de outros. Para não ir mais longe, em Iguape também temos os condenados que são reeleitos a cada nova eleição, ignorando-se a Justiça e o bom senso. Quando o caso da Eleni chegou à Justiça, tempos atrás, dezenas de pessoas, naturalmente seus eleitores, se postaram diante do Fórum, protestando em favor dela. Que é isso, senão apoio à desonestidade, partido do próprio eleitor? Se o eleitor apóia o político desonesto, então rasgue-se o Código Penal e todos nos locupletemos. Só que não vai sobrar nada para quem chegar atrasado.
Escrito por B.Machado às 20h10
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SANTO DAIME E A VERDADE
Uma monja tibetana, que dá expediente na escola espiritual Caminho do Coração, em Nazaré Paulista, diz que o “Chá (Santo Daime) oferece clareza para expressar e reconhecer a verdade”.
Achei ótima a declaração, mas me perguntei: que verdade? Os velhos filósofos diziam que a verdade é “a exata correspondência entre nossa consciência e um fato ou uma coisa externa”. Quando se diz “reconhecer a verdade”, se esta é uma relação, e não um fato ou uma coisa, como nós podemos reconhecê-la? Reconhecer que a “exata correspondência” é uma exata correspondência?
Bem isso é apenas uma especulação. O que me intriga é como esse tal chá, com pinta de ser uma espécie de “cálice sagrado”, conseguiu passar pela censura pública, ao contrário da maconha, e está sendo usado na maior tranqüilidade, apesar de provocar uma espécie de desmaio, visões e até, segundo um usuário, caganeira. Não, não pense que desejo censurar ou proibir alguma coisa. Só que os adeptos do “cigarrinho” de certa maneira talvez se sintam injustiçados por essa discriminação. Perguntem ao Gabeira, se duvidam do que estou dizendo.
Os usuários do Santo Daime, melhor dizendo, os crentes formam legião: 200 pessoas só no templo de Nazaré Paulista. O mestre de cerimônia tem um nome bem adequado para um guru: Sri Prem Baba, e se diz psicólogo de formação. O outro mentor é um seringueiro, neto de escravos, segundo se afirma, não tem o nome citado, talvez porque se chame João, Antônio ou Benedito, o que não lhe garante o status de grife, num meio místico como esse. Na zona sul de São Paulo, no Centro Espírita Sete Pedreiras, há uma miscigenação de crenças com orixás de umbanda, santos católicos e retratos de daimistas, em lugares estratégicos.
O uso do chá tem defensores em toda parte. O antropólogo Edward MacRae, da Universidade Federal da Bahia proclama: “A ayahuasca (codinome do chá de Santo Daime) facilita a experiência mística. E é justamente essa experiência, sem a intermediação de um sacerdote, que está colaborando par sua expansão”. Outro antropólogo, Silas Guerreiro repica: “É uma mudança até na percepção de Deus, que cada um pode buscar dentro de si”. Uma Mãe-de-Santo da qual não se cita o nome garante: “A ayahuasca proporciona sensibilidade maior. É um instrumento de contato superior com os orixás”. Até a produtora de eventos, Bia se Souza dá sua “colherada”: “O chá propicia uma maior integração com a religião. Abriu meus canais de percepção e chakras.”
Escrito por B.Machado às 19h37
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GIAN DEMARTIS NA PARADA?
Em primeiro lugar, peço desculpa ao Gian, se o seu nome não é grafado da maneira acima. De qualquer maneira, segundo um comentarista deste Blog eu deveria tê-lo colocado, também, numa de minhas notas que fazia referência aos candidatos a prefeito de Iguape, tendo até mencionado o fato de que ele deve se livrar de alguns assessores oportunistas e incompetentes. É bom saber que ele está na “luta”, mas, até agora, nas “conversas de esquina”, ninguém deu essa informação. Entretanto, se ele já tem até “assessores” ainda que “oportunistas e incompetentes”, então está firme no pedaço.
Escrito por B.Machado às 22h17
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OS MILIONÁRIOS DE TAIWAN
Taiwan, a antiga Formosa, ilhota que fica ao lado da China, tem 35.000 km2 de extensão, 21.300.000 habitantes e 220.000 milionários; o Vale do Ribeira tem 28.306 km2, 400.000 habitantes e, que eu saiba, nenhum milionário; o Brasil, tem 8.500.000 km2, 188.000.000 habitantes e 190.000 milionários. O Brasil foi descoberto em 1.500, o Vale do Ribeira um pouco depois, Taiwan, embora já fosse habitada antes, começou seu desenvolvimento em 1949, como refúgio do Kuomitang, o governo republicano chinês, que foi deposto pelos comunistas de Mao. Falamos em milionários, mas não estamos aqui para discutir diferenças sociais. Acontece que, sem milionários, não há investimentos, empresas, empregos. Mas isso já é sabido. O que ainda precisa saber-se é o porquê desse relativamente pequeno número de milionários num país tão rico, como dizem que é o Brasil e nenhum no Vale do Ribeira, uma terra tão promissora. Talvez a resposta a essa questão se resuma no fato de que o Brasil e o Vale do Ribeira exportam matéria prima ou produtos agrícolas, e importam manufaturados, ao contrário de Taiwan, grande exportador de produtos com tecnologia de ponta. As análises e discussões sobre o subdesenvolvimento brasileiro e do Vale do Ribeira talvez possam ser resumidas nessas simples constatações.
Escrito por B.Machado às 20h15
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SINAIS DE INTELIGÊNCIA
O inesperado debate, neste Blog, entre dois candidatos a prefeito de Iguape, seguidos por outros interessados na solução dos problemas de Iguape, a propósito de uma despretensiosa sugestão que fiz, parece indicar que as próximas eleições darão início a uma nova fase política em Iguape. Com isso, felizmente, talvez esteja no fim aquele ranço coronelista, aqui mesmo anotado, que ainda persiste em Iguape, não obstante as pressões externas de uma nova percepção, trazida pela pós-modernidade, e uma objetividade mais acentuada, calcada na aceleração nas trocas econômicas da globalização. Pelo que se pode deduzir, tomando distância para uma visão em perspectiva, Misawa e Wilson divergem no detalhe tático, no dado administrativo miúdo, mas concordam no estratégico, a abertura para o entendimento a partir da oitiva da discordância e da síntese dos contrários.
Pelo que sei, os outros candidatos, um pouco mais, um pouco menos, cultivam essas “boas maneiras” de acreditar que “no princípio está o verbo”, isto é, o debate, a tolerância para a opinião do outro, condições para que exista Democracia, um sistema político nascido exatamente do gosto helênico pelo diálogo, pela controvérsia na “Ágora” ateniense, a praça pública, por excelência. O que nós sempre tivemos, em Iguape, como discurso político foi o “cala a boca” ao discordante e, ao término de cada pleito o “esqueçam o que o outro disse, agora mandamos nós”!
Não vai aqui nenhuma apologia deste ou daquele candidato, mas já que emiti um juízo otimista nominal, a dois deles, devo completar o quadro esboçado. Antes, uma advertência: tecnicamente, os dois políticos acima citados, como os demais, são “candidatos a candidato” porque isso vai ser resolvido na convenção dos partidos. Entretanto, pela sua postura, todos eles já se colocam na “mira do voto”. Então, está na hora de completar o quadro que comecei a traçar nas primeiras palavras desta nota. Nicol, pelo que dele conheço, não desdenha do debate, embora prolífico e um pouco dogmático (do que também não escapa Wilson); Neto é muito jovem para ser “rançoso” e suficientemente esclarecido para enfrentar discordâncias sem “perder a ternura”; Cabral, maleável, ouvinte atento, embora já tenha provado a “poção enfeitiçada” é facilmente recuperável, com uma boa assessoria; Ximbica, que “corre por fora” (se..) teria uma boa reserva moral no seu próprio partido e, (last but not least) Da. Beth é uma “Dama”, com todos os bons adjetivos subentendidos no título. Então, vamos à luta que, agora, finalmente, parece que teremos um “bom combate”.
Escrito por B.Machado às 15h53
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OS INOCENTES ÚTEIS
Uma perversa matemática preside à eleição dos vereadores. Por meio dela, um vereador menos votado pode passar à frente do outro mais votado, em função do tal de coeficiente partidário. Tentando superar essa matemática ardilosa, os partidos vão em busca dos “inocentes úteis”, pessoas que têm pouca probabilidade de se eleger, mas podem ajudar os que estão mais à frente a superar suas dificuldades numéricas.
Essa problemática “conta de chegar” é que explica a presença de candidatos pra lá de nanicos, que ficam na rabeira das listas, enquanto os beneficiados com seu apoio disputam os primeiros lugares. Entre estes, porém, há aqueles que ganham em números de seus opositores, mas perdem o posto, em função do pouco resultado conseguido pelos seus apoiadores da retaguarda. É o que se pode verificar pela lista dos candidatos na última eleição. O último vereador eleito, contando os votos de cima para baixo, Edson Estella, colocou-se na 15ª. posição, com 352 votos, vencendo Elias Oncinha, que teve 490, Almir, com 487 e mais outros quatro, o último dos quais teve 360 votos.
A lista dos inocentes úteis é numerosa, 55 candidatos, se considerarmos apenas aqueles que tiveram 50 votos ou menos. É muito estranha a votação obtida por alguns candidatos, que parecem abandonados neste mundo de Deus. Selecionando os últimos cinco, por exemplo, de cima para baixo, eles aparecem com o número de votos, respectivamente, de 6, 5, 4, 3, l. O primeiro, com seis votos, parece ter entrado em entendimento pelo menos com sua mulher e alguns irmãos; os outros se mostraram cada vez mais esquecidos dos seus, sendo que o último, com apenas 1 voto, ou teve apenas o seu voto, ou teve o da sua mulher ou o de um amigo e, por si mesmo, votou em outro candidato. Enfim, é uma situação que, por patética, desperta nossa curiosidade.
Escrito por B.Machado às 21h31
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QUE DÍVIDA É ESSA?
Não é à toa que se fala na deficiência das escolas, no Brasil. Ensinam-se línguas estrangeiras, mas quem diz que algum aluno é capaz de sair falando, ou ao menos lendo, em Inglês, depois de freqüentar os sete anos do chamado Ensino Médio? Também sai-se da escola “analfabeto” nas outras disciplinas, como em Geografia (poucas pessoas são capazes de localizar países, num Mapa Mundi), em História (perguntem a qualquer pessoa se a Revolução Francesa foi antes ou depois do Descobrimento do Brasil), etc. Daí que, quando algum deputado idiota propõe uma lei para acabar com o “uso de palavras estrangeiras”, ou decretar que todos nós “temos uma dívida com os negros, porque nossos avós os escravizaram”, o povo fique apalermado, sem saber que partido tomar.
Com relação ao uso de palavras estrangeiras, é bem provável, dado o grau de burrice da proposta, que o próprio Congresso o repudie. Mas a respeito de nossa (deles ou de quem queira assumi-la, apresso-me em dizer, que eu não assumo) dívida com os descendentes dos escravos, parece que ninguém percebe que, se isso pega, os gregos devem pagar sua “dívida” com os descendentes dos trácios e africanos, os romanos com os germanos e eslavos (que, por sinal, é o termo que deu origem à palavra escravo) e assim por diante. Essa suposta “dívida” tem um parentesco ideológico com o “pecado original” bíblico. Como o nosso pai mítico andou “fazendo das suas”, com a mulher, a Igreja acha que nós já nascemos “manchados” pelo pecado. Eu, hem?
Escrito por B.Machado às 19h44
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A ESLOVÊNIA E IGUAPE
Dizem que Assis Chateaubriand, que foi dono da cadeia de jornais Diários Associados, não perdia 5 minutos na companhia de gente sem importância. Leio num jornal deste mês que a Eslovênia, um pequeno país surgido do desmembramento da antiga Iugoslávia, dobrou seu PIB per capita, entre 1994 e 2007. Qual o segredo da Eslovênia? O professor de economia da Universidade de Princeton (EUA) dá a dica: ao contrário do Brasil, que fica perdendo tempo, discutindo a integração da Venezuela no Mercosul, a Eslovênia procura se integrar às grandes economias européias, aprendendo com elas, melhorando com elas. Quer dizer, a Eslovênia, como Assis Chateaubriand nas suas relações pessoais, e ao contrário do Brasil, não perde tempo na companhia de países sem importância.
E daí? O que Iguape tem a ver com isso? Vamos por partes. Monitorem o movimento das autoridades de Iguape, não só as recentes, mas as anteriores, nas suas reuniões e conchavos. Descubram a “importância” das cidades, instituições e pessoas com que eles se relacionaram. Tentem imaginar no que isso poderia melhorar nossa situação. Deu para perceber? Não vou me prolongar nestas considerações, porque o que o que poderia ter sido feito na gestão que está no fim, já foi feito. Agora é com os candidatos às próximas eleições. Se eles querem realmente mudar nossa situação, esqueçam as “Venezuelas da vida”, procurem relacionar-se com cidades e pessoas que realmente interessam, isto é, que tenham “importância”, como as pessoas cuja companhia Chateaubriand buscava.
Só para dar uma dica: que tal um escritório de turismo em Piracicaba? Esta cidade de 257.000 habitantes tem um PIB de 5,7 bilhões. Se esse escritório conseguisse atrair 1% de piracicabanos, para nossa cidade, já estaríamos “no lucro”. Além de tudo, esse escritório não custaria mais, durante um ano, do que o dinheiro gasto com a “estatística” das mesas e cadeiras dos restaurantes e bares de Iguape. Pensem, candidatos! Se essa idéia não servir, pensem em outra coisa. Mas pensem! Não entrem numa campanha política sem idéias, só com a sede do poder! Senão, para que mudar de figura, no “trono”?
Escrito por B.Machado às 18h59
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A BUSCA DO “SANTO GRAAL”
Diante do exposto, dias atrás, em nossa tentativa de análise e compreensão do funcionamento da política iguapense, qual o caminho a ser trilhado pelos políticos interessados em ganhar a próxima eleição? O diagnóstico, se correto, leva a uma conclusão: quem não estiver afinado com o esquema bipolar, terá dificuldade em se eleger. Como se encaixar nesse esquema? Em primeiro lugar, freqüentando e se aliando a seus representantes. No grupo Cocho não é fácil entrar, porque precisa do “batismo” do “herdeiro”, o que não é fácil. Quando se iniciou na política, Cabral tentou esse caminho, mas recebeu uma resposta fria e desconfiada, pouco animadora. Então o ex-policial, que era neófito nas futricas da cidade, mas não era ingênuo, voltou-se para o grupo Berne, cujas lideranças se resumiam a um ex-prefeito que se afastara da “ativa”, um filho de prefeito que não tinha apetite pelo poder e atores menores, mais “figurantes” que “personagens”, mas cuja união compôs um “enredo” com força suficiente para dar “Ibope”. E Cabral ganhou sua primeira eleição. Na sua segunda tentativa, Cabral, um pouco desgastado pelo exercício do poder, perdeu parte de seu eleitorado para um “forasteiro” e não conseguiu se reeleger.
Agora a situação é diferente: tanto o Cocho quanto o Berne estão “feridos” - o primeiro com sua figura máxima cassada, o segundo com seu líder derrotado nas eleições passadas – mas, tanto um quanto o outro não estão mortos. Seria um bom momento para os “forasteiros” entrarem em ação? (NB- o título forasteiro foi cunhado pelo ex-prefeito, quando ainda no cargo. Muita gente entendeu que ele estava se referindo a pessoas de outra cidade. Na verdade, embora haja essa referência, a denotação mais incisiva aponta para aqueles que estão “fora do esquema”). A categoria “fora do esquema” está com, pelo menos, três elementos que, por comparação aos “Cavaleiros da Távola Redonda”, poderiam ser identificados como:
1 – Tristão – Bebeu o “filtro do amor” (ao poder) e está disposto a ir às últimas conseqüências, na sua luta, não desanimando diante dos percalços que já sofreu.
2 – Lancelote – Apaixonado pela Rainha (o, para ele, fugidio, prestígio na cidade), tem acumulado “feitos memoráveis” que, no entanto, se perdem na “escuridão da floresta” dos boatos.
3 – Percival – o “puro”, na sua busca do “Santo Graal”, (a redenção da cidade), acredita no poder da persuasão (proselitismo) e das boas intenções (malgrado a advertência de Santo Agostinho).
Escrito por B.Machado às 17h35
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PARA ENTENDER IGUAPE
A história de Iguape, antes do século XIX, é um apanhado de fatos esparsos, que os historiadores juntam, como se faz com os cacos de um vaso quebrado, e ligam uns aos outros, tentando construir uma narrativa seqüencial coerente. Os interstícios dos fatos (os cacos do vaso quebrado que se perderam) são recompostos pela imaginação de cada historiador, e os dados documentados são suturados pela fantasia de cada um. Quanto mais se caminha para trás, de volta às origens, mais faltam “cacos do vaso quebrado”, isto é, dados históricos concretos e, então, mais se recorre à imaginação e, conseqüentemente, mais a história se mistura com a lenda.
Para aqueles que, nesta virada do século XX para o XXI, tentam entender os processos sociais que subsistem por debaixo dos atuais movimentos populares, dos comportamentos e atitudes dos nossos contemporâneos iguapenses, não é preciso voltar tanto no tempo. Uma rápida repassada em alguns dados históricos do município, no século XIX e XX, é suficiente.
Assim como o Egito, no dizer de Homero, foi um “presente do Nilo”, podemos dizer que nosso município foi um “presente do Rio Ribeira de Iguape”. O terreno baixo e as inundações periódicas mantiveram nas margens do Rio Ribeira um terreno propício ao cultivo do arroz, o responsável pelo grande surto econômico, no século XIX, conforme se pode ler na tese do professor Agnaldo Valentim, mestre e doutorando em História Econômica da USP: “Comércio Marítimo de Abastecimento: O Porto de Iguape (SP) 1798-1880”. Note-se que, no tempo focalizado, a força de trabalho era o escravo, o que reproduziu, em nossas terras, o esquema “Casa Grande e Senzala”, um sistema social que aprofundava a fratura entre o trabalhador braçal e o grande proprietário rural, despojando o primeiro de sua humanidade e concedendo nobreza ao segundo.
Mas isso são águas passadas. Na seqüência histórica, os descendentes dos primeiros proprietários rurais começaram a desgostar-se do desconforto da vida rural, iniciou-se a construção dos grandes casarões na cidade, e os proprietários rurais passaram a ter uma vida dupla, de plantadores de arroz e controladores políticos (leia-se coronéis) de sua região. As vilas e cidades eram regidas pelas “câmaras”, as chamadas “repúblicas municipais” e estas compostas pelos “homens bons”, quer dizer, aqueles que tinham o poder econômico. Na seqüência, com a Abolição, que resultou, num primeiro momento, numa queda na produção rural, começou um novo ciclo na relação proprietário rural/trabalhador, que deu continuidade à vocação rural do município. Ao contrário do que se pensa, o trabalhador rural livre era mais vantajoso do que o escravo. Em primeiro lugar, aceitava o trabalho voluntariamente, como meio de vida, e não custava nada, ao contrário do escravo, nessa época, caríssimo, em função da proibição do tráfico, e leis como a do “Ventre Livre”, etc. Afora isso, não precisava ser vigiado e, se morria, não era um valor que se perdia, mas uma peça da engrenagem que era substituída, sem nenhum custo.
(CONTINUA)
Escrito por B.Machado às 11h21
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PARA ENTENDER IGUAPE - CONTINUAÇÃO
No capítulo anterior, tentamos uma reconstituição da História de Iguape que pode servir de base para o entendimento do que é a cidade hoje, do ponto de vista político e social. Os fazendeiros das províncias foram o sustentáculo econômico do Império, mas quem mais se beneficiou, nessa circunstância, foram os comerciantes das grandes cidades portuárias, principalmente o Rio de Janeiro. Eram eles, os comerciantes, que ditavam os preços, os prazos de pagamento e todas as demais condições do negócio. Os fazendeiros provincianos procuraram assimilar uma parte desse mecanismo, no caso de Iguape, dando maior atenção aos detalhes do comércio do arroz, como armazenamento, beneficiamento (engenhos) e transporte, deixando, cada vez mais, o ônus da plantação para seus feitores ou capatazes, arrendatários ou para pequenos sitiantes.
Não é preciso repetir, aqui, que a economia é o principal pilar das relações sociais e políticas. Em Iguape, o coronel, dono do armazém, do engenho e do comércio do arroz, torna-se o centro das decisões políticas, na cidade. Como há mais de um coronel, fazem-se alianças, montam-se partidos, criam-se rivalidades, luta-se pelo poder. Em torno dos coronéis, gira a raia miúda, necessitada de amparo, na forma de emprego, crédito e, mesmo, proteção pessoal. Essa estrutura econômico-social só começou a ser abalada com a decadência da cultura do arroz, derrotada pela concorrência da produção em outras regiões brasileiras e pelo curuquerê. Tudo isso coincidiu com a mudança política em nível nacional, com a ascensão de Getúlio Vargas e a diminuição do poder dos coronéis agrários, pouco a pouco suplantados pelos comerciantes e industriais das grandes cidades.
O coronel agrário se foi, mas o “uso do cachimbo deixou a boca torta”. A antiga “raia miúda”, elevada à dignidade de “povo”, pelo discurso político, continuou a ser manipulada pelos novos “donos do poder”, aqueles que, por várias razões tinham ligações com o poder central, e formavam a nova elite da cidade, pendurada nos institutos oficiais, cartórios, fóruns, coletorias, delegacias e tudo o que dependia de “cartucho” e “nomeação”. A cidade se esvaziou de atividades produtivas, o que causou um enorme êxodo, principalmente de gente nova da classe média.
Um novo ciclo econômico surgiu com a industrialização da manjuba, da banana e do palmito, logo emendada com a exploração imobiliária da Ilha Comprida, que atraiu gente e dinheiro para a cidade, movimentando seu comércio e, principalmente, o setor hoteleiro. Nessas alturas, na área política, a antiga elite cartorial, produto da ditadura varguista, já tinha sido desbancada e, como acontecia em nível nacional e estadual, a demagogia, o discurso da “terra prometida” dominava o espaço político. Estava indo tudo bem, até que se deu a “virada para baixo”: a pequena indústria desapareceu, a Ilha Comprida se emancipou e aqueles que ainda resistiam, na cidade e não tinham recursos suficientes, começaram a montar pequenos negócios, agarrar-se aos empregos disponíveis, magistério, polícia, ou mudar para outra cidade. Mas voltando ao nosso tema, o fato é que Iguape continuou crescendo, não economicamente, mas demograficamente. Como a lavoura desandou, tanto pelas próprias dificuldades, como pela interferência de fatores externos, entre os quais, o impedimento de exploração nas áreas de conservação ambiental, muitos sitiantes vieram para a cidade, em busca de sustento, formando a periferia de favelas.
Em que resultou tudo isso, atualmente, na política? Na famosa mudança, necessária para que as coisas continuassem as mesmas, com outra “cara”: o velho coronelismo, fixado no imaginário popular como uma espécie de ideologia da dependência, transmudou o antigo “curral eleitoral” no clientelismo, que varia entre o “bolsa família”, o nepotismo, os grandes favores aos cabos eleitorais e as ajudas eventuais aos eleitores fiéis. Na cidade, economicamente estacionada, sem indústrias de peso, brilham os funcionários públicos, na ativa, ou na aposentadoria, de tal modo que, na próxima eleição, apenas um dos candidatos a prefeito não é desse “ramo”. Dentro desse panorama, a vida política estruturou-se segundo os modos carnavalescos: os antigos blocos, “Chaleira” e “Avança” transplantados para a política, viraram “Cocho” e “Berne”, os desfiles de carros alegóricos mudaram para a “carreata” de automóveis comuns. Quem não estiver “fantasiado”, isto é, não for cocho, nem berne, fica de fora. Do apogeu do “Carnaval” só participa o “bloco” que ganhou a eleição. O “outro”, como o “Pierrot” abandonado pela “Colombina” (a urna eleitoral) fica chorando pelos cantos, durante os quatro anos seguintes, até o próximo “Carnaval”.
Escrito por B.Machado às 11h20
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O NOVO “SANTUÁRIO”
Pode ser exagero do informante, mas diz-se que um hotel, situado nas imediações da cidade, está se tornando uma espécie de “santuário” político, tal o número, a variedade e a qualidade de seus visitantes. Com a entrada de novo ano, crispam-se as opiniões e os desejos, dividem-se as opiniões em esquemas e caminhos. Daí a diversificação dos parceiros e a busca, quem sabe, de futuros patrocinadores de uma “mudança” que se espera, para Iguape, como uma espécie de redenção, depois da mesmice administrativa que está levando a cidade de “volta para o atraso”.
Escrito por B.Machado às 09h45
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COM O PÉ ESQUERDO
O assessor de comunicação da Prefeitura de Iguape podia ser mais “soft”, em sua “Mensagem de início de ano”, publicada no “jornaleco”, como alguns partidários do prefeito que se foi, designam a Tribuna de Iguape. Logo no início da Mensagem, a primeira porretada: “Da mesma forma que escolheu seus legítimos representantes, o povo reprovou outros, aplicando-lhes, também de forma legítima, incontestáveis derrotas”. Afora o estilo um pouco canhestro, a afirmativa merece “incontestável” reparo. Não foi o povo que reprovou os “outros”, pois uma boa parte dele (do povo), 9.126 eleitores, votou em “outros” candidatos. O prefeito, então, foi eleito legitimamente, mas com 45% dos votos válidos. Se “povo = maioria”, houve uma reprovação do eleito e não dos “outros”.
Ninguém, de boa fé, vai querer negar o trabalho feito pelo prefeito cassado. Mas numa saudação ao povo, usar essa cantilena de palanque eleitoral “vem trabalhando incansavelmente”, faça-me o favor! Já não vou dizer que “não fez mais que a obrigação”, porque isso também é meio desaforado, mas o prefeito, nem esse, nem outro qualquer, não é nenhum herói mítico, nem Teseu, nem Hércules, para ficar “trabalhando incansavelmente”. Considerando-se a coisa matematicamente, se Iguape corresponde, como divisão administrativa, a 0,01% do Brasil, e o seu prefeito trabalha “incansavelmente” para administrá-lo, já pensaram no trabalho do Presidente, com os 100%? Sabemos que essa preocupação não existe, o Lula trabalha “tranqüilamente”, sem canseira, com tampo disponível para jogar futebol na Granja do Torto e tomar suas caipirinhas com os amigos.
Quanto às obras do prefeito defenestrado, não tenho nada a dizer. Meu carro reclama um pouco dos buracos no calçamento, mas isso é cacoete de carro mal acostumado. Quanto aos demais itens, outros articulistas, mais à frente, no mesmo “jornaleco dos Fortes” dão a resposta. Não parecem muito satisfeitos com a administração que se foi, mas isso, como se sabe, é mania de falar mal desses “intelectuais burros”.
Escrito por B.Machado às 18h36
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OS CONSPIRADORES
O boato de que funcionários da Prefeitura estavam boicotando o trabalho da Vice-Prefeita me fez lembrar um caso anterior, envolvendo também funcionários públicos municipais, prefeito e vice-prefeito. Em sua última gestão, Carlos Fausto Ribeiro se afastou da Prefeitura, para fazer uma operação em São Paulo. Em seu lugar ficou o vice, Laércio Ribeiro. Os amigos do Sr. Carlos acompanharam seu drama, preocupados, pois uma operação do coração não é brincadeira. Quando recebeu alta, o Sr.Carlos quis voltar à Prefeitura, mas o vice não quis ceder-lhe o lugar, apoiado por um grupo de funcionários da prefeitura, que chegaram até a fazer uma lista de apoio a Laércio, e alguns figurões da cidade. Carlos Fausto acabou retomando seu cargo, que por lei lhe era devido e um dia descobriu a lista dos funcionários conspiradores. Nela constava até um seu antigo protegido. Carlos Fausto chamou-o, mostrou seu nome na lista pediu-lhes satisfações. O indigitado, como diz a crônica policial, nem tugiu, nem mugiu.
Escrito por B.Machado às 17h44
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ANTES COMO AGORA, LÁ COMO CÁ!
Quando era prefeito de Iguape, Casimiro Teixeira pediu uma audiência com o governador Abreu Sodré. Na ante-sala do gabinete, antes de ser atendido, o prefeito teve sua atenção despertada por um quadro, onde se alinhavam as realizações do governador. Percorrendo a lista de obras, deparou com uma “ponte sobre o Rio Pequeno”. Não entendeu. Que ponte era essa? Diante do governador, depois de tratar do assunto a que viera, Casimiro perguntou-lhe sobre a “ponte do Rio Pequeno”.
- Você não viu a ponte construída?
- Governador, a ponte que está lá é de madeira, já velha!
- Não é possível, assinei a autorização, a verba saiu, a ponte foi construída!
- Desculpe a insistência, governador, mas não há nenhuma ponte sobre o Rio Pequeno.
Abreu Sodré chamou o Secretário de Obras e outros responsáveis e interrogou-os. Houve muitos constrangimentos, muito corre-corre, o governador virou uma fera. Quando Casimiro se despediu, o governador, já calmo, assegurou:
- Aguarde algum tempo, desta vez a ponte sai, e esses malandros vão ter que arranjar o dinheiro!
A ponte foi construída, com graves prejuízos para o “caixa dois”.
Escrito por B.Machado às 17h20
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Escrito por B.Machado às 15h30
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O CABOCLISMO MODERNOSO
Iguape foi uma cidade paulatinamente destruída pelo caboclismo de seus dirigentes. A Fonte do Senhor antigamente era acessada por uma alameda de bambus, que fazia um dossel que a natureza levou séculos para construir. O caboclismo quis modernizar a entrada da Fonte e destruiu o dossel de bambu. Ao lado do “caminho da Fonte”, havia um aqueduto de pedra, monumento histórico, que ia até um depósito de água, outro monumento, ambos construídos em meados do século XIX. O caboclismo achou que aquilo era uma velharia e destruiu tudo, em 1976.
O Largo do Rosário era um imenso campo, que se estendia da Igreja do mesmo nome até o cemitério. Tudo convidava para fazer daquela imensa área um local de passeio, esportes, mesmo que uma parte dele ficasse para o Fórum e o Colégio. O caboclismo, porém, optou por lotear e vender toda a área, afogando a cidade e deixando as crianças, os jovens e mesmo os adultos, sem uma opção de espaço livre. Muitas ruas de Iguape eram ladeadas por extenso arvoredo, como a antiga Rua da Palha, hoje Rua Tiradentes. Os caboclos, porém, queriam esquecer seu tempo de roça (quando viviam no meio de árvores) e derrubaram o que podiam, para se mostrarem “civilizados”, rodeados por tijolos e cimento por todos os lados.
Escrito por B.Machado às 19h19
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BOICOTE EM BAIXA!
Segundo as “boas línguas”, 6 “cabeças rolaram”, na Prefeitura. Trata-se de alguns funcionários que estavam planejando um boicote ao bom trabalho da Prefeita. A conversa de desestabilização, conforme a informação em “off”, deu-se num bar, entre garrafas de cerveja. Os sabotadores esqueceram que, em Iguape, não só as paredes, mas até as garrafas têm ouvidos.
Escrito por B.Machado às 17h04
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COMENTANDO MEUS COMENTADORES
FERNANDA SOBRAL – diz que é graduada. Acredito e digo mais: merece também uma graduação em boas maneiras. Vale a pena ler seu comentário, tirando um desvio de rumo (das boas maneiras) como “os incomodados que se mudem”, retificado com um bem humorado “mudem de canal”.
JOSUE V. DE MELLO – O rapaz descobriu a pólvora, é atualíssimo, usa expressões “up to date” como “amarrar cachorro com lingüiça”, e “o mundo mudou” (o mesmo que Alexandre, o Grande disse aos egípcios, em 333 a.C.), e faz perguntas inteligentes: “Se não houvesse fotografias, qual seria nossa memória histórica?” Como se diz em Iguape, quem inventou o alfabeto é burro! Também não avisaram ao Josue que já havia esculturas no tempo de Nabucodonosor, pinturas na Grécia de Péricles, etc. Depois reclamam quando eu digo que diploma não diminui o tamanho da orelha!
Bem, por hoje é só. Os outros me aguardem.
Escrito por B.Machado às 21h29
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A NOTA FISCAL
Esta história não foi inventada, tem duas testemunhas, ainda vivas. Um antigo prefeito de Iguape foi comprar madeira, no Sul, destinada à construção de prédios para escolas rurais. Foi com o chofer da Prefeitura e um profissional da área da construção. Na hora de tirar a nota fiscal, o dono da madeireira, acostumado a lidar com políticos, perguntou: “Que valor eu ponho?” O prefeito foi ríspido: “Ponha o preço que a madeira custou, pois esse dinheiro não é meu, é do povo!” O nome do prefeito? Carlos Fausto Ribeiro.
Escrito por B.Machado às 15h28
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UM VICE PARA O DR. MISAWA
Foi o Jânio Quadros quem divulgou a fórmula do sucesso político: “Falem de mim; podem falar mal, mas falem de mim!” Se isso funciona o prestígio do Dr. Misawa está aumentando, pois tem gente falando mal dele, até neste Blog. Também estive sabendo que o PT está interessado em apoiá-lo, fornecendo o candidato para seu vice. Desafio os leitores a adivinharem o nome do indicado!
Escrito por B.Machado às 15h17
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A COMPRA DE VOTOS
Todo mundo sabe que o chamado Turco Louco (ou Loco?), quando esteve na cidade, pagou cerveja para agradar os eleitores; que alguns políticos de Iguape também usam esse chamariz para ganhar votos, mas um candidato a vereador nas últimas eleições exagerou na dose: distribuiu notas de R$ 50,00, na zona rural, em troca de votos. O pior é que, segundo informações, ele não conseguiu alcançar o tão almejado cargo. Nas próximas eleições, ele vai ser obrigado a aumentar o “cachê”!
Escrito por B.Machado às 21h53
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PRÁ QUE ADVOGADOS?
Com essa nova trombada entre o ex-Prefeito e o Tribunal de Contas do Estado, a rejeição das contas de 2005, fica uma pergunta: se é para errar dessa maneira, pra que a Prefeitura sustenta tantos advogados? Das duas uma: ou o Prefeito não dá bola para os conselhos dos causídicos, ou eles dão conselhos errados. Nós, da iniciativa privada, para não fazermos besteira perante o fisco, usamos um contador, o que não é pouca coisa e ainda custa menos que um advogado. Talvez esse desencontro entre a fiscalização e o Prefeito esteja na raiz do desejo de muitos iguapenses de indicarem um “contador” para o cargo-mor do Município, nas próximas eleições. Pelo menos a cidade não vai continuar com essa delinqüência contábil na Prefeitura, que não ajuda em nada nossa imagem.
Escrito por B.Machado às 21h40
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PARA PENSAR
É impressionante a dependência do homem atual em relação à televisão, cinema e fotografia. O cinema já esteve em melhor posição, hoje declinou um pouco, mas a televisão está com todo vapor. O almoço pode atrasar um pouco, mas se a novela atrasar, milhões de lares protestarão. Faltar à missa é um pecado venial, perder o Fantástico é pecado mortal. Se alguém aparece na televisão, imediatamente ganha importância, mesmo sem ter feito absolutamente nada que preste. Temos um exemplo no programa Big Brother: uns panacas que ficam conversando banalidades e “se pegando”, nas horas vagas, viram celebridades do dia pra noite.
Quanto à fotografia, a facilidade das máquinas digitais transformou as festas em verdadeiras sessões de fotos, a fixação da imagem para o futuro se tornando tão ou mais importante que a alegria da festa. Quando se viaja, parece obrigação voltar com lembranças fotográficas das paisagens e das pessoas. Como a imagem pode ser revelada no computador, este entrou na dança da “telosfera”, o novo ambiente que o homem está sempre ansioso por freqüentar. Enfim, como o Narciso da lenda, a grande paixão do homem moderno, é pela sua própria imagem. A importância do “ser” foi substituída pela do “aparecer”.
Escrito por B.Machado às 11h01
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ANONIMATO E PODER
O poder não é um instinto específico, um vício da civilização ou um cacoete pessoal: é o produto final de todas as pulsões biológicas que visam à sobrevivência do ser vivo. Assim, suas manifestações assumem as mais variadas formas e estratégias, desde aquela usada pelo cachorro que guarda seu território, do leão que caça e mata o cervo, do bandido que agride sua vítima, até a do orador que ataca seus desafetos. Ele pode se manifestar como força, no enfrentamento direto, ou como covardia, no ataque pelas costas, ou, no caso do ataque verbal, pelo desaforo “na cara”, ou pela agressão sob anonimato. Este último procedimento, embora nas condições normais possa ser acoimado de antiético, foi a única arma possível para combater os regimes ditatoriais, tanto a monarquia absolutista européia, nos finais do século XVIII, como os regimes ditatoriais sul-americanos do século XX. Sob o regime democrático, ele às vezes se manifesta como uma espécie de reminiscência nostálgica ou um retardo histórico.
Escrito por B.Machado às 10h36
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A JURÉIA É LÁ!
Há tempos, li, em algum lugar, ou jornal, uma espécie de slogan ou grito de guerra que pretendia, talvez, funcionar como chamariz de turista: A JURÉIA É AQUI. Não entendi o sentido ou a intenção de quem escreveu e publicou essa informação ou brado retumbante. A Juréia que eu conheço não é cá, mas lá, há muitos quilômetros do “aqui”, onde se dizia estar. O que diríamos a um turista que, acreditando na informação, começasse a gritar, desesperadamente, no Largo da Basílica: “Onde estás tu, Juréia?” Antes desse (a meu ver) equívoco, já vinha ocorrendo outro, que falava sobre a “vocação turística” de Iguape, a cidade, aquela em que habitamos, que começa no Porto da Ribeira (ou do Ribeira, segundo os puristas) e termina na Ponte da Ilha Comprida. Está certo que se diga que temos “pontos turísticos”, no Município de Iguape. Município, segundo o Dicionário Michaelis, é “uma circunscrição territorial”, enquanto que “cidade”, ainda na definição do mesmo “pai dos burros”, é a “sede do Município”. O que nós temos na “sede do Município” é uma peregrinação religiosa no mês de agosto. Certa vez, eu até cheguei a escrever uma nota, na qual distinguia “peregrinação religiosa” de “turismo”, e aproveitava para desafiar alguém a chamar de “turismo” a peregrinação dos muçulmanos a Meca. Ninguém se arriscou a fazer isso, naturalmente, com medo da “fatwa”, aquela ameaça que assustou até a Europa, quando lá publicaram uma caricatura de Maomé.
Mas, voltando ao assunto da Juréia, na minha opinião, a sede do Departamento de Turismo da Prefeitura de Iguape deveria estar lá, naquelas belas praias, depois da foz do Rio Ribeira, onde há turistas de verdade, e não aqui, nesta pacata cidade de Iguape, cuja tranqüilidade só é perturbada pela passagem das pessoas com destino à Ilha Comprida, uma cidade realmente turística. Por falar nisso, lembro que, quando começou o movimento para a autonomia da Ilha Comprida, Laércio, o então prefeito, disse que tinha uma arma infalível para evitar essa divisão: mudar a Prefeitura para a Ilha. Laércio morreu, a idéia também morreu, e aconteceu o que aconteceu. Agora é tarde, a “porção” turística de Iguape se foi e, por isso, não adianta querer enganar os visitantes com esses “gritos de guerra” ridículos, tais como “A Juréia é aqui!” Não quero ser irônico, mas falar em turismo numa cidade na qual o restaurante mais freqüentado é “a quilo”, e que tem uma associação civil dedicada à defesa de seu Patrimônio Histórico solenemente desprezada pelo Prefeito e, por vias das conseqüências, pelos seus encarregados do Turismo e da Cultura (ou de Eventos?), falar em turismo, aqui, repito, me desculpem os bem intencionados, “mas realismo é fundamental”.
Escrito por B.Machado às 15h48
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“DUREZA” E DEMOCRACIA
O caso dos músicos cubanos que pediram asilo ao Brasil, (Folha de S.Paulo – (06/01/2008), suscita algumas considerações. Em primeiro lugar, eles deviam estar numa penúria desgraçada, porque, depois de uma longa viagem, aceitaram trabalhar recebendo cada um 25 reais por apresentação (R$ 150,00 por 6 apresentações, para cada músico, segundo o jornal). Será que comida e bebida eram de graça? Só se o “trabalho” foi apenas um pretexto para a fuga.
Outro pensamento que me ocorre é o seguinte: se houvesse uma ditadura continental, do México à Terra do Fogo, isso facilitaria a “fuga” dos chicanos (incluindo os brasileiros) para os EUA, onde eles vão procurar melhores condições de vida. Sem ditadura, os EUA não aceitam nossos migrantes que, pegos, são presos, maltratados e devolvidos ao país de origem. Ditadura justifica o emigrante, que é então chamado “refugiado político”. As informações sobre a política de Cuba são contraditórias, se a gente levar em conta como elas variam, entre os políticos do DEM e os do PSOL, mas as condições econômicas são reconhecidamente precárias, o que não é novidade, abaixo do Rio Grande. Então, o “azar” dos ibero-americanos que querem melhorar de vida nos States (e não são cubanos), é que todos vivem em democracias (olha a ironia), mesmo na Venezuela. “Pobreza não é desdouro”, como diziam os antigos livros escolares, e agora, “não é desculpa para fugir de seu país”.
Escrito por B.Machado às 12h37
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SÓ OS PROFESSORES?
Os “judas” sujeitos ao malho, no momento, são os professores. No Brasil, sempre se arranja uma desculpa besta para justificar as falhas. Agora puseram os professores na fogueira, para explicar o fraco rendimento do ensino público. Na sua coluna de domingo, Ermírio de Moraes mostra, em números, que os professores não estão sós, nessa questão de faltas ao trabalho. Mas ninguém reclama de outras categorias profissionais. Começando pelos políticos. Sem contar que Lula vive a maior parte do tempo viajando no seu avião, que custou alguns milhões de dólares ao país, “no Poder Legislativo....Em 2007, 75% dos deputados federais faltaram a mais de 25% das sessões – há casos de 50% - , lembrando que naquela Casa o expediente efetivo é de apenas três dias por semana – de terça a quinta-feira.”
Grande empresário, Ermírio de Moraes não esquece de mencionar o “sistema de pontes” que vigora entre os trabalhadores do setor privado. O dia 1º. de maio caiu numa terça, então enforca-se a segunda e, assim por diante, Corpus Christi, na quinta, 15 de novembro, etc. Juntando os feriados, as pontes, os sábados e domingos, mais as férias, o trabalhador do setor privado passa “155 dias sem trabalho – quase a metade do ano”. Não sei se “por ironia ou por amor”, o grande empresário termina seu artigo com uma frase surpreendente: “Esse assunto me intriga, porque o brasileiro é um povo trabalhador por excelência”. (!?)
Escrito por B.Machado às 11h23
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CÉU, INFERNO E PURGATÓRIO – RELEMBRANÇAS
- Vai um cafezinho?
- Vai, e rápido. Como está?
- O que você acha dessa briga de judeus e palestinos?
- É coisa pra muito tempo.
Tomou o café e saiu num passo lento e alongado, que me fez lembrar o personagem de uma velha história em quadrinhos. Fernando Henrique Cardoso não chamava muita atenção, ali, na Faculdade de Filosofia, da famosa Rua Maria Antônia. Certamente era menos famoso que seu velho mestre, Florestan Fernandes, parecia menos brilhante que José Arthur Giannotti e menos erudito que Oswaldo Porchat. Entretanto, por trás de sua simplicidade e modéstia, estava o aluno brilhante que fora convidado a dar aulas aos 21 anos e já havia escrito um livro na sua área de Sociologia. Quando o reencontrei, em Iguape, como candidato ao Senado, estava mais elegante e empertigado. Já mostrava, então, que começara a caminhar para as alturas.
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Wladimir Herzog falava com a gente com os olhos baixos. Eu só o conhecia como jornalista e bacharel em Filosofia. Judeu, nascido na Croácia, naturalizado brasileiro, só soube que era envolvido com partido político da extrema esquerda depois de sua prisão. No Bar do Zé a gente só conversava banalidades e Wlado era mais de ouvir do que falar. Seu mergulho no inferno, a seqüência de prisão, tortura e morte nas masmorras da Ditadura, marcou com ferro e fogo a História do Brasil.
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- José Dirceu é um espião, cuidado com ele!
Quem gritava isso, na frente da Faculdade de Filosofia, no meio da Rua Maria Antônia, repleta de estudantes alvoroçados, era meu conhecido, mas eu nem sabia direito seu nome. Eu o encontrara nas rodas de conversa, na casa do Padre Adolpho Crippa, o que o tornava duplamente suspeito, pois falava sobre viagens à Rússia, onde se fizera íntimo (nas suas palavras) de figuras famosas do Kremlin, e nosso anfitrião do momento era amigo de alguns figurões da Ditadura, que ele nunca nomeava, porque não era bobo. Acredito que meu anônimo conhecido criou essa pendenga com José Dirceu para chamar atenção sobre si próprio, despeitado com a fama do garanhão revolucionário, estudante de Direito da PUC, que vivia na USP. Nesse dia, José Dirceu estava no topo da escada de saída da Faculdade, e podia ser visto de vários ângulos. Dali, ele revidou:
- Espião é você, calhorda, espião e traidor!
Entre empurrões e palavrões dos partidários, os dois ainda trocaram algumas acusações, mas logo foi tudo esquecido, porque a polícia chegou e começou a debandada. Mais tarde, tomando uma cerveja com os colegas, no Bar do Zé, perguntei pelo José Dirceu.
- Sumiu, José Dirceu aparece e desaparece como uma alma penada.
A “alma penada”, um dia, subiu aos Céu, mas agora faz um estágio no Purgatório.
Escrito por B.Machado às 16h02
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EIKE BATISTA E O PORTO DE IGUAPE
Acho que devemos começar este ano enterrando alguns “cadáveres insepultos” de 2007. Um deles é o sonho do Porto de Iguape, que levou um tiro fatal com a notícia de que o milionário Eike Batista comprou uma área em Peruíbe, por 3 bilhões de reais, onde pretende construir um porto. Pela sua biografia, sabe-se que Eike Batista não “dá murro em ponta de faca”. Só porque se separou de Luma de Oliveira não quer dizer que desiste de seus projetos, pois, pelo produto desse “affair” (lembram de Sônia Braga?) pode-se constatar que ele não perdeu tempo.
É comum, em Iguape, começar uma coisa, soltar foguetes, espalhar a notícia, depois esquecer o assunto, deixando o público na expectativa do “nada”. Foi assim com o Museu da Marinha, que parou no barco da baixada, com o projeto “Santa Casa”, que terminou melancolicamente com a perda do Campo de Futebol, que fazia parte de seu patrimônio (caso realmente abominável), com a criação do Conselho do Patrimônio Histórico (que não saiu do papel – se saiu, ninguém sabe, ninguém viu), com a “pesquisa do potencial turístico de Iguape”, que ficou na constatação de que tínhamos tantos hotéis, tantos restaurantes, tantas mesas de bar, etc.(como se ninguém soubesse disso e precisasse pagar alguém para nos informar), e outros grandes “projetos” que o leitor pode relembrar. Enfim, acho melhor deixar tudo isso para trás e começar 2008 com o grito de guerra do sambista: “Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!”
Escrito por B.Machado às 15h03
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PERFIL DOS LEITORES DESTE BLOG
1 – DISCRETO – Lê e, aprove ou não, o faz interiormente, talvez comentando com algum amigo, nunca fazendo-o no próprio Blog.
2 – COMENTADOR EXPLÍCITO – Não agüenta ficar sem retrucar, aprovando ou não, o que lê. Há vários tipos de comentadores explícitos:
a) Ponderado – aprovando ou não, o faz sempre mostrando as razões disso;
b) Parcial – aprova ou desaprova, segundo um ponto de vista pessoal;
c) Revoltado – desaprova “no grito”, desqualificando Bloguista ou comentarista;
d) Porraloca – comenta, dialoga, protesta, tudo numa linguagem desordenada. Às vezes se torna divertido, pelo jeito amalucado de se expressar;
e) Erudito – corrige o Bloguista que, afinal, erra como qualquer ser humano;
a) Malcriado – aproveita o anonimato para desancar os outros.
De qualquer maneira, aproveito esta passagem de ano para agradecer a atenção de todos esses leitores (dos discretos aos malcriados) que, afinal, constituem a razão da existência e da continuidade deste Blog. Sem eles, eu me sentiria como alguém que “prega no deserto”.
Escrito por B.Machado às 17h24
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