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Blog de Benedito Machado


 

PERFIL DOS ELEITORES

1 – FANÁTICO – É aquele que grita: “moemos” se seu candidato ganha, e o acompanha, no “carnaval” da vitória, na Praça da Matriz. Se ele perde, se esconde.  Quando seu candidato está no poder, ele está tranqüilo. Ao contrário, só vive esperando a nova eleição “para se vingar”.

 

2 – ALIENADO – Não acompanha o movimento político e vota no primeiro “palpite” do amigo ao lado. É uma espécie de débil mental da política.

 

3 – CONFORMISTA – Quer ficar “bem” com quem está no poder, por isso vota naquele que acha que tem maior probabilidade de vitória. Sempre acredita que quem está no poder “tem razão”.

 

4 – BAIRRISTA – Se o candidato for estreante, quer saber o que ele vai fazer pelo seu bairro, se for “veterano”, quer saber o que já fez. Sua “visão” de administração pública não vai além de um calçamento de rua e meia dúzia de postes.  

 

5 – CLIENTE – O “clientelismo” é uma velha prática da política brasileira. O “cliente” quer saber se o candidato vai arranjar um emprego para ele ou para algum seu parente ou protegido. Fora disso, não tem conversa: ou dá emprego, ou não tem voto.

 

6 – CONSCIENTE – Nem tudo está perdido, na política brasileira. Ainda há pessoas que consideram a política como uma porta de entrada para o progresso do país ou da cidade. Ele analisa o candidato, como um dono de empresa analisa aquele que deseja ser seu empregado. Porque o administrador público não é mais do que isso: um empregado do povo.  



Escrito por B.Machado às 21h45
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O PERFIL DOS CANDIDATOS A PREFEITO

(CONTINUAÇÃO)

4 – Suave no trato, modesto nas atitudes, está mais para poeta do que para político. Tem grandes e bem articulados planos de governo, mas parece ignorar os obstáculos do caminho. Pensa, fala e age como se no mundo houvesse mais pessoas honestas, inteligentes e racionais do que interesseiros, ignorantes e idiotas. Trabalhador incansável, criativo e generoso, sente-se na obrigação de contribuir para a melhoria da cidade, mesmo que isso lhe custe tempo, dinheiro e futuras decepções.

 

            5 – Está bem a par das estratégias políticas da cidade e se comporta de acordo com elas, fingindo inocência. Nunca se sabe qual o seu próximo passo. Não cultiva inimizades, mas não recua nos seus planos e, se a conjuntura assim o exigir, pisa no rabo dos afoitos. Cultiva uma imagem de moderação e desprendimento o que tranqüiliza mesmo os que não gostam dele. Essa imagem é sua arma para agir com segurança, nas horas decisivas.

 

            6 – Tipo popular, bem humorado, escancara suas pretensões a um brilhante futuro. Esse comportamento, somado a uma deficiência no item perspicácia, tem colocado obstáculos em sua carreira política. A popularidade, no seu caso, redunda num efeito contrário ao esperado, pois a grande visibilidade denuncia suas limitações pessoais. Não se mostra propenso ao aperfeiçoamento pessoal, por se julgar suficientemente preparado para um alto posto.   

 

            7 – Figura singular, no atual panorama político de Iguape, surgiu e se firmou como uma espécie de resposta ao desgosto de um grupo de políticos de bastidores, desencantados com os rumos que tomou a administração pública de Iguape. Como todo principiante, releva mais a audácia do que a prudência, mais o subjetivo que o objetivo. Sua imagem tem permanecido no âmbito do “petit comité”, esperando o desenrolar do panorama político, para então se manifestar como uma candidatura alternativa, sem os ranços do passado.

             

 

 

 

 



Escrito por B.Machado às 18h25
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O PERFIL DOS CANDIDATOS A PREFEITO

Explicação – A identidade de uma pessoa é a mistura da percepção que ela tem de si mesma, com a percepção que os outros têm dela. Conforme a dosagem dessa mistura, a pessoa pode se mostrar arrogante, auto-suficiente, moderada ou tímida.  

N.B. – Para evitar o reconhecimento imediato, todos os perfis são apresentados como se fossem do sexo masculino, embora haja mulheres no meio.

 

            1 – Sempre sorridente, afável, adapta-se rapidamente a qualquer grupo em que se encontre. É capaz de encarar as críticas com humor, e responde pacientemente as perguntas ou objeções colocadas pelo interlocutor. Pelo menos nesta fase, não fala sobre planos de governo, mas apenas sobre adesões e sua situação no momento. Pelo jeito simples e mesmo evasivo de conversar, não se consegue perceber seu grau de cultura e seus gostos pessoais.

            2 – A postura empertigada e vigilante diz alguma coisa sobre seu passado profissional. Expõe suas idéias com clareza e convicção, mais para o dogmático do que para o dialógico. Tem sempre uma resposta bem articulada sobre qualquer assunto. Conforme o rumo da conversa, apresenta-se como especialista em Teologia, Agricultura ou conserto de radar. Não faz cerimônia para discursos: a platéia pode ser um grupo ou apenas uma pessoa, seu entusiasmo de pregador nunca esmorece.

            3 – Ágil no diálogo, é enfático e incisivo nas suas opiniões. Por isso, passa a impressão de que tem um esquema completo e infalível para uma boa administração da cidade. Acredita no poder persuasivo da palavra, e seu discurso é monoglótico, pois crê na existência de uma “linguagem universal” e não de vários “dialetos” grupais.  Por essa mesma razão, sua platéia se divide entre adeptos entusiastas e adversários ferrenhos, no meio dos quais “bóiam” basbaques indecisos.

(CONTINUA)

 

 

 



Escrito por B.Machado às 16h33
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ATÉ TU, PASTOR?

Já mencionei, neste Blog, a atenção especial que tenho pelas Notas Policiais, publicadas no Jornal Regional. Há sempre alguma coisa pitoresca ou inusitada. Nesta semana, deparei com a notícia de que um pastor evangélico (se os evangélicos já são sérios, imagine o pastor) foi pego dirigindo, bêbado e sem habilitação e, pior, em pleno Natal! O fato aconteceu em Cajati. Como diz a notícia, em “entrevista ao motorista, os policiais perceberam que R.F.I. – não deram o nome completo para não sujar a barra do pastor – além de exalar forte odor etílico (tradução = manguaça), tinha dificuldades em manter-se em pé e falar”. Terrível, esse pastor. Com esse comportamento, ele não serve nem para pastorear búfalos! 

            Outra notícia: “Homem vestido de mulher invade residência e é preso por furto” É muito comum que o ladrão se disfarce, com peruca, barba, máscara, mas disfarçado de mulher? O pior é que ele teve todo esse trabalho para roubar apenas “um celular”! O jornal acrescenta que o meliante tinha “aparência de travesti”. O que será que ainda faltava para “ser um travesti” e não apenas ter “a aparência”? Não estava rebolando o suficiente? Falou grosso? Faltaram esclarecimentos, nessa notícia.

            Mais uma: “Presidiário é detido durante indulto de natal (sic, com minúscula), após agredir esposa”. O texto esclarece que JJMG, “usufruía do indulto de natal (sic) e desde que chegou em sua residência estava ameaçando sua amásia (ué, não era esposa?) e suas duas filhas”. Parece que nosso amigo seguiu o conselho do chinês: “Quando chegar em casa, bata na sua mulher, você não sabe porque, mas ela sabe!”



Escrito por B.Machado às 10h46
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LULA, OS PADRES E A FOME

O “caso Lancelotti” rolou, rolou, todo mundo sabendo da verdade, que estava mais clara que o sol do meio-dia, e com declarações estapafúrdias, de advogados e bispos, até que Lula entrou na arena e, com seu estilo elegante e sutil, soltou a frase do ano: “Neste país, todas a vezes em que alguém tenta olhar para os pobres, toma cacete a vida inteira”.

Também notável pelo senso de observação foi sua frase sobre a greve de fome do Bispo D.Luiz Cappio, por conta do protesto contra a transposição do Rio São Francisco: “Eu sei o que é greve de fome, dá uma fome danada!” O mais interessante, a respeito disso, foi a revelação de Elio Gaspari: “Em 1980, quando estava preso, ele (Lula) liderou uma greve de fome na cela. Só que mantinha umas balas escondidas e acabou sendo flagrado, comendo, por um colega”. Grande Lula!



Escrito por B.Machado às 10h41
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BALANÇO DOS CANDIDATOS

No ano que está chegando, as candidaturas a Prefeito vão, finalmente, “sair da gaveta”. Por enquanto, os candidatos garantidos são Nicol e Antônio Carlos Misawa. Cabral precisa “limpar uns papéis” no Fórum, a pendenga Wilson X  Ximbica está em andamento (não sei se o Wilson sabe disso, mas o Ximbica sabe), Da. Beth, discreta, só vai se pronunciar no último momento, e Neto depende da futura solução do caso Cabral, já que é também é do PSDB. Por falar em Neto, é sabido que a idéia do lançamento de sua candidatura ocorreu numa reunião (secreta, é claro) na Maçonaria. Aqui, aparece o paradoxo da política iguapense: se o fato foi secreto, como a cidade inteira ficou sabendo disso? A Maçonaria do Ariovaldo é mais discreta. Aqui entra outro paradoxo de Iguape: antigamente havia UMA maçonaria (lembram da Independência do Brasil, José Bonifácio, etc?). Em Iguape, pelo contrário, há maçonarias a “dar com o pau”. Se isso beneficiasse a cidade, aí, então, Iguape seria, realmente, a “Princesa do Litoral”!



Escrito por B.Machado às 15h42
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O QUE CORRE POR AÍ.....

Sabe-se, agora, a razão da irritação de Edson Estela, durante a posse de Da. Beth. Ariovaldo havia feito um acordo com ele e Da. Beth: após seu afastamento, ela desistiria do cargo, deixando o Edson como prefeito e, em troca, ele apoiaria a Vice para sucedê-lo, nas próximas eleições. Na hora do “vamos ver”, entretanto, Da. Beth (que não nasceu ontem, e sabe o que é promessa de político) assumiu o cargo e deixou o Edson a “ver navios”.  Com isso, ela fica neste ano, como Prefeita, e ainda pode se candidatar para o próximo período. Afinal, com ela no páreo, a quem o Ariovaldo ia querer apoiar?

            Segundo alguns “analistas” de plantão, a promessa do Ariovaldo era “conversa prá boi dormir”, só para manter o apoio do Edson Estela em tudo que quisesse. Este chegou até a  acompanhá-lo no Fórum, como testemunha favorável, dando um depoimento “manero”, na questão do “Sindicato Rural” fantasma (Iguape e seus fantasmas), criado e mantido pelo Ariovaldo para afrontar o sindicalista Nicol.



Escrito por B.Machado às 15h20
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“SACO DE GATOS” (conclusão)

                           “Não há inocência na política.” Luís Nassif

Fazendo um resumo do artigo anterior, conforme o autor de “Saco de Gatos”, a política brasileira está bem encaixada no esquema traçado pelo Consenso de Washington, embora seus protagonistas neguem de pé junto e até reneguem os pressupostos que estão levando o país, como o cordeiro para o sacrifício, ao sistema do capitalismo globalizado, comandando pelos EUA. As figuras políticas selecionadas cuidadosamente para o bom êxito do plano são, como vimos, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva, seu “rival” de mentirinha, fazendo figura para a opinião pública. O livro especifica detalhes e conversas de bastidores, mas agora que tudo se consolidou, basta mencionar alguns episódios da história, amplamente conhecidos. Tirante a passagem dramática de Collor, que precisou ser arrastado para fora do poder, com uma inesperada acusação, provinda do próprio irmão, as coisas começaram a caminhar de acordo com o plano inicial. Lula foi se tornando mais conhecido, o breve interregno de Itamar preparou o caminho para a Presidência, de Fernando Henrique, cujo Plano Real se adaptou aos planos gerais do Consenso. Durante o governo FHC, o PT aumentou seu potencial, com um violento discurso de oposição que, embora fingido (o que ficou provado mais tarde, quando ele, na Presidência, adotou a mesma política que combatia), preparou seu grupo para a sucessão, no governo federal. O PSDB ajudou essa ascensão do “Sapo barbudo”, como o chamava Brizola, fazendo “corpo mole” para os seus candidatos, o último dos quais, Alckmin, o “picolé de chuchu” era decididamente, um moleirão, sem possibilidades de vitória e foi jogado na “cova dos leões” para que o plano global tivesse sucesso.

            Segundo Rogério de Almeida, episódios durante a ditadura militar aproximaram Lula e FHC, ambos perseguidos, o que deve ter dado oportunidade para um planejamento posterior, de rivalidade com “cartas marcadas”.  Para o governo americano e os economistas responsáveis pelo “Consenso de Washington”, a “jogada” foi perfeita. Os dois “atores” do drama brasileiro se comportaram conforme o figurino. O Brasil “entrou de sola”, na globalização, funcionando, para o bem de todos, como o fornecedor de produtos primários (ferro, alumínio, soja), e importador de produtos tecnologicamente acabados, tal como sempre fez, desde a colonização portuguesa, quando fornecia pau-brasil, açúcar e ouro, importando azeite e vinho de Portugal e, mais tarde, os produtos industrializados da Inglaterra. O círculo se fechou. Os brasileiros estavam satisfeitos com FHC, como agora estão com Lula, todos estão realizados, o PIB vai subindo devagar, o consumo de produtos populares deu um salto, configurando a ascensão das classes baixas, a classe média perplexa, como sempre, porque fica entre dois fogos, sem saber que partido tomar, mas indo na direção da corrente, por conveniência, os ricos cada vez mais ricos, a Bolsa de Valores, bem como nunca, e alguns milionários, como o Gerdau e Ermírio de Morais, até escrevem artigos dando conselhos aos leitores, sobre educação e câmbio, tudo uma maravilha. O país vai de vento em popa, dentro de algumas décadas estaremos em condições de disputar os primeiros lugares, na economia mundial, entre os EUA, a China, o Japão e a Alemanha, se a água do mar, por efeito do descongelamento das calotas polares, não houver submergido os portos de Belém, Salvador, Rio de Janeiro e Santos. Enfim, se....   



Escrito por B.Machado às 11h03
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SACO DE GATOS”

No livro “Saco de Gatos”, o sociólogo Rogério de Almeida, faz um apanhado do movimento da política brasileira, nos últimos quarenta anos, mostrando o entrosamento entre as correntes aparentemente rivais, e sua combinação para manter e distribuir o poder político entre si. A metáfora do “saco de gatos” dá o tom da análise. Saco de gatos e uma expressão usada, de modo geral, para designar agrupamentos de pessoas que vivem brigando entre si. Entretanto, o saco de gatos focalizado pelo autor, como ele trata de esclarecer no início do trabalho, tem a particularidade de que os “gatos” briguentos são atores que “fingem” brigar, para dividir e galvanizar a platéia, isto é, o eleitorado, que assim forma opinião, escolhendo um dos dois partidos, contrários entre si, os quais, no entanto, fazem o mesmo “jogo”. É claro que, no meio dessa confusa disputa, não é possível evitar que entrem “gatos estranhos”, partidos que não conhecem a “combinação” e acabam brigando sinceramente, mas esses intrusos, além de ineficientes, são minoria, o que lhes garante a permissão de entrar no jogo, onde, ao contrário do que pensam, em vez de lutar pela democracia, ou o que quer que “sonhem” estar fazendo, exercem o papel de inocentes úteis.

            A história se inicia no chamado “Consenso de Washington”, conjunto de medidas formulado em 1989, por economistas de instituições financeiras como o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Departamento do Tesouro dos EUA, e outros. A idéia era propiciar condições para que os países em desenvolvimento ajustassem suas economias ao grande surto comercial, industrial e financeiro, promovido pela iminente globalização. No Brasil, diante da visível corrosão da ditadura militar, a opção era cooptar a chamada “esquerda”, que já se mostrava, a qualquer observador atento, como um autêntico “saco de gatos”, não só na sua porção mais antiga e conhecida, dividida entre os vários partidos comunistas e socialistas, como nas subdivisões que atingiam o mundo operário e estudantil. Os espertos economistas americanos, instruídos pela própria literatura “crioula”, ficcional ou científica, sabiam que neste terreiro multirracial latino-americano, os conceitos de “república” e “cidadania”, entre outros, eram artigos importados, usados canhestramente por alguns cidadãos ingênuos, e manipulados pelos espertalhões que com eles esperavam chegar ao poder. Por outro lado, na arena das discussões políticas, se percebia nitidamente que, por baixo do variado colorido das tendências políticas, rosnavam rivalidades classistas, ambições pequeno-burguesas e frustrações pessoais de indivíduos, cuja ambição era alcançar algo maior do que lhes permitiria sua representatividade cívica.

                 Feito o diagnóstico, era preciso atentar para a evolução do “estado real do paciente”. O fim da ditadura militar e a eleição frustrada de Tancredo Neves, em 1985, tinham preparado o caminho. A passagem anódina de Sarney, pelo governo, embora seu plano voluntarista de combate à inflação tenha, por um lado, criado uma atmosfera desfavorável à aplicação das medidas mais seguras do Consenso de Washington, de certa maneira serviu para que se abrisse o caminho para a passagem dos escolhidos para os novos tempos, que deviam sair da esquerda moderada brasileira, mais capaz de empolgar o povo do que os carcomidos personagens da direita, comprometidos com a ditadura que morria e com os modos arcaicos de produção, como os latifúndios e o extrativismo. Após uma adequada fervura no caldeirão da política brasileira, e a decantação dos componentes ativos, houve uma separação dos “cristais” que deveriam participar da vitrina onde o povo vai escolher seus mandatários: de um lado, a turma do PSDB, em cuja vanguarda brilhava Fernando Henrique Cardoso, com seu passado de professor de fama internacional, e obras publicadas e, no outro, o PT, com Lula à frente, exibindo, como troféu, sua origem humilde e, em contraste com o seu “aparente” adversário, um homem semi-alfabetizado.        

CONTINUA



Escrito por B.Machado às 15h13
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A LEI É PARA TODOS?

A irmã da Prefeita parou em local proibido, foi multada. Protestou, foi à Prefeitura e “quebrou o galho”: não pagou a multa. A lei é só para os outros?



Escrito por B.Machado às 14h43
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A PREFEITA DÁ A PARTIDA

Começam a aparecer os primeiros sinais de mudança na Prefeitura, pela ausência de alguns auxiliares, que não foram convocados para a primeira reunião com a Prefeita. Entre os, aparentemente, excluídos está um advogado. No momento, com tanta festa por aí, é preciso ir com calma. As novidades virão no começo do próximo ano.



Escrito por B.Machado às 15h31
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IGUAPE, PARA PRINCIPIANTES - II 

1 – Para ficar conhecido, em Iguape, mais valem alguns minutos na mídia do que muitos anos de ação comunitária.

Há tempos atrás, editei um jornal por dois anos e o primeiro e único guia turístico de Iguape, escrevi um livro sobre o Bom Jesus, participei de todas as discussões importantes, para a cidade, na Câmara de Vereadores e junto ao Prefeito, trouxe um técnico do CEPAM para melhorar a rotina administrativa da Prefeitura, etc. Mas, também na mesma época, por acaso, entrei no programa “Cidade contra Cidade” e apareci por 15 minutos na televisão. Uma vez, conversando com uma senhora, perguntei-lhe:

            - A senhora me conhece?

– Sim!

– De onde? 

- Da televisão!

Quinze minutos na telinha funcionaram melhor para minha imagem do que anos de dedicação à cidade.   

 

2 – Se pretende ser candidato a algum cargo eletivo, não faça nada que “pareça” errado, não que seja propriamente errado. O povo esquece o que você fez de bom, mas jamais esquece o que você fez, que lhe “pareceu” ruim.  

 

3 – Junte-se aos bons e você será visto como bom.

            Isso vale também para o lado negativo. Seus amigos têm uma parte da responsabilidade sobre sua reputação. Se você é amigo de conhecidos maconheiros, você É maconheiro. Veado, então, nem é preciso ser muito amigo, basta um papinho casual numa esquina. Acrescente-se,  também, o “lado político”: juntou-se ao Berne é Berne, juntou-se ao Cocho é Cocho. Se você tentar confirmar isso com alguém, ele vai negar. Ninguém entrega. 

 



Escrito por B.Machado às 15h18
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CHAVEZ AJUDA OS POBRES DOS EUA

Se você contar isso a alguém, como piada, ele vai achar que é piada mesmo: Chavez, o presidente maluco da Venezuela,  está distribuindo, neste inverno, por meio de sua subsidiária nos EUA, a Citgo, 45 milhões de galões de óleo a famílias pobres de 23 estados americanos, incluindo parte do Bronx, o bairro pobre de Nova York, que fica ao lado de Manhattan. Como se sabe, o inverno americano é rigoroso, então a  calefação, por meio do óleo combustível, é uma necessidade tão grande quanto o alimento. Chavez está fazendo com os pobres americanos o que o Brasil, de FHC a Lula, faz com os pobres brasileiros: distribuição da “bolsa-família”, lá transmudada em “bolsa-calor”.



Escrito por B.Machado às 15h56
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JUSTIÇA? QUAL O QUÊ!

Todo mundo sabe que a Justiça brasileira é lenta, lenta demais, principalmente quando a gente precisa dela, por isso é sempre preferível resolver as coisas informalmente, para evitar desperdício de tempo. Mas esse caso, relatado na Folha de S.Paulo, nesta véspera de Natal, bateu o recorde: 93 anos para se decidir uma ação. Se fosse uma ação contra um prefeito de Iguape, ele poderia ter cumprido vários mandatos, tranqüilamente. Bem, mas o que eu queria dizer é que tive um demorado caso com a Justiça, mas que, perto deste, foi “fichinha”.

            Aconteceu o seguinte: um meu inquilino abandonou a casa alugada, antes do término do contrato, deixou suas coisas dentro dela e levou a chave. O que eu poderia fazer? O advogado, consultado, disse que eu precisaria abrir um processo para reintegração de posse. Começou, aí, minha odisséia. A cada papel pedido e arranjado, o juiz pedia outro (isso cofirma minha teoria de que a lei é imperfeita, mas seus executores são mais imperfeitos, ainda, e o fato de serem humanos é apenas um pretexto, não uma razão). Bem, para resumir, depois de um ano, a coisa ainda não tinha sido resolvida. Abandonei o processo, paguei as despesas do advogado, chamei um chaveiro, abri a porta, tirei de dentro as coisas do inquilino fujão, e re-aluguei o imóvel. Se fosse esperar pela Justiça (Justiça?) não sei se já teria resolvido o caso, ou se repetiria aquele processo de 93 anos de idade.  



Escrito por B.Machado às 19h36
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BRASIL, TEM JEITO?

A gente pode pensar que tem, se deixar de ler jornais. É só olhar as manchetes e a gente desanima: MAIS DE 1/3 DOS VÔOS TEM PROBLEMAS. Mudam ministros, dirigentes da ANAC, fazem promessas, arrumam aeroportos, e tudo continua no mesmo. Será possível que os brasileiros nunca vão ter sossego?

            Outra manchete: 50% DOS ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTE SÃO PERDIDOS. Tanta gente na fila dos transplante e esse desperdício, por falta de cuidado, de autoridade responsável e de gestão hospitalar.

            QUADROS ROUBADOS NO MASP, SOB O NARIZ DE QUATRO VIGILANTES. Se os vigilantes fossem presos, suspeitos de colaboração com os ladrões, os que os substituiriam, provavelmente tomariam mais cuidado. Mas tudo vai ficar na mesma. Além do mais, esse Júlio Neves, que, se não me engano, é o diretor, ou presidente, sei lá, do Museu, é um pilantra, cria do Paulo Maluf. Com gente dessa laia, encarregado de gerenciar um museu, só pode dar nisso.



Escrito por B.Machado às 16h14
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CRÔNICA SOCIAL, ONTEM E HOJE

Houve um tempo em que ser “society” era respeitável. Hoje é ridículo. Pelo menos é o que se infere de seu (da society) modo de aparecer na mídia. Antigamente o Ibrahin Sued, o Jacinto de Thormes e outros cronistas menos votados apresentavam os membros da alta sociedade, tanto de São Paulo como do Rio como pessoas a quem se devia invejar, pela sua riqueza, educação e comportamento. E as falas, os eventos, os personagens eram mostrados numa redoma de deslumbramento, que causava inveja aos mortais comuns.

            Agora não. Embora a fortuna dos “vips” atuais seja até maior do que aquela dos antigos, por força de uma economia mais pujante, seu aparecimento na midia dá mais piadas do que  louvores. Vejam só como a inauguração do iate “Pink Fleet” do empresário Eike Batista aparece na crônica de Mônica Bergamo: “O voo fretado...está marcardo para 19h e ninguém apareceu em Cumbica. Saiu às20 hs.” “Dos 174 lugares do Airbus-A300, apenas 66 estão ocupados. Niguém é famoso”. A cronista observa que o filho do empresário tem o “cabelo muito louro de farmácia”. O garoto (filho de Luma de Oliveira, que já não é mulher do empresário, substituído por outra) declara: “Meus amigos dizem que minha mãe é uma gostosa (rindo). Não ligo. Eu tenho o maior orgulho dela”. Enquanto o orador oficial do evento, o apresentador Huck elogia o empresário e o governador Sérgio Cabral, que está presente, a cronista registra a fala de uma mulher na platéia, que diz entre dentes:”Cambada de canalhas, filhos da p...! Olha a cara deles”  

            Isso foi só uma amostra. A pergunta que se impõe é: vale a pena hoje ser VIP, convidar esse povo e esses cronistas de jornal para que eles o cubram de ridículo?



Escrito por B.Machado às 17h31
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ÚLTIMA (E MALTRATADA) FLOR DO LÁCIO

O esforço dos professores de Língua Portuguesa não tem sido recompensado, em Iguape. É só ler alguma coisa, em qualquer lugar, que os erros saltam à vista. Há um cartaz, pregado em vários locais, sobre a Festa de São Benedito, no qual se lê: “De 03 à 06”. Não sei o que esses zeros estão fazendo ali, mas a crase é, decididamente, uma intrusa.

            A ACIGUAPE espalhou um panfleto pela cidade onde se lê: “Não doe esmolas e gorjetas você pode estar conduzindo mais um ser-humano para a sargeta!!!” Rimou mas errou. A mim me pareceu que o que está indo para a SARJETA é a Língua Portuguesa. Há, ainda, no texto SER-HUMANO, com um hífen desnecessário. Já não digo nada sobre a falta de pontuação do texto. O “Sargeta” se repete, ainda, pelos dois lados do panfleto. Na continuidade da mensagem, de boa vontade, mas de mau Português, há ainda um “Destine sua colaboração as instituições....”, onde o “as” clama desesperado por aquela crase indevidamente “gasta” no cartaz de São Benedito!  



Escrito por B.Machado às 15h25
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          PAPAGAIO COME MILHO, PERIQUITO LEVA A FAMA

            Falava-se muito em corrupção, na Prefeitura, no tempo do Zelão, Plínio, etc. Pensava-se sempre no prefeito, nunca em seus assessores. Entretanto, naquela época, não lembro em que legislatura, um desses assessores começou a construir uma enorme casa, com seu salariozinho de 1.000 e poucas pratas. De repente perdeu o cargo e a construção parou. Quando reconquistou o cargo, a casa foi concluída! Será que houve alguma relação entre uma coisa e outra? Durante seu mandato, o Plínio vivia viajando. Isso era fato notório. O que não era muito notório era que, enquanto ele viajava, seus assessores “faziam a festa”, na Prefeitura.É verdade que o prefeito não viajava por obrigação do cargo, mas para vender lotes de terrenos da Ilha Comprida, não estamos querendo justificá-lo, mas é preciso saber que há poucos inocentes, nessa história.

            Se os funcionários da Tardelli abrissem a boca, a gente ia ficar sabendo de onde veio a fortuna de muita gente que anda quietinha, por aí. A grana faturada pelos assessores do prefeito, durante a construção da ponte para a Ilha Comprida, só foi menor do que aquela ganha pelos cartórios de Iguape, com a “legalização” dos terrenos da própria Ilha Comprida. A Bi-Municipal é continuação de toda essa malandragem, armada nos bons tempos da construção da ponte, que custou mais do que o dobro do preço que a Tardelli cobrou.

            Concluindo: papagaio come milho (e como come), e periquito leva a fama (mas também come muito bem).



Escrito por B.Machado às 14h57
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SOBRE OS COMENTÁRIOS AO BLOG

Fico feliz em ver o interesse que alguns dos assuntos levantados pelo meu Blog têm despertado nos leitores, estimulando-os a comentá-los e debatê-los entre si. Ao mesmo tempo, não posso deixar de reparar que alguns desses comentadores se excedem no palavrório, descendo até a ofensas pessoais. Mesmo em sua qualidade de virtual, o Blog é um espaço público, portanto sujeito a regras de bom senso, entre as quais a mais importante é o respeito mútuo. Sem isso, o espaço deixa de ser público, porque alguns temem freqüentá-lo, fazendo-o parecer, numa versão concreta, uma praça cheia de delinqüentes, onde o cidadão honesto e pacífico não tem vez. Para que o Blog continue a funcionar como uma tribuna livre é imprescindível que seus freqüentadores se considerem iguais entre si, o que não ocorre quando há ofensa, pois esta é uma tentativa de desqualificar e rebaixar o interlocutor, portanto considerá-lo inferior.



Escrito por B.Machado às 16h20
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A HORA E A VEZ DOS “COROAS”

Em sua seção na Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein, comentando a “tragédia do ensino médio público, do qual apenas 5% dos estudantes saem com conhecimentos apropriados em língua portuguesa”, mostra que, enquanto o número de trabalhadores entre 16 e 17 anos caiu 2%, os “tiozões”, homens mais velhos, avançaram 9,77%, no mercado de trabalho. O articulista mostra com isso que o ensino já foi bom, por isso os “velhos” estão mais preparados, daí a desconfiança do mercado de trabalho com a garotada nova.

Quem tem um pouco mais de idade, já sabia isso. Sem citar nomes, aqui mesmo em Iguape, um homem que tinha apenas o curso primário foi encarregado das finanças da Prefeitura e exerceu atividades de administrador de empresas, durante muito tempo. Mais do que isso, outro, que nem terminou o primário, foi o maior empresário da cidade. Este poderia dar lições de administração de empresas para os atuais bacharéis da matéria.  



Escrito por B.Machado às 14h55
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IGUAPE, PARA PRINCIPIANTES

Para conviver em Iguape é preciso aprender algumas regras aqui vigentes. Não são poucas, por isso é preciso sempre repassá-las, mentalmente, para tê-las sempre à mão. Vejamos algumas:

1 – O sucesso é ofensa pessoal.

A frase é do Antônio Carlos Jobim, referindo-se ao Brasil, e serve direitinho, em Iguape. Minha experiência no assunto é esclarecedora. Ganhei um concurso literário e imediatamente veio o “esclarecimento”: eu tinha um parente no júri. Ninguém leu os trabalhos, nem o meu, nem os dos concorrentes, mas fomos julgados e condenados, “a priori”, eu e o membro do júri!

 

2 – Se uma atitude ou tarefa prometer vantagem ou lucro faça você, se vai dar prejuízo ou “dor de cabeça”, passe para outro. 

            Isso vale para negócios, propriamente, ou para críticas a autoridades, reivindicações,  movimentos de cidadania ou filantropia. 

 

3 – Se você fizer alguma coisa bonita ou importante, só vai ficar sabendo quem viu. Se você der um peido na presença de alguém, a cidade inteira vai saber disso.

- Por hoje é só, mas a lista continua.



Escrito por B.Machado às 14h51
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O ARDOR PARTIDÁRIO

Há muitos cidadãos se inscrevendo em partidos políticos e discutindo os novos rumos da administração da cidade, pensando na melhoria de suas condições. Entretando, entre eles também se misturam aqueles que pensam no partido como uma sociedade cooperativa de colocação em bons empregos. Não pensem que essa é uma tendência contemporânea. O Brasil sempre foi um país em que a maioria da população vive na expectativa de encontrar um mandachuva que facilite uma sinecura em repartição pública. E a culpa não cabe aos brasileiros: a culpa é da própria administração pública que temos. É só ponderar nos fatos:

1)      Funcionário público pode malandrear, que não é mandado embora;

2)      Funcionário público não tem metas (quantidade de produção);

3)      Funcionário público se aposenta com salário integral;

4)      Funcionário público é promovido por tempo de serviço, não por mérito.

Não pensem que estou falando “de orelha”. Já fui funcionário público, concursado, quando mais jovem e deixei de sê-lo porque não agüentei a pasmaceira. E o que disse acima, sobre as vantagens do cargo público, foi o que meus colegas de serviço me disseram, quando me despedi deles.



Escrito por B.Machado às 22h12
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LULA E FHC

Tem razão o leitor Dirceu M. Nardes, quando diz que muitos dos pilantras que estão com Lula, já estavam com FHC. E digo mais, antes da quadrilha dos Mensalões de Lula já tinha havido um mensalão mineiro, da banda do PSDB. Só que a intenção do leitor, quando nos critica, o faz pelo viés de uma pretensa omissão nossa, algo impróprio no caso, pois não estamos comparando um governo com outro. E se estivéssemos no tempo de FHC, não pouparíamos críticas, se assim o pedissem os fatos políticos.

            Dito isso, já que a “conversa” foi provocada nesse sentido, não custa nada fazer comparações. Não vou repisar o já conhecido, que Lula foi contra o Plano Real (de FHC), contra a CPMF (de FHC), contra o capitalismo (dizia-se socialista, mas duvido que tenha lido uma linha de Marx, ao contrário de FHC). Acho que o mais importante, nessa comparação, é rastrear a conduta de cada um dos dois presidentes, para ver no que se parecem e no que diferem, mesmo sem fazer juízos de valor.

            Quem foi Lula? Um sindicalista, especialista em fazer discursos convocando os operários para greves. Tirando sua especialidade profissional, o que mais ele era? Que contribuição ele deu para o país, antes de ser Presidente? Sua carreira “profissional” se resume a suplente (1969), 1º. Secretário (1972), Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (1975). Não há dúvida que é uma bonita carreira, como sindicalista, e dai? Ganhou uma eleição por persistência (4 derrotas), na 5ª. vez que concorreu, e a seguinte porque distribuiu cestas básicas para os eleitores (o que equivale a comprar os votos).   

            Verdade? Não inteiramente. Lula representa uma nova fase na política brasileira. Reduzir sua carreira a um paraquedismo político é desmerecer a inteligência do interlocutor. Sua figura só vai ser julgada de modo imparcial numa perspectiva histórica, daqui há décadas. Isso não impede que a gente aponte, agora, as chagas da corrupção, misturadas ao seu “faz de conta que não vê”. Para nós, com o alcance “municipal” de nossas críticas, isso serve para manter a atenção sobre nossos próprios políticos. Porque nossa tolerância com a corrupção nacional será um encorajamento para a corrupção municipal. E nossa obrigação é lutar contra isso. Malhando lá, com um olho cá. Batendo lá para que se perceba cá.



Escrito por B.Machado às 21h27
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CREPÚSCULO DOS DEUSES

Ariovaldo Trigo Teixeira não é mais prefeito de Iguape. Agora é apenas um cidadão como todos nós. Em vista disso, ficam encerradas as críticas de sua atuação, no cargo público. Está claro que não é preciso esquecer que, como prefeito, ele foi arrogante, parcial, vingativo, nepotista, pois isso faz parte de sua história, mas também é bom frisar que há muito pouca gente do ramo por aí com direito a atirar a primeira pedra. A nossa cobrança, enquanto ele esteve no poder, não era contra as suas características enquanto pessoa física, mas contra os reflexos desse especial feitio psicológico na sua atuação de administrador. Como dizia Santo Agostinho, não se deve odiar o pecador, mas o pecado. Qualquer leitor da História do Brasil sabe que essa deformada atuação política é produto de uma pesada herança, que se expressa na cordialidade (a atuação emocional, antes que racional), no arbítrio, em lugar da imparcialidade da Lei, no despotismo, em vez da atuação colegiada dos poderes. Além de empolgar os detentores dos cargos, essa atuação arcaica dos políticos municipais brasileiros teve um efeito maléfico sobre o comportamento do corpo burocrático (a tirania dos guichês), e contaminou uma boa parte dos cidadãos, principalmente os mais carentes que, diante da demonstração de força, acabam ignorando seus próprios direitos, se refugiam nas falsas mantas da “vitimização”, forjadas pelo populismo, e terminam compondo um eleitorado dócil à retórica da demagogia.    



Escrito por B.Machado às 17h17
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PREFEITURA PRA QUÊ?

O deputado Samuel Moreira, do PSDB, presta contas de sua atuação, neste ano, junto ao Governo Estadual, com respeito ao Município de Iguape: 14 concessões de verbas, para obras diversas, somando R$ 3.224.000,00. Com esse dinheiro foram recapeadas e pavimentadas estradas e ruas, canalizados córregos, arrumados prédios escolares, etc. Além dessa atuação, que teve efeito direto para o Município, há outras, de âmbito regional que, indiretamente, podem nos beneficiar, como aquelas que dizem respeito à saúde, energia elétrica, etc. Com isso, percebemos que a função do prefeito, numa cidade carente, como Iguape, além de ficar de “chapéu na mão”, à espera dos favores de deputados, se resume em inaugurar obras pagas pelos governos estaduais e federais, com foguetes e discursos de auto-elogios, entremeados de pragas contra os “inimigos”. Para que serve, então, todo o aparato burocrático da Prefeitura? Centenas de funcionários, computadores, telefones, papéis e toda a tralha de escritório, para quê? Para administrar um caminhão de lixo e meia dúzia de varredores de rua?



Escrito por B.Machado às 16h36
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A INVERSÃO DE VALORES

O caso da menina, encarcerada junto com bandidos, numa cadeia, no Estado do Pará, suscita muitas revelações a respeito do que está acontecendo no Brasil, com respeito às leis e outras instituições públicas. O que se nota, cada vez mais, é a inversão de valores, entre os defensores da lei e os praticantes do crime. O que deveria ser normal é que a autoridade zelasse pelo cumprimento das leis, mas o que temos visto, todos os dias, em âmbito federal, estadual e municipal, é a autoridade fugindo ao seu dever, levantando empecilhos, tentando tapar com a “peneira” dos recursos judiciais o “sol” da lesão aos estatutos legais. No caso do Pará, essa situação chegou ao seu paroxismo: não foi um honesto cidadão, mas um dos presos, um delinqüente, enfim, quem denunciou o crime que as autoridades constituídas, guardas, delegados, juizes e, em última instância, pelo desleixo, a Governadora, estavam cometendo. Quer dizer, as autoridades cometeram um ato tão lesivo aos direitos humanos que até um bandido saiu em socorro da vítima!



Escrito por B.Machado às 14h28
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OS ÁULICOS MUNICIPAIS

Chamavam-se áulicos, antigamente, aqueles nobres que viviam à sombra do poder real, usufruindo de seus bens e participando, um pouco, de sua autoridade. Não se confundiam, porém, com os verdadeiros funcionários, aqueles que “tocavam o barco” da administração e dos negócios públicos. Os tempos mudaram, o rei desapareceu, mas os áulicos continuaram, em nível federal, estadual e municipal. E assim como era antigamente, a empáfia e simulação de poder dos atuais áulicos não é pequena. Encastelam-se atrás de seus cargos e ficam “curtindo” sua majestade, como se ali tivessem nascido. Mas o tempo passa e, com ele, também muda o ânimo do chefe. E um dia, por “dá cá essa palha”, o titular do trono está meio de saco cheio, perde a paciência com alguma bobagem e, então, um áulico municipal é defenestrado. E o que acontece, então? Onde foi a empáfia e a “otoridade” daquele grande homem? O gato comeu. No meio da rua, fora de sua mesa, o antes “bem informado” e “bem articulado” burocrata, cai no vácuo, reduzido à sua própria insignificância. Sua “nobreza e capacidade” era a do foco da luz emanada do “trono”. Perdida a posição, ei-lo, de novo, mergulhado na escuridão de sua própria mediocridade.   



Escrito por B.Machado às 15h06
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MEFISTO E O SILOGISMO

Mefisto é um cultor fiel da Lógica de Aristóteles. Só que seus silogismos são um pouco mais complicados do que o enxuto esquema do filósofo grego. Outro dia, ele surgiu com um silogismo singular: Premissa maior: Toda obra pública significa gasto com empreiteiras; Premissa menor: toda empreiteira “ajuda” autoridades com uma porcentagem de seus ganhos (vide Renan); Fato: autoridades em apuros judiciais precisam de dinheiro; Conclusão: logo, autoridades em apuros judiciais apressam a realização de muitas obras, preferivelmente bem dispendiosas. 



Escrito por B.Machado às 14h52
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COMO GOVERNAR?

Cada político tem uma desculpa para sua impopularidade, mas o governador do Distrito Federal inovou: ele a atribui à própria boa qualidade de sua administração, no que ganha o troféu de originalidade. Em sua argumentação, relata as medidas administrativas que tomou e, por isso, “desgostou muita gente”: “demitiu 23 mil pessoas, declarou guerra às vans piratas, derrubou camelôs e barracos e forçou a regularização de 100 mil moradias em condomínio”. Qual a porcentagem de pessoas que atingiu, na área geográfica sob seu governo, e que, por isso, estão insatisfeitas? 2%! E os outros 98%? Também não gostaram de suas medidas moralizadoras?



Escrito por B.Machado às 14h42
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Presidente do Senado é “Bacurau”

Bacurau era uma ave noturna e, por isso, o trem que chegava de madrugada, em Natal, recebeu esse apelido. Como nesse trem vinha o Diário Oficial do Estado, com as nomeações de parentes do antigo Governador, a denominação “pegou” na própria autoridade. Por associação de idéias, no Rio Grande do Norte, “Bacurau” passou a ser o apelido de qualquer autoridade que “arrumava” cargos públicos para os parentes, o famoso nepotismo daqui, de Iguape, e do Vaticano. Pois o senador Garibaldi Alves, que acaba de ser nomeado Presidente do Senado, quando administrou o Rio Grande do Norte, além de “enterrar” CPIs contra ele, tinha por hábito acomodar parentes nos cargos públicos: irmão, pai, sobrinho, irmã. Conclusão: passar a presidência do Senado de Renan para o “bacurau” Garibaldi é o mesmo que trocar bosta por merda.



Escrito por B.Machado às 14h33
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A BOMBA DA SEMANA

A notícia mais apavorante, neste domingo, não foram os crimes de rua, os arrotos de Chavez ou os anúncios da tragédia futura do aquecimento global. Foi uma estatística infernal, dizendo que o  PT tem 900.000 filiados! Isso fora os “enrustidos”, que apóiam mas não se filiam. Já pensaram nisso? Se um petista incomoda muita gente, 900 mil incomodam infinitamente mais. Isso equivale a um tsunami invadindo a economia brasileira. Como vigiar as cuecas com dólares, evitar os mensalões, controlar a grana das estatais? O país está exaurido. Agora, por milagre, conseguiram salvar das garras do governo os 40 bilhões da CPMF, mas é preciso ficar atento, porque, não se sabe como, ele pretende arrancar essa quantia do povo, de qualquer jeito!    



Escrito por B.Machado às 14h14
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NATAL ANTECIPADO

Esta é de um iguapense, palmeirense e Berne, plagiando Macaco Simão: “desta vez, o Papai Noel, além de se antecipar, exagerou nos presentes: caiu a CPMF, o Corinthians e o Prefeito”.



Escrito por B.Machado às 19h51
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PIB PER CAPITA

O “pib per capita” do Estado de São Paulo, o mais rico da Federação, é R$ 13.725,00, o do Distrito Federal, isto é, Brasília, R$ 19.071,00. Em São Paulo ganha-se dinheiro (em geral) com o trabalho, por isso, embora aqui estejam os maiores empresários do Brasil, ainda perdemos para Brasília no item ganho médio da população. Dá para saber por quê. Em Brasília concentram-se aqueles que “mamam na Viúva”, como diz o Elio Gaspari. Lá, os engraxates do Congresso ganham mais que os professores de São Paulo, os contínuos ganham mais que os médicos do INSS, e os motoristas ganham mais do que os gerentes de bancos particulares. O pib de Brasília é o produto do assalto ao poder, por parte de nossa classe política e seus asseclas.  



Escrito por B.Machado às 16h02
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TUDO COMO DANTES...

No Quartel de Abrantes... O ditado é antigo, mas ainda tem sua serventia. Tudo como dantes, quer dizer, a cidade continua no seu ritmo normal, apesar do terremoto político destes últimos dias, que atingiu o índice 8, na escala Richter. Ninguém chora, ninguém ri, a não ser à socapa (outra expressão do tempo de Machado de Assis), e se alguém mostra uma leve tristeza logo disfarça, à vista do “inimigo”, para não dar o braço a torcer. Ou será que ninguém está “nem aí”, com essa situação, apesar da grande euforia que todos (os partidários) demonstravam,  no dia da vitória daquele que, agora, está indo pro beleléu?

            Uma vez eu comparei certos comportamentos humanos aos dos búfalos, na mira do caçador. Este vai abatendo os animais, um a um, e a manada continua tranqüila, comendo seu capim e se cheirando uns aos outros. É preciso um ribombo infernal para espantar os bichos, tirá-los da pasmaceira, pô-los a correr, naquela tropelia do chamado “estouro”. Essa queda do Prefeito, por conta de um tirico do Tribunal, “pegou” só um, mas serve de ameaça a outros, já que esse “um” é o sacerdote-mor, o sustentáculo dos outros. Atrás dessa saída podem estar se alinhando mais algumas. Da outra vez já aconteceu isso. O antigo titular da seção de Engenharia que o diga. Agora, é esperar para ver.  



Escrito por B.Machado às 15h06
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PRA MIM, FOI BOM!

Esse é o estilo brasileiro. O Lula foi bom? Sim, para as 11 milhões de famílias que receberam os 50 “mirréis”. Mensalão, empreguismo de sindicalistas, desvio de dinheiro das estatais? Isso não sei, só sei que prá mim foi bom. Também em Iguape, a gente ouve a respeito de qualquer prefeito: “Pra mim foi bom, mandou calçar minha rua”. Eu disse qualquer prefeito; também devo acrescentar qualquer benefício: um emprego para o filho, uma cesta básica para a mãe. Cidadania é isso: “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, o resto a gente deixa prá lá.



Escrito por B.Machado às 11h34
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VAMOS, QUE VAMOS!

Observem: políticos “não batem bem da cabeça”. Uma das categorias que regem o Universo é o da racionalidade, da matemática, da precisão. Por ela se orientam as órbitas dos planetas, o movimento dos elétrons, a velocidade da luz e o pensamento dos grandes filósofos e cientistas. Outra categoria, esta vigente só no mundo dos homens, é o da fantasia, da poesia, do devaneio, da loucura, enfim. Este é o espaço preferido pelos boêmios, pelos doidos varridos e pelos políticos. Estes últimos, eventualmente, usam a matemática, mas só quando o sonho já foi a pique. Vou dar dois exemplos:

a)      Participei há tempos de uma campanha política, em Iguape. Fi-lo (essa construção estranha é herança do Jânio Quadros, um político prá lá de maluco) por amizade. O candidato era o Zé Juca, da banda do Cocho. Na época, a proporção Cocho X Berne era de 3 X 2. Aconteceu porém (o velho “porém” de todas as histórias que acabam mal) que surgiram mais dois candidatos do Cocho: Ariovaldo e Nelsinho. A disputa, então, ficou assim distribuída: 2 Berne  X 1 Cocho + 1 Cocho + 1 Cocho. Só tinha que dar errado para o Cocho. E deu.

b)      Agora um exemplo histórico, para o leitor perceber que a “coisa” (a cabeça de carrapeta dos políticos) vem de longe. Quando os “aliados” (americanos, ingleses e outros menos votados) invadiram a Itália, no fim da II Guerra Mundial, Mussolini, com aquela rompância dos políticos (ampliada pela sua dimensão de ditador), gritava para seus soldados: “Avànti”! (acho que é assim, em italiano) “Nós vamos vencê-los”! Não venciam, claro. Mussolini então recuava para a próxima cidade, juntava os soldados remanescentes (eufemismo para designar aqueles que não se escafederam pelos matos, se cagando de medo) e ensaiava nova resistência:”Avànti”!. E assim foi, de cidade em cidade, recuando até ser preso, morto e pendurado pelas pernas. 

Bem, já deu para entender. Mas o que significa aquele título: “Vamos, que vamos?” Era o grito de guerra dos “cochos” do Zé Juca. Era a tradução iguapense para o “Avànti!” do Mussolini, aquele grito da insensatez, da fantasia, do devaneio, enfim, dos políticos. Conclusão: mudam os tempos e os lugares, mas a porraloquice é sempre a mesma!



Escrito por B.Machado às 09h29
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O HOMEM FALOU E DISSE!

Discursando, na inauguração do asfaltamento de uma rua (a Retórica está em grande desenvolvimento, em Iguape, no momento, por conta do calçamento e asfaltamento das ruas – a Arte de Soltar Foguetes, também) o Prefeito assegurou: “Vou ficar na Prefeitura até o último dia de meu mandato”! Vocês duvidam? Eu não. Para isso existem leis furadas, e advogados espertos (vide artigo anterior, sobre os advogados).

            Dizem que o gato tem sete fôlegos. Pois os políticos têm quatorze. Você pega um político, joga n’água com um “pé de cimento” (lembram os filmes sobre a Máfia?), ele agüenta um tempo enorme, submerso e, de repente, aparece nadando e se salvando. Eu já escrevi, alhures, que os grandes políticos iguapenses já eram figuras históricas. Retifico-me: grandes políticos ainda existem em Iguape. O que é um grande político? É  aquele que persiste, seja perdendo eleições (o leitor que nomeie alguém para este caso), seja se mantendo no cargo, apesar dos pesares. Pois a arte da Política (com P maiúsculo) só foi a arte de “bem administrar uma cidade ou país”, nos livros de Aristóteles, Rousseau e outros idealistas. No real, mesmo, o “grande político” é aquele que verte “sangue, suor e lágrimas”, para se manter na lida. Vocês acham que uma “pessoa normal” agüentaria os desaforos que o Renan ouviu (ou mesmo não ouvindo, sabe que estão falando) do Brasil inteiro? Eu disse Renan, mas vocês podem botar um monte de políticos na mesma situação. Uma pessoa normal (psicológica e moralmente normal) renuncia ao seu posto, desde que haja desconfiança sobre seu comportamento. Um político, jamais! Pode ter todas as provas contra si, ele se defende, ele chama o advogado, ele luta contra a “própria realidade”, para manter-se no cargo, seja onde estiver.



Escrito por B.Machado às 21h50
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O MELHOR EMPREGO

Qual o melhor emprego em Iguape? Acertou quem clicou em “Advogado de Prefeito”. Não tem erro, é serviço para sempre. E bem pago. Prefeitura dá dinheiro. A Prefeitura tem seis advogados, fora os fantasmas, mas apesar dessa assessoria, o Prefeito está sempe “dando fora”, fazendo coisas ilegais. Então aí vem o “Advogado de Prefeito”, uma especialidade de grande atuação, em Iguape, embora seus titulares não morem por aqui (por que será?). Está certo, não é só aqui, mas aqui o serviço é garantido, o Forum está “tibi” de processos contra prefeitos. Ariovaldo precisou, Cabral precisou (ainda precisa, segundo as más línguas), Zelão (o Advogado de Prefeito já tem história, em Iguape) também, e até Ximbica já precisou, mesmo sem ser prefeito, não sei se usou, mas já foi processado (estou falando “de orelha”) por um vereador, porque exercia função de chefia, enquanto era vereador, no tempo do Cabral (bons tempos, hem Ximbica? Será que eles vão voltar?).

            Não tenho certeza, mas deve ser por causa dessa maldição, essa inclinação para fazer coisas erradas (um eufemismo, como deve ter percebido o esperto leitor), que o Zé Augusto apontou o Neto como o prefeito ideal: ele já é advogado. Zé Augusto, como todos sabem, é um dos melhores Técnicos em Contabilidade de Iguape. Ele deve ter feito os cálculos e verificou que se o prefeito for advogado, talvez não precise  de mão de obra estranha para se defender e, assim, a cidade economiza. Eu disse “a cidade economiza”! Como? Claro, vocês pensam que dinheiro dá em árvores? De onde vocês pensam que sai o dinheiro para os advogados de prefeito? De nós todos, claro. De que maneira? Aí só perguntando para “as estrelas”, mas só quem é político tem ouvido “capaz de ouvir e de entender estrelas!”



Escrito por B.Machado às 21h08
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OS ADVOGADOS SÃO OS CULPADOS?

O sociólogo e professor da USP, Sérgio Adorno, fez um estudo sobre a criminalidade, no Brasil, no qual destaca dois aspectos interessantes. Em primeiro lugar, a criminalidade “vai atrás do dinheiro”, isto é, em lugares pobres, aonde não há o que disputar, há menos interesse em burlar a lei. Cá pra mim, essa é a razão de tantos crimes no mundo político, onde o dinheiro corre como água. Outro destaque do estudo é a maior condenação de negros do que de brancos, pelos mesmos crimes. Antes que alguém pense que isso revela preconceito racial, por parte dos juízes, o sociólogo aponta que, no exame dos casos, verificou que os brancos sempre contratavam mais e melhores advogados do que os negros. Indiretamente isso leva à conclusão de que os culpados pelo grande número de criminosos soltos, (e também de políticos impunes) são os advogados. Claro que os causídicos vão tirar o corpo fora dessa acusação, mas será que algum deles recusaria defender um “Renan”, sabendo que, com isso, vai “descolar uma nota preta”?

            Os advogados podem alegar que a culpa da impunidade está na Lei, que deixa tantas brechas para a defesa dos criminosos. Mas isso seria o mesmo que o criminoso dizer que a culpa da morte de seu desafeto foi a velocidade da bala do revólver ou o gume da faca. A lei pode estar errada, mas pode ou não ser usada. Depende da consciência de cada um. Numa entrevista na televisão, um notório advogado de traficantes foi colocado diante da pergunta: “Você sabe que o dinheiro que recebe pode ter sido a causa da morte de pessoas e a desgraça de muitas famílias?” O advogado não titubeou: “Eu recebo para fazer o meu trabalho, não posso, nem quero saber como meu cliente ganha a vida!” Esse argumento também está na ponta da língua dos advogados que suscitam liminares para manter políticos desonestos impunes durante décadas, sem se preocupar que a medida pode estar prejucando uma cidade inteira.

            Bem, tudo o que está escrito acima não tem a pretensão de ser uma tese, mas uma provocação. Uma provocação que procura uma resposta. Alguém deve ter uma resposta melhor do que aquela do advogado do traficante ou do defensor do político desonesto!  



Escrito por B.Machado às 16h33
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CORRA QUE POLÍCIA VEM AÍ!

A seção policial do Jornal Regional, em vez de preocupação, desta vez nos transmitiu bom humor. Num caso, ocorrido em Registro, o repórter descreve: “Em entrevista, os policiais notaram que Cleber mal conseguia manter-se em pé, exalando odor etílico estando, assim nitidamente embriagado.” Reparem nos termos “Em entrevista”! Esses policiais deviam receber um prêmio de boas maneiras. A seguir “mal conseguia manter-se em pé”, olha só o eufemismo para dizer “bêbado”. “Exalando odor etílico” substitui delicadamente, “encachaçado”! O repórter também é um gentleman!

            E o assalto na casa do prefeito de Juquiá, Quinco Soares? “Depois de conversarem com a vítima calmamente, dizendo inclusive que iriam aguardar para comer canjica, os ladrões anunciaram o assalto”. Olha só a folga. De repente, uma atitude estranha: “chegaram a ameaçar cortar o dedo do sogro do prefeito com uma tesoura”. Oh, ameaça danada! No meio da descrição dos objetos roubados, o devido esclarecimento: “levaram....um revóver 38, devidamente regularizado”. Ainda bem que deram esse esclarecimento, senão o Quinco estaria encrencado! No fim do assalto, os bandidos ainda exigiram que o prefeito “aguardasse pelo menos 20 minutos para avisar a polícia”. Será que os bandidos pensaram mesmo que o prefeito ia “quebrar o galho”?  Essa seção policial do JR ficou bem parecida com um filme de Woode Allen!



Escrito por B.Machado às 21h28
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ASSESSOR DE IMPRENSA TEM RAZÃO

“O prefeito está tranqüilo porque é uma situação inconclusa. Vamos aguardar os fatos”, disse o assessor de imprensa da Prefeitura de Iguape, Armando Márcio Costa, em reportagem de Flávia Domingues (Jornal Regional – 14/12/2007). Está certíssimo, o ilustre assessor. No Brasil, só está “conclusa” a corrupção, o desmando dos políticos e a lentidão das leis quando se trata de julgar os “donos do poder”. Como esclarece um comentário lateral do Jornal Regional, “tudo começou em 93, durante o primeiro mandato de Ariovaldo Teixeira”. Quer dizer, há 14 anos, num vai-e-vem que deve ter custado “os olhos da cara” (dos contribuintes, naturalmente) um processo se arrasta no Judiciário, fazendo de bobos os habitantes de uma cidade inteira, com os altos e baixos das sentenças, num processo que mais parece uma antiga “comédia de erros”. Era melhor, mesmo que isso fosse definitivamente “inconcluso”, para que a cidade não viva no sobressalto do “cai, não cai”!

Afora isso, uma curiosidade: como se sentirá um acusado (quase que escrevi “réu”) nessa situação? Sua consciência vacila segundo o teor mutável das sentenças? Culpado/inocente/culpado/inocente! Isso perturbaria seu sentido ético? Em que instância psicológica ele se refugia para evitar o surto de uma esquizofrenia, diante desse bombardeio de sentenças (com suas implicações morais) contraditórias? Teria ele a firmeza de caráter de um Giordano Bruno, sustentando suas convicções, ou a fortaleza espiritual de Joana D’Arc, repelindo as acusações de seus algozes? Se uma pessoa, nessa situação, publicasse um relato de auto-análise, seria uma respeitável contribuição para a Psicologia!  

 



Escrito por B.Machado às 19h18
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MILTON DOMINGUES NA CONTRAMÃO

No “Jornal Regional” de 14/12/2007, uma carta com o título nada otimista de “Caveira de Burro”, de Milton Domingues, depois de enumerar em “som alto e sublimado” as “memórias gloriosas” de um tempo de prosperidade, em Iguape, conclui que essa “era de ouro” terminou com o desastroso fechamento do Valo Grande e o agourento surgimento do Ibama, na cidade. Bem ao lado da “carta”, os “Alfarrábios” de Roberto Fortes destacam a atuação do deputado Márcio França, “cavando” alguns milhões para a construção da malfadada (segundo Milton) barragem. Na página 3, do mesmo jornal, um repique da informação sobre o assunto: “Barragem do Valo Grande contará com R$ 20 milhões do orçamento federal”. Pelo visto, nos próximos anos, haverá “choro e ranger de dentes”, entre os adeptos da tese de Milton Domingues.



Escrito por B.Machado às 18h33
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CÂMARA “ESCURA”

A idéia que se faz do Poder Legislativo, desde a Revolução Francesa, é de um instituto a serviço do povo, com a função precípua de monitorar o Poder Executivo, estabelecendo diretrizes de ação, propondo medidas e acompanhando, de maneira vigilante, sua execução. Mas a partir do discurso do vereador Edson Estela, publicado no jornal “A Gazeta de Iguape”, de dezembro de 2007, ficamos sabendo que esse poder tem uma feição original, em Iguape:

“Prefeito, é bom estar do seu lado. Eu não tive esse sucesso com prefeitos anteriores. Foi prometido muita coisa e nada aconteceu. Colocamos a Câmara à sua disposição”.

Montesquieu, o autor do “Espírito das Leis”, deve estar se revirando no túmulo.



Escrito por B.Machado às 16h51
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SEMELHANÇAS

Os nomes em evidência, no atual panorama político iguapense, têm alguma coisa em comum com figuras históricas:

- Ariovaldo – Luiz XIV – o “Rei Sol”: “O Município sou eu!”

- Cabral – Sakia Muni, o Buda.

- Wilson – Napoleão Bonaparte, baixinho e autocrata.

- Nicol – Robespierre, o “incorruptível” – revolucionário radical.   

- Neto – D. Sebastião, o “desejado” - o jovem rei que desapareceu nas areias de Alcácer Quibir.

- José Augusto – José Bonifácio de Andrade e Silva – político dos bastidores.

- Edson Estela – Rasputin – agindo atrás do trono.

- Elenir – Maria Antonieta – esbanjadora do dinheiro público.



Escrito por B.Machado às 21h59
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NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE..

Nem há bem que nunca acabe. De um lado e de outro, da política iguapense, é isso que está sendo pensado, sentido e falado. “Política é como as nuvens”, dizia um esperto mineiro, “a gente olha num momento, elas estão de um jeito, passa um tempo e elas mudam completamente.” Ainda vão se passar uns quinze dias, até que se estabeleçam, definitivamente, os rumos da nova administração. Por enquanto, o que se vê é tristeza de um lado, traduzida num silêncio constrangido, e de alegria de outro, com algum foguetório e muita conversa de rua.

            Mais importante, entretanto, do que esse desfecho, tão aguardado por uns, e tão renegado por outros, é a mudança que isso provoca quanto às próximas eleições. Sem a concorrência de Ariovaldo, o pleito toma novas configurações. Sempre haverá quem diga que ninguém é insubstituível, mas isso é subestimar a importância de uma liderança, com velhos alicerces. O “Cocho” não é uma figura de linguagem, ou um apelido fugaz de um grupo, entre aqueles que disputam o poder, na cidade. É uma tendência quase ideológica, se for levada em consideração a arcaica relação de dependência entre o lavrador e o “coronel”; tem uma feição classista, nascida numa fase histórica em que o discurso populista venceu os aristocratas do famoso “Clube 25 de Janeiro”, na retomada do voto popular, depois da deposição de Getúlio Vargas; enfim, assume-se, como nostalgia (por falsa que seja) do “velho Iguape”, contra a “intrusão” dos “forasteiros”, que disputam entre si os destroços de seu adversário, a esgarçada herança do “Berne”, que flutua num mar de discursos desencontrados.



Escrito por B.Machado às 18h11
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HEREDITARIEDADE

Kinko Yanai, 76 anos, veio para o Brasil com 10 anos. Religião-budista e xintoísta; opinião sobre os homens: deve ser trabalhador e saber cuidar da família; mulher: ser carinhosa com o marido, saber apoiá-lo e cuidar da casa; maior medo: ficar doente e dar trabalho para os filhos.

Sakurai Hashimoto, 73 anos, ficou no Japão, quando sua irmã Kinko partiu com a família para o Brasil. Religião-budista e xintoísta; opinião sobre os homens: tem de ser sério e trabalhador; mulher: ser carinhosa; maior medo: ficar doente e incomodar a família.

As duas irmãos foram separadas na infância e ficaram muitos anos sem poder se comunicar. Uma mora em São Paulo e outra na zona rural japonesa. Vidas completamente diferentes. O que têm em comum é o DNA. Como se vê, a manobra diferencial, a partir da educação é limitada.



Escrito por B.Machado às 21h33
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TEMPO DE GUERRA

A coisa está tão convulsionada que é melhor esperar um pouco, pensar e depois comentar. Se não me engano, depois de uma decisão judicial, vem um emissário para comunicá-la ao principal interessado e aos órgãos competentes. Com essa chuva, não sei quanto tempo isso vai demorar. De qualquer maneira, já há muita comemoração. Não pela desgraça de um, mas pela abertura de oportunidades a outros. Pelo que eu soube, há uma determinação do TSE para liquidar as pendências de prefeitos e ex-prefeitos, “limpar a pauta”, antes do fim do ano. Então teremos mais novidades, ainda neste mês.



Escrito por B.Machado às 15h36
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VAI MUDAR TUDO?

Com essa notícia da cassação do Prefeito, o panorama da eleição fica revirado. Agora é Cabral X Wilson, porque o Prefeito cassado não tem nenhuma figura importante para lançar em seu nome. Com isso, talvez alguns aventureiros lancem mão da oportunidade, para fazer frente aos litigantes em evidência. Temos que aguardar mais alguns dias, para ver o que se vai desenhar nas “nuvens” políticas. 



Escrito por B.Machado às 19h06
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QUE FAZER?

Alguém me disse: “tem muito ignorante freqüentando seu Blog e fazendo comentários idiotas”. Que fazer? Lembram do ministro Magri que disse “cachorro também é gente”? Se um ministro diz isso, o que esperar de alguns dos chamados “cidadãos comuns”? Lula não cansa de falar besteiras e tem sempre um microfone à disposição para divulgá-las. Se o Presidente pode, porque outro ignorante não pode? O Blog pode ser um bom indicador de como anda nosso povo. Dá para fazer uma estatística, assim, por exemplo: 10 comentários – entre eles, 2 bons, 3 razoáveis, 5 comentários idiotas. Quer dizer, pode-se deduzir muita coisa, a partir dos comentários de um despretensioso Blog: 1) o computador não melhora a inteligência nem a cultura das pessoas; 2) o Blog é um espaço democrático, onde as pessoas, independentemente de seu grau de inteligência ou de cultura, podem externar sua opinião; 3) a partir dos comentários dos Blogs, em geral, pode-se perceber se a ignorância está diminuindo ou aumentando, no país; 4) a última pessoa que percebe que alguém é ignorante, é o próprio ignorante (e o corolário): quanto mais ignorante é uma pessoa, menos ela se percebe como tal; (enfim) 5 - a presença do ignorante pode ser a inspiração para muitas descobertas. Portanto, vinde a mim os ignorantes; com eles aprendemos muita coisa!



Escrito por B.Machado às 11h28
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O SEGREDO DE SÓCRATES

Os discípulos de Sócrates não tinham carteira, papel, caneta, nem lanche. E Sócrates formou chefes militares, estadistas, oradores e filósofos. Entre estes, o maior de todos foi Platão, cujas obras serviram de base para uma grande parte da filosofia posterior. Sua “escola” (a de Sócrates) podia ser a sombra de uma árvore ou a coluna do Templo. Qual seu segredo? A atenção dos alunos. A atenção é a chave dos sentidos. Ninguém aprende nada se não está interessado. A chegada do computador não acrescentou nada ao aproveitamento escolar, no Brasil. Nem as bibliotecas, que se espalham pelo país afora, ajudaram a remover a ignorância das pessoas. A Biblioteca Mário de Andrade, de São Paulo, tem uns quinhentos lugares. O Pacaembu, 70.000. Este sempre fica lotado, nos dias de jogo, e a entrada é paga; a Biblioteca tem entrada grátis, mas nela sempre sobram lugares. Isso numa cidade com milhões de pessoas. Está claro que é mais prazeroso assistir ao São Paulo “massacrando” o Corinthians (KKK), do que resolver uma equação do 2º. grau, mas cada coisa tem seu tempo.  

 



Escrito por B.Machado às 11h05
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SÓ FALTAVA ESSA!

Terremoto, no Brasil, é coisa rara, mas quando as coisas vão mal, como diz o ditado “o urubu de baixo caga no de cima”. Outro dia, um cronista da Veja, do qual não retive o nome, fez uma relação das desgraças que atingiram o país, nos últimos tempos. Entre elas, a menina cumprindo pena no meio de assassinos e ladrões, os presos acorrentados, Renan, CPMF, os discursos de Lula, o fracasso dos estudantes brasileiros nos testes de conhecimento e assim por diante. É demais. E agora, terremoto. Só falta um terrorista explodir-se dentro do Congresso Nacional, ou no Palácio do Alvorada. O que seria uma desgraça....para a arquitetura brasileira!



Escrito por B.Machado às 20h06
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PRA QUE ESTUDAR?

O Brasil anda se saindo mal em todas as avaliações de desempenho escolar, que se realizaram nos últimos tempos, tanto em nível nacional, quanto internacional. Mas, para nossa auto-estima, isso não representa nada, diante da avaliação do desempenho dos políticos, nadando na lama e se protegendo atrás de um Judiciário tartaruga. Mas, esquecendo um pouco do Renan, pra que estudar? O Presidente da República não estudou e “chegou lá”, os dois Ronaldinhos, o primeiro e o Gaúcho, ficaram milionários sem abrir um livro, Sílvio Santos começou como camelô e terminou como dono de uma rede de televisão e Hebe Camargo só lê as propagandas dos produtos que financiam seu programa! Por outro lado, os professores, que tanto estudaram, estão “comendo o pão que o diabo amassou” e ainda são responsabilizados pela preguiça dos alunos. Vale a pena, mesmo, estudar?



Escrito por B.Machado às 19h49
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À ESPERA

Enquanto o fim do mandato do “Alcaide” se desenha no horizonte, o cidadão, sentado à sombra d’”O tronco do ipê”, fica “Esperando Godot”, enquanto se pergunta: “Por quem os sinos dobram”? Nesse período intranqüilo, ouvem-se os discursos d’“Os Possessos”, lêem-se as reclamações d’”Os Idiotas”, pela má relação entre “Os intelectuais e o poder”, enquanto os pretendentes ao mergulho n’ “O lago dos cisnes”, apodados de “Cerejeira do Japão” e “O forasteiro” participam d’“O banquete”, ou se perdem nos confins do município, como se fossem o “Jim das Selvas”. Enquanto isso, o “Dom Casmurro” aguarda o desfecho d’“O Processo”, para não ficar fora dessa “Guerra nas Estrelas” e assim continuar participando d’“A fogueira das vaidades”. Por sua vez, “Os miseráveis” trocam idéias n’”O cortiço”, ficam indecisos entre “Dois amores”, se embalam nos “Sonhos de uma noite de verão” e pensam que, depois dess’ “A Tempestade”, e d’“A comédia de erros”, sairão de “Um mundo estagnado” e ficarão como “Alice no País das Maravilhas”.



Escrito por B.Machado às 10h48
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“FESTA DE COMADRES”

Times de futebol, reuniões políticas, excursões e outras atividades grupais, em Iguape, são feitas na forma de “festa de comadres”. Não se convidam os jogadores em disponibilidade, no primeiro caso, aos interessados nos problemas da cidade, no segundo, ou aos adeptos de passeios, no terceiro. Tudo é feito na surdina, em grupos fechados e, quando se sabe, o “circo já está armado”. No meu tempo de garoto, tínhamos bons jogadores de futebol, no campinho ao lado do cemitério. Nunca nenhum deles foi convidado para participar dos times locais, que eu vejo, agora, em fotos guardadas por Roberto, do jornal Tribuna de Iguape. Um exemplo, é o Brasil Futebol Clube, estampado na Tribuna de dezembro, 2007. Não se vêem ali os bons jogadores da Beira do Valo e da Rua da Palha, como Bonifácio (Monteiro), Mazinho (filho do Osório barbeiro), Zé e Odail Mathias, Orlando (irmão de Casimiro) e muitos outros. Concordo que não me convidassem, porque sempre fui “perna de pau”, mas na minha turminha não faltavam craques.

            Se time de futebol é assim, imagine-se grupo político. Quando se sabe das coisas, já há até candidatos em potencial. Se você não tiver amigos ou “correr atrás”, fica sem saber o que está acontecendo na cidade, por mais interessado que seja. E o pior é que, sabendo do “segredo”, fica-se com receio de convidar outras pessoas interessadas, porque pode “pegar mal” levar mais alguém consigo. Quer dizer, mesmo sendo contrário ao comadrismo, você acaba aderindo a ele. E vá você protestar contra o “segredo”: - “Que é que é isso! A reunião é aberta a todos!” Só que poucos ficam sabendo dela. E quando sabem, a “equação” já está armada, ou o “time” já está pronto. Comunidade iguapense? Acabou junto com as “batidas de arroz” e os fandangos do Rio de Una!



Escrito por B.Machado às 15h24
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O CAMINHO DAS PEDRAS

Uma piadinha bíblica: Jesus começou a andar por cima de algumas pedras, no Lago Tiberíades, acompanhado por Pedro. Como as pedras estavam submersas, um crente que vinha logo atrás pensou que Cristo e seu discípulo estavam caminhando sobre as águas. Milagre! Tentou acompanhar os dois, esperando o mesmo efeito, mas foi afundando à medida que caminhava. Pediu socorro, mas Pedro, de sacanagem, o animava: “Tenha fé que você flutua!” Zangado, Cristo censurou seu discípulo: “Pare com isso Pedro! Ensine ao coitado o caminho das pedras”.

            Lembrei dessa anedota ao saber que saíra a verba para o asfaltamento da Av. Adhemar de Barros. Há muitos anos atrás, o então Prefeito, Cabral, tentou essa proeza e saiu-se mal. Ia fazer as duas coisas: asfaltar a avenida e mudar seu nome para Av. Bom Jesus de Iguape. Lembram? Pois a coisa ficou no papel. O mesmo aconteceu com a Rua Bento de Moraes (do CCI), cujo projeto foi elaborado na gestão do Cabral, mas a verba só foi liberada na gestão Ariovaldo. Cá com meus botões, lembrando das tramóias políticas “por baixo do pano”, começo a desconfiar que o Cabral não conhece o “caminho das pedras”!



Escrito por B.Machado às 14h21
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A VOLTA DO HOMEM DE PEDREGULHO

Essa ausência das manchetes estava estranha. Há muito tempo que não se descobre mais uma maracutaia de Orestes Quércia, “o homem que aprendeu francês em Pedregulho”. Desde que os jornais fizeram uma lista de suas roubalheiras, ele nunca mais ganhou eleição. O que é de se estranhar, aliás, num país em que Maluf, o decano da corrupção, tem votos a dar com o pé. Pois agora, tantos anos depois, descobre-se que os membros do “Antigo Comitê do Banespa”, que concederam empréstimo a uma empresa quase falida, têm ligação com Quércia. A ficha policial do “chefe” do PMDB de São Paulo ficou um pouco mais comprida. Pelo que se vê, Renan Calheiros fez uma escolha adequada de partido!



Escrito por B.Machado às 13h56
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IGUAPE NÃO ESTÁ SÓ!

Iguape não está só, nesses “acordos” com fantasmas, tanto do Prefeito (o famoso advogado invisível), como do Presidente da Câmara (os funcionários fantasmas de seu sítio e restaurante): a Prefeitura de São Paulo mantém um convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral, cuja médium, Adelaide Scritori, é sempre convocada para “afastar a ameaça de tempestades”, que possam ameaçar visitas ilustres, como a do Papa Bento XVI. (Imaginem se este soubesse do “esconjuro”, proibido, implicitamente, no 1º. Mandamento). Segundo a descrição da umbandista, quando o mau tempo ameaçou a visita do Pontífice, “Manejamos o vento para que ele levasse a chuva embora e trouxesse o frio”. Mas não é só isso. A senhora da macumba foi solicitada e, segundo sua própria descrição, conseguiu a elevação “de 29 graus centígrados na temperatura de Londres, em 1987”, deslocou para o mar os temporais “que castigariam o Rio de Janeiro, em 2006” e obrou façanhas até na Grécia. Ainda por cima, a umbandista é amiga do mago Paulo Coelho. Os fantasmas de Iguape ainda não conseguiram tais prodígios, mas um dia chegamos lá!



Escrito por B.Machado às 13h52
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POBREZA E CIDADANIA

Num artigo sobre os Direitos Humanos, Louise Arbour, alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, diz: “Em muitas sociedades, os mais pobres não podem usufruir dos direitos à educação, à saúde e à habitação simplesmente porque não podem se permitir isso. Tal fato acaba dificultando sua participação na vida pública e sua capacidade de influenciar as políticas”.

            É bom ler essas besteiras, de vez em quando, para descobrir porque há tanta dificuldade em resolver problemas políticos, educacionais ou relativos à Justiça. Em Iguape, os pobres “participam do direito à educação, à saúde e à habitação”, mas nem por isso têm a “capacidade de influenciar as políticas”, porque não querem se dar ao trabalho de pensar, e simplesmente vão atrás de promessas dos políticos, muitas vezes em função de pequenos favores ou interesses. Mas, pior que isso, também a classe média (os ricos são tão poucos que não formam uma classe, propriamente), que participa de todas as benesses acima, em dose dupla, com relação aos pobres, não dá a mínima à política, vivendo num estado de alienação quase doentia, só servindo de linha de transmissão de boatos, quando nestes há “pimenta” suficiente. Quantas pessoas lêem jornais, em nossa cidade? Quantas lêem “qualquer coisa”? E aquelas que lêem, discutem os problemas que surgem? Pensam? Opinam? Tomam posição? Ou vivem grudadas na Televisão, assistindo essas novelas que misturam pieguice com sacanagem?



Escrito por B.Machado às 22h01
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                                  OS “CORCUNDAS”

“Corcunda” era o apelido dos puxa-sacos, no tempo de D. Pedro II. Eles viviam rodeando o Imperador, elogiando-o e falando mal de seus inimigos, sempre de cabeça baixa, daí a expressão. O termo foi esquecido, mas a “função” nunca saiu da moda. Muitos dos “corcundas” de Iguape são discretos, trabalham em silêncio, porque participam das benesses do poder (concessões de transporte, concorrências, etc.), têm “telhado de vidro” e, portanto, se preservam. Mas há alguns que, por dever de ofício, são obrigados a se expor, sob pena de parecerem omissos ou comprometidos com a oposição. Esses são ruidosos, dão entrevistas aos jornais (àqueles que se vendem, naturalmente) e tentam desmoralizar os críticos do poder, buscando transformá-los em “inimigos públicos”. Um dos adjetivos “ofensivos”, usados por esses “corcundas” é o de “intelectual”. É patética essa atitude de querer transformar um elogio em xingamento. “Intelectual” era a expressão usada pelos militares mais ignorantes, no tempo da Ditadura, para designar os artistas, jornalistas e escritores da oposição. Não é à toa que tenha sido ressuscitada agora, nesta fase obscurantista da administração municipal de Iguape.    



Escrito por B.Machado às 13h32
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               CIDADANIA “À MODA BRASILEIRA”

            Atualmente, no Brasil, 11.000.000 de famílias recebem a chamada “bolsa família”, o que corresponde a 45.000.000 de pessoas, ou seja, 1 em cada quatro pessoas, do total da população brasileira. Sem levar em conta que o governo está “dando o peixe, mas não está ensinando a pescar”, muitas dessas famílias nem precisam dessa ajuda, mas um chefete político qualquer arranjou e elas acham que não é desonesto aceitar o presente. Acham que não é, mas é! Por outro lado, o chefe da família assistida, quando encontra, eventualmente, trabalho (o que deve acontecer muito, senão sua família já teria morrido de inanição, antes que viesse essa ajuda do governo) prefere trabalhar sem carteira assinada, para não perder o direito ao auxílio. Como não há possibilidade de controlar essa imensa multidão de assistidos, e nem se tivesse o Governo faria questão disso, porque essas bolsas-família significam votos e aprovação, as distorções continuam, pois, tanto para os pobres como para os ricos, a concepção de cidadania, à moda brasileira, é “sempre levar vantagem em tudo”.



Escrito por B.Machado às 22h34
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EM BUSCA DO (A) VICE

Tirando o Ariovaldo (sempre no segredo de sua Batcaverna), os outros candidatos, ou candidatos a candidato, estão com sua preocupação centrada no Vice. Afinal, quem quer ser Vice? “Vice não fala”, como dizia Jô Soares, na época da Ditadura, e ele fazia questão de mostrar a exceção: “só Aureliano fala!” O que o humorista queria dizer, na verdade, era o seguinte: o Vice não é nada, é um zero à esquerda, quanto ao seu poder de decisão; ele é escolhido para ver se traz mais areia para o caminhão do verdadeiro candidato. Quem aceita ser vice é porque não podendo ser outra coisa, espera receber alguns aplausos, de vez em quando. Daí a dificuldade de se achar um vice. Principalmente para aqueles que não estão muito seguros de seu eleitorado.



Escrito por B.Machado às 14h41
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DECISÃO À VISTA

Neto, um candidato novo a prefeito, vai ter que decidir, nesta semana, se continua a alimentar as esperanças do grupo de cidadãos, ligados a vários partidos, que anda em busca de um candidato novo, limpo do “coronelismo fora de época da política iguapense”. Ele deve conhecer as regras que orientam os partidos, no caso, aquela que fala de fidelidade partidária. Sendo do PSDB, partido que apóia o Cabral, só poderá continuar sua jornada pela desistência deste, o que não parece muito provável.  



Escrito por B.Machado às 10h54
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A GOVERNADORA

Ana Júlia Carepa, a dançarina de catimbó, que se tornou governadora do Pará graças ao grande número de idiotas por quilômetro quadrado de seu Estado, segundo a Folha, “marcou sua carreira com discursos condenando a violência contra mulheres”. Adepta do nepotismo, a marca registrada da corrupção, ainda nomeou como suas assessoras especiais, uma cabeleireira e uma esteticista. Com esse “elenco de notáveis”, está governando o Pará como o diabo quer. Vivia dando entrevistas, mas agora, com esse escândalo da menina encarcerada com marginais, desapareceu da mídia. O que ela devia é desaparecer da administração pública.



Escrito por B.Machado às 10h25
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A RÚSSIA É AQUI?

O jornalista Clóvis Rossi faz essa pergunta referindo-se ao Brasil, que ele compara com a Rússia, em certos aspectos, como a “bovina mansidão da sociedade”. Ele cita um jornalista russo: ”Não existe uma sociedade civil na Rússia ainda. Existem espasmos, aqui e ali, mas o que temos é isso: um monte de gente indo de um lugar para o outro”. Essa análise me fez pensar em Iguape: numa hora em que todos deviam se movimentar, discutir sua cidade, mostrar sua satisfação ou insatisfação, os raros grupos que se reúnem, demonstrando interesse político ( o que, em última instância significa interesse pela cidade) são taxados de sonhadores. Aqui também predomina essa “bovina mansidão” referida pelo jornalista. A falta de uma sociedade organizada parece estar na raiz de nossos problemas, muito mais do que a mediocridade de alguns políticos.  



Escrito por B.Machado às 10h09
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SOBRE DROGAS

Bela entrevista na coluna de Mônica Bergamo (Folha-2/12/07), com o ex-viciado e ex-traficante de drogas João Guilherme Estrela. De início, ele descarta esse lugar comum de que as pessoas são levadas ao vício porque têm problemas, pessoais ou familiares. “Foi porque a galera na rua tava naquela aventura de liberdade, de experimentação”. Todo mundo quer se entrosar, fazer parte de grupos e, aí, pode dar o azar do encontro com um grupo de viciados. Outra coisa que se papagueia continuamente, é que os consumidores de cocaína estão na classe alta, portanto ela é a responsável pelo tráfico. Essa balela é a tese dos comunistas e de algumas autoridades ignorantes. João Guilherme põe os pingos nos ii: “A classe média, média alta, jovem, praticamente não consome cocaína mais. A droga que eles usam não passa pelo morro”. “No morro, você não compra ecstasy”.



Escrito por B.Machado às 09h45
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ÀS ALTURAS, POR CAMINHOS ÁSPEROS

Nesta semana, saiu o volume 12 da coleção de Jazz, da Folha, que apresenta Billie Holiday. Achei interessante um trecho de sua biografia, resumida, no jornal - “Infância sofrida, vício em drogas, morte prematura: todos esses itens contribuíram para fazer dela um mito”. É desanimador. Quer dizer que se você teve uma boa infância, não se viciou em drogas e está demorando muito para morrer, você está perdido: tirando seus filhos (e olhe lá) ninguém mais se lembrará de sua existência.    



Escrito por B.Machado às 22h31
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E O QUE FIZERAM COM OS 4/5?

Cansei de ouvir dizer que Portugal enriqueceu às custas do ouro do Brasil. Mas uma coisa sempre me intrigou: a arrecadação do imposto do ouro consistia na retenção de 1/5, isto é, 20% do ouro amealhado nas lavras. Isso significa muito menos imposto do que os quase 40% que o Governo brasileiro arrecada de seu próprio povo. Quer dizer, nosso governo nos trata pior do que os portugueses tratavam os colonizados. Mas deixa isso pra lá. Minha curiosidade se concentra no seguinte: a reconstrução de Lisboa, destruída por um terremoto, foi feita às custas do “quinto”; palácios como o de Mafra, com 40 mil metros quadrados, 4.300 portas e janelas, 800 salas – só foi possível “com o ouro do Brasil”, e esse é apenas um palácio de caça e de férias, para a família real, quer dizer outros palácios havia, para o bem-estar real. Vamos acrescentar a isso que os exploradores de ouro, aqui no Brasil, faziam o diabo para fugir do fisco português, inclusive enfiando ouro na barriga dos “santos do pau oco”, que eram os “protetores” dos contrabandistas da época.

            Bem, a pergunta é a seguinte: se foi possível fazer tanta coisa em Portugal com 20% do ouro achado no Brasil, o que foi feito com os 80% (noves fora o contrabando) que ficaram aqui? As cidades do ciclo do ouro são fichinhas perto dos monumentos portugueses. Se alguém viu o trecho da Lisboa restaurada, em alguma fotografia, pode calcular o que foi gasto ali. Iguape construiu um casario respeitável com o lucro do arroz, muito menos rentável, evidentemente, que o ouro. Isso me faz lembrar a piada sobre um sujeito que era rico e empobreceu. Ele explica: “gastei 90% de minha fortuna com mulheres, jogos e bebidas; o resto.... desperdicei.” Parece-me que os sinais de riqueza que ficaram no Brasil, principalmente em Minas, foi um “desperdício” desse tipo.



Escrito por B.Machado às 22h14
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MACACOS E SENADORES

Numa experiência fantástica, um chimpanzé mostrou-se mais dotado de memória para reter uma seqüência de números do que os seres humanos. Isso foi um espanto para o mundo, menos para nós brasileiros, que assistimos e esse “esquecimento” das provas contra Renan Calheiros, por parte dos senadores, que não têm vergonha de sentar ao lado desse ladrão, na casa que abriga (devia abrigar) a fina flor da política brasileira.



Escrito por B.Machado às 22h12
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IMITAÇÃO

Em meados do século passado, um famoso cantor francês, Jean Sablon, muito à vontade, passeava na praia de Copacabana, com as fraldas da camisa para fora da calça. Não deu outra. Em pouco tempo, a garotada elegante do Rio de Janeiro e, logo após, a de todo o Brasil, começou a usar uma camisa que se denominou “Jean Sablon”, para ser usada solta no corpo. O movimento imitativo, de cima para baixo, das pessoas de maior representatividade social para a chusma de anônimos das ruas é um fenômeno sociológico bastante conhecido, mas essa de imitar um sujeito que ficou à vontade com sua camisa, por algumas horas, só porque ele era famoso, já é um exagero. Afinal, os doqueiros do Rio e de Santos já usavam a camisa desse jeito, mas nem por isso foram imitados. 

            A imitação é um fenômeno social, mas é primeiramente visível em nível psicológico: as crianças se educam (ou se deseducam) imitando os adultos. Certa vez, um educador cujo nome me escapa foi interrogado sobre as causas do descaminho da juventude: “Penso que eles estão no mau caminho porque estão nos imitando”, respondeu o experiente professor. Vivendo num país no qual os dirigentes políticos se notabilizam pela sua “habilidade” em desviar dinheiro público para seu próprio bolso, no qual se deve “levar vantagem em tudo” e se vence na vida mais pela esperteza do que pelas virtudes do trabalho e da sabedoria, não se pode esperar da juventude mais do que são e fazem. Como diz um velho e malicioso ditado: “Pratique a honestidade e haverá um canalha a menos no mundo”. 



Escrito por B.Machado às 13h33
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A SONEGAÇÃO DE IMPOSTOS

Raymundo Faoro, em OS DONOS DO PODER, faz uma curiosa relação entre o desgosto do brasileiro de pagar imposto, isto é, a sonegação como hábito, e as relações havidas durante o período colonial, entre os padres e os contrabandistas. A esse respeito, pode-se lembrar que uma das táticas do contrabando do ouro era o chamado “santo do pau oco”, imagem com um vazio interior recheado de ouro que, pelo respeito devido à religião, passava tranqüilamente pela vigilância dos cobradores do “quinto”. Não se descarta a hipótese de haver uma colaboração dos padres nesse ardil, já que eles controlavam todo o movimento das imagens. O tributo, diziam os padres, “por ser tributo, não obrigava em consciência e só gerava o dever civil de pagar”. (Op.cit.pg.263) Com isso, os padres julgavam estar trabalhando pela justiça, contra o esmagador fiscalismo da Metrópole Portuguesa. Essa atitude dos religiosos, conforme o historiador, “iria influenciar por séculos, a educação do brasileiro”. Alguém poderia até fazer uma relação entre esse fato histórico e a resistência do Congresso contra a CPMF!



Escrito por B.Machado às 22h17
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PESQUISAS DE OPINIÃO

Já escrevi sobre isso, mas não custa repetir: em Iguape, a informação varia conforme o lado a que pertence o informador. Mas esse não é um defeito só nosso: em todo lugar onde há disputa política, a mentira é a moeda preferida de troca. A Folha de S.Paulo, de 25 de novembro, traz uma curiosa notícia sobre o referendo na Venezuela, sobre a mudança da Constituição, proposta por Chavez. Os resultados publicados variam uma enormidade, conforme a tendência da mídia. É o que um pesquisador chamou de “polarização midiática”. Assim, os canais privados, antichavistas, dão o seguinte resultado: Sim-28; Não-156. Por sua vez, nos canais estatais, esse resultado sai invertido: Sim-173; Não-23. Podemos concluir: em política, paixão é 100, objetividade é 0.  



Escrito por B.Machado às 20h01
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LULA E OS SONEGADORES DE IMPOSTO

Lula: o passado condena! Josias de Sousa escreve no seu Blog: “Lula voltou a bater abaixo da linha da cintura: "Tem uma parte dos que são contra a CPMF por que a CPMF é um imposto mais justo para combater sonegadores no país." Agripino revidou na mesma região: “Seria melhor o presidente se calar a respeito de assuntos como a sonegação de impostos. Ou será que ele esqueceu que, na campanha dele à Presidência da República, o PT pagou ilegalmente R$ 10,5 milhões a Duda Mendonça no exterior sem nada declarar à Receita Federal?”



Escrito por B.Machado às 19h34
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O MÉTODO BOLCHEVIQUE

A política visa ao poder. Poder significa força. Então, política visa à força. Força para que? Para ter a satisfação de mandar, para ter uma “máquina”, formada por instituições e pessoas funcionando sob seu comando, para gozar de privilégios (e abusos) e merecer o respeito dos outros. Bobagem? Para alguns pode parecer, para quem gosta do poder, não é. Então aqui surge o problema: quem está no poder não declina dele, a não se diante de uma força maior, quem não está no poder, se quiser chegar lá, tem que lutar.

            Essa é a realidade com que têm que se haver aqueles que, neste fim de ano, estão se reunindo para discutir as próximas eleições, com o objetivo de dar uma nova face ao panorama político da cidade, através de um candidato independente, sem os vícios e cacoetes do passado. Nesse caso, como se sobrepor aos dois “dinossauros” que polarizam o atual debate político, em Iguape? 

            Existem dois caminhos: um, idealista, bonitinho, mas ordinário: não funciona. É o da chamada “conscientização”, o apelo ao espírito de cidadania, etc. Outro é o método “bolchevique”, aquele usado por Lênin para “levantar as massas” contra o poder dos tzares: o discurso crítico radical, insistente, contínuo, que não leva em conta a lógica, mas a emoção, que não visa à verdade, mas à persuasão. Mudando um pouco o teor do fraseado, em função dos novos tempos, foi a mesma estratégia usada pelo PT, antes de chegar ao poder, contra tudo o que se fazia ou havia no governo: o Plano Real, as privatizações, o elitismo da cultura, os lucros das empresas. Tanto Lênin, quanto Lula, sabiam que o povo, pelo menos aquele a que se dirigiam, a multidão informe dos comícios, não apóia quem promete “sangue, suor e lágrimas”, mas quem acena com o paraíso. Essa promessa é a de todas as religiões, há milênios, e sempre deu resultado. Por que não daria na política?       

            Resumindo: se os “caçadores de dinossauros” querem mudança, vão ter que lutar, não de vez em quando, na época das eleições, mas sempre, nos grandes intervalos delas, não o suficiente, mas o excessivo, o desmedido, usando todas as armas possíveis: esse é o preço da vitória. 



Escrito por B.Machado às 19h21
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A LEITURA É POPULAR?

Leio na revista Veja – 28/11/07- “Os primeiros livros feitos com tipos móveis renováveis, predecessores das publicações atuais, surgiram no século XV e semearam uma revolução. Transformaram a leitura em algo popular”.  Que bom que isso fosse verdade! Pelo menos no Brasil o que é popular é o futebol, o Carnaval, a cachaça, nunca a leitura. O autor do artigo errou de país, pensou que estava escrevendo para uma revista escandinava.  



Escrito por B.Machado às 16h36
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CONTROVÉRSIAS

Eu já disse, desdisse e, com perdão da palavra torta, vou me desdesdizer: tanto Ariovaldo quanto Cabral, apesar de seus enguiços legais, talvez acabem sendo candidatos. Só em último caso, se um dos dois não conseguir esse objetivo, vai colocar um testa de ferro em seu lugar e tentar puxar o eleitorado. Com isso, Iguape permanece (eu ia dizer retorna à, mas considerei que nunca saímos do lugar) na situação dos antigos coronéis, aquela espécie de Palmeiras X Corinthians, ou Fla X Flu, dos cafundós brasileiros. Essa afirmativa é baseada na experiência, não só minha, mas a de hábeis advogados: quando houve o problema legal de Ariovaldo, todos ficaram pensando que ele estava liquidado. Mas eis que se achou uma fresta na lei, e ele voltou. E como se sabe, para o “andar de cima”, como diz um conhecido jornalista, a lei está cheia de frestas. Parodiando Dostoievski que escreveu algures “se Deus não existe, tudo é permitido”, podemos afirmar: Se Renan Calheiros existe, tudo é permitido”.    



Escrito por B.Machado às 12h19
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