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LATINIDAD III
Em vez de repelir a afirmação dos anglo-saxões de que os latinos são diferentes (isto é, inferiores), seria melhor a gente tentar descobrir, por algum meio, qual é essa diferença (ou inferioridade). Em primeiro lugar, não se pode falar mal da língua, propriamente dita, pois a língua francesa é neo-latina, e os franceses não têm nada a ver conosco, em termos de desenvolvimento, importância mundial e outras. A riqueza, para alguns, constitui um indício de superioridade. Ninguém, a não ser Cristo, elogiou os pobres, mas Cristo é Cristo, não dá pra tomar como exemplo. Além do mais, ele disse que o Reino dos Céus é deles (dos pobres), mas não garantiu nada por aqui. Para encurtar a conversa, entre os sul-americanos, esquecendo o fato da latinidade, Prêmios Nobel são escassos (um? dois?), não tivemos nenhum filósofo, tipo Descartes ou Kant, nenhum escritor como Balzac, ou Tolstoi, nenhum cientista como Einstein, e já que se falou em riqueza, nenhum Rockefeller, nenhum bandido como Al Capone, nenhum político como Roosevelt, De Gaule, nenhum reformador religioso como Lutero, e pra terminar, nenhum político tão filho-da-puta como Hitler ou Stalin. Já se vê que, tanto para o bem, como para o mal, não conseguimos competir. Verdade? E na corrupção? Será que a Rússia atual é páreo para o Brasil? E na incompetência dos dirigentes políticos? Vai, Iguape! Vai nessa que é fácil!
Escrito por B.Machado às 14h18
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LATINIDAD-II
Há algum tempo atrás, num artigo publicado no Caderno “Mais”, da Folha de São Paulo, o historiador norte-americano Samuel Huntington faz algumas considerações sobre a presença latino-americana nos EUA. Contando atualmente com 30 milhões de pessoas, a população latino-americana, independentemente da contínua imigração (legal e ilegal), mas apenas em virtude de seu alto índice de natalidade, está tendo um aumento proporcionalmente maior do que a população original norte-americana. Dessa maneira, por um simples cálculo matemático, chegará um dia (que o historiador considera estar mais perto do que se pensa) que os latino-americanos empatarão e, logo, superarão em número os norte-americanos de origem inglesa. Então, para o historiador, aí é que mora o perigo. Segundo Huntington (e essa percepção não é só dele), os latino-americanos não têm o empenho no trabalho, o interesse pela cultura e a disposição para a alta pesquisa tecnológica, como os anglo-saxões. Resultado: aquela decadência do Império Americano, que vem sendo proclamada, há tantos anos, por todas as esquerdas do mundo, vai-se dar um dia, mas não pelas razões que se supunha, tais como ambição desmedida, superação pela China e Índia, ou falta de petróleo, mas pela mudança étnica de seu povo. Se essa tese tem alguma validade, a conclusão que podemos tirar, com relação a nós todos, mexicanos, caribenhos e sul-americanos, é que os EUA estão condenados pelo futuro, mas nós já estamos condenados desde o passado!
Escrito por B.Machado às 21h47
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LATINIDAD
A recente volta de Sônia Braga ao Brasil, entre outras coisas, estimula algumas considerações sobre o problema da Latinidade. A notícia dessa volta, não muito “triunfal”- apesar de atuações corretas no cinema americano, Sônia não alcançou o “Grand Monde” do panteão hollywoodeano, como ocorreu há tempos, com outros “latinos”: Rodolfo Valentino, Sílvio Romero, Ricardo Montalban e Carmen Miranda, embora tenha participado em, pelo menos, quatro filmes (um de R.Redford) – é ilustrada por uma foto na qual ela está em plano inferior, ao lado de uma autêntica americana, loira e alta, numa cena do seriado “Sex and the City”. A sensual morenaça de “Gabriela, Cravo e Canela”, “Dona Flor e seus dois maridos”, “A dama do lotação”, de repente recua na hipotética hierarquia do fascínio e vê seu brilho apagado, diante do fulgor incomparável daquela Walkíria americana.
É claro que isso é apenas um problema de percepção – noves fora a malícia do fotógrafo - um desvio vicioso da sensibilidade do leitor subdesenvolvido, fustigado pela tempestade eletrônica e digital, emanada do Grande Irmão do Norte. Um baiano “arretado”, que passe ao largo dos “sit-cons” da Sky e dos magazines globalizados, jamais trocaria uma morena fornida de carnes, como a Sônia Braga, por uma branquela esquelética, dos States.
Mas o que eu queria dizer, afinal, é: somos iguais ou somos diferentes dos anglo-saxões? Se somos diferentes, onde está a diferença? Voltarei a esse assunto, em outra ocasião, e espero não ser o único a opinar.
Escrito por B.Machado às 18h14
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DIFERENÇAS DE LINGUAGEM
A mídia saudou a volta de Sônia Braga ao Brasil, tecendo vários comentários sobre sua atuação, nos EUA, e alguma coisa de sua vida pessoal. Neste último item, disse que ela “teve um affair com Robert Redford”. Continua aquela velha história dos dois vocabulários, um para o rico ou famoso, outro para o pobre, desconhecido. Aquela modesta vizinha não é desinibida como a Cicarelli, ela é assanhada; aquele filho do faxineiro não é galanteador como o tal do Justus, ele é metido a besta; aquela balconista não tem “affair” com ninguém, ela é, simplesmente, uma “galinha”.
Escrito por B.Machado às 20h13
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CIDADE DO HUMOR FRATERNAL
Outro dia, tomando um cafezinho, no bar, ouvi um rapaz se queixando:
- Vendi um capado pra esse sujeito e depois que ele matou o bicho e comeu, veio me dizer que não era capado.... Como é que não era capado? Se fui eu mesmo que capei? Só se foi o diabo que pôs os ovos nele outra vez!
Escrito por B.Machado às 17h32
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ENSINO PÚBLICO
Já estou de saco cheio de ouvir falar que precisamos de uma “escola pública de qualidade”. Televisão, jornais, revistas, todo mundo resolveu dar palpite nesse assunto. E a escola particular não precisa ser de qualidade? Todas essas faculdades “pagou, passou” que estão criando por todo o Brasil, tudo bem? Não é pública? Então deixa rolar! Qual é?
Mas meu interesse no assunto não é por aí. O que eu quero dizer é que nós já temos uma “escola pública de qualidade”. Hoje, todos os professores da escola pública, por lei, precisam ter um diploma específico para o magistério, o que não acontecia antes, por falta de diplomados. Em Iguape, houve tempo em que advogados, médicos e leigos davam aula na escola primária, por falta de professores.
Tirante isso, o que eu posso dizer, pela minha experiência no assunto, é que precisamos mais, mas muito mais mesmo, é de “alunos de qualidade”. Essa garotada que está na escola, atualmente, com pouquíssimas exceções, vou dizer quanto: 5%, tanto em escolas públicas, quanto em particulares, não quer aprender coisa nenhuma. Os livros que o Governo distribui nas escolas muitas vezes ficam jogados pelos cantos, nunca vi um aluno saindo da escola com um deles na mão, para ler em casa (perdão! estou mentindo, já vi um, nos últimos dez anos!). Iguape tem, pelo menos, 5.000 garotos em idade escolar que, por falta de meios ou ignorância dos pais (o mais das vezes) não têm uma biblioteca em casa, e poderiam (deveriam) freqüentar a Biblioteca Municipal (que tardou, mas apareceu, e é ótima). Dêem uma passada por lá. Se encontrarem meia dúzia (naturalmente parte daqueles 5%) deles é o sucesso do ano.
“Ora, direis”, de quem é a culpa? Aí já é outro assunto. Mas é idiotice dizer que a culpa é da escola ou do governo. O problema é que já temos “escola pública de qualidade”, e digo mais, os professores são uns heróis, por agüentarem essa cambada de ignorantes e desleixados que freqüentam as escolas, tanto as públicas quanto as particulares!
Escrito por B.Machado às 17h10
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COMISSÃO DE TURISMO OU DE OBRAS PÚBLICAS?
Não vejo porque o poder público deva promover o Turismo. Turismo é uma atividade econômica, como a Agricultura, a Indústria e o Comércio. À administração pública cabe, ouvidos os interessados, regulamentar e vigiar o cumprimento das leis que lhes digam respeito. No caso específico do Turismo que, em parte, envolve o uso de locais públicos, a administração deve cuidar para mantê-los em boas condições. Para isso, não é preciso uma Comissão de Turismo, mas uma Comissão de Obras, para tapar os buracos das ruas, embelezar os jardins, limpar as praias e as trilhas. Deve haver fiscalização dos hotéis e restaurantes, para mantê-los dentro de condições higiênicas adequadas, e uma boa conservação e manutenção de atrativos, nos museus e outros locais de visitação.
Em Iguape, que há séculos dispõe de um promotor de turismo realmente competente, o Senhor Bom Jesus, uma Comissão de Obras Públicas seria muito útil, construindo banheiros decentes para os milhares de romeiros da Festa de Agosto, que perdem boa parte de seu tempo procurando um lugar para se “aliviarem”.
Escrito por B.Machado às 16h57
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FALTA DE SERVIÇO
Outro dia, quando passava pela pequena estrada que leva ao centro do Rocio, logo depois da ponte, notei o nervosismo dos motoristas que vinham na direção contrária, piscando alerta com os faróis. Imaginei um comando fazendo inspeção. Não era. Quase na entrada do bairro, é que “morava” o perigo: quatro funcionários da Prefeitura manejavam um aparelho de radar, tentando catar um infrator da marcha-lesma, que os burocratas, que não têm mais nada importante para fazer, estão tentando impor ao anêmico trânsito local.
Fiquei pensando na despesa que nos dão (sim, nos dão, através dos impostos) essas dezenas de funcionários ociosos, para os quais é preciso “inventar” serviços como esse do radar, ou daqueles que “vigiam” os automóveis nas ruas, para ver se estão estacionados dentro das “normas”. Enquanto essa vigilância inútil ocupa os funcionários, a buraqueira das ruas aumenta. No próprio Rocio, numa rua paralela àquela em que estavam os atentos vigilantes da “velocidade-tartaruga”, uma cratera do tamanho de um Fusca aguarda aquele motorista que confia no serviço público!
Escrito por B.Machado às 13h25
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ATÉ QUANDO?
Voltamos, novamente, ao mote “de tanto ver triunfar a sacanagem.......” (versão atualizada). Agora é o novelista da Globo, Sílvio de Abreu, que notou a “torcida” favorável dos assistentes da novela “Belíssima” pelos personagens “do mal”, daqueles que querem “levar vantagem em tudo”. Quando a gente pensava que a “Lei do Gerson” tinha sido revogada, ela volta ao trono “nos braços do povo”. Como se sabe, as novelas, como os velhos filmes de cowboy, tecem enredos em que heróis bonzinhos são atormentados por vilões, até que, no fim, os primeiros são recompensados e os vilões castigados. É isso que os assistentes esperam, ou melhor, esperavam. Pois agora, segundo a percepção do novelista, a “torcida” é a favor dos maus, daqueles que, durante toda a duração da novela, enganam, roubam, traem e até matam. Daí a decisão do autor, para não entrar em choque com a “ética” dos telespectadores, de fazer a vilã-mor da novela, a assassina e outras coisas, Bia Falcão, escapar para a França, com seu dinheiro e um galã vitaminado a tiracolo. E todos foram felizes para sempre.
Será que isso tem a ver com os recentes acontecimentos na política brasileira? Lula está para ganhar uma eleição e continuar sua saga de malandragens, com aprovação da maioria dos eleitores brasileiros. Aquele crápula do Correio, que botou o dinheiro da propina no bolso, na frente de milhões de telespectadores, continua solto e, possivelmente, está vivendo prazerosamente do produto da corrupção. O jornalista que matou sua amante, a filha que ajudou a matar os próprios pais, os ladrões da construção do prédio do Tribunal do Trabalho, o time dos sanguessugas, os sócios do Lalau, Maluf, Quércia, Barbalho, a lista não tem fim, todos estão tranqüilos na prosperidade, conquistada com o dinheiro roubado.
Aonde o cidadão de bem (essa categoria exaurida) vai desencavar os exemplos de referência que poderiam dar um mínimo de consistência à sua identidade e um toque de significado ao seu discurso? Os valores morais retornaram ao “mundo platônico das idéias” e nos deixaram estupidificados, diante dos “simulacros da caverna”, ouvindo os discursos sofísticos dos “donos do poder”. “O tempora, o mores!”, como clamava o eloqüente Cícero.
Escrito por B.Machado às 13h04
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A CIDADE DO HUMOR FRATERNAL
Embora a notícia fosse triste, não foi possível resistir ao riso, ao ouvirmos o anúncio da morte de nosso conterrâneo Walter (não ouvi bem o sobrenome, pareceu-me Costa), pelo locutor da Basílica, que acrescentou, solenemente “.....mais conhecido como Walter “Carrapeta”.
Escrito por B.Machado às 17h48
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POR QUE SE “DEVE” FALAR MAL DOS POLÍTICOS?
Por que se deve falar mal dos políticos? Resposta: entre outras coisas, para compensar o alto conceito que eles têm a respeito de si mesmos. Os políticos não se resignam a ser meros administradores da coisa pública, eles querem ser mais, querem ser os “pais”, os mestres, os deuses, se possível, do povo. Lembrem-se dos faraós: ninguém podia falar mal deles, sob pena de serem presos e executados. O faraó era considerado (ou se considerava) deus. Para quê? Para que ninguém pudesse fazer-lhe críticas. Os seres humanos, ao contrário dos deuses, são criticáveis, porque sujeitos ao erro, ao equívoco. Os políticos não se conformam em ser simples mortais como os outros, eles se consideram infalíveis no que fazem e querem que os outros também achem isso deles. Em certa fase histórica, quando os reis europeus não puderam mais se fazer passar por infalíveis, eles criaram a figura jurídica do crime de lesa-majestade. Assim podiam proibir que os cidadãos mais argutos revelassem que o “rei estava nu”.
É para evitar críticas que alguns dirigentes políticos, quando podem, se assumem como ditadores. Assim eles conseguem mostrar-se em toda sua arrogância. Observem-se as fotos de Stalin, Mussolini, Hitler. Lá estão eles, de peito empolado, rosto sorridente, ar de superioridade. É assim que estariam todos os políticos, se não fossem contidos pelas críticas a que são obrigados ouvir ou ler (os alfabetizados, que não são muitos) por força dos preceitos democráticos. A grande vantagem da democracia foi fazer os políticos descerem do pedestal e se perceberem, e fazerem-se perceber, como pessoas comuns. Mas a maioria dos políticos não se conforma com isso. São raros aqueles que sabem proceder como democratas, quer dizer, que têm a capacidade de compreender que são seres humanos e passíveis de críticas.
Muitos políticos cultivam a empáfia como uma estratégia para evitar que se revele sua condição de meros “funcionários públicos”, de “empregados”, isto é, de encarregados de um serviço. Quando um empregado, qualquer empregado, cumpre sua obrigação, não espera que o chefe ou os colegas soltem foguetes, batam palmas ou profiram discursos laudatórios. Mas o político não quer saber disso. Basta que haja a ereção de um poste, para que ele chame a imprensa, convoque a banda de música, mande soltar foguetes, faça discursos e exija (sim exija) aplausos. E aproveita a ocasião para falar mal dos “inimigos”. Inimigos, no seu entender, são aqueles que não lhe batem palmas, aqueles que percebem suas falhas, aqueles que estão atentos à sua ação, porque ela custa um preço que todos, eles também, os “inimigos”, pagam.
Mas, reiteramos, os políticos são seres humanos, portanto, sujeitos a fraquezas. Se é verdade que essa mania de auto-engrandecimento começa pela inevitável deformação provocada pelo poder, sua continuidade é culpa daqueles que, à sua volta, alimentam sua vaidade, que o “estragam”, como se diz das crianças mimadas. Porque o político, tendo a opção de fazer pessoas participarem dos privilégios do poder, vive sendo bajulado pelos interessados nessas “mamatas”. Isso fortalece seu narcisismo, essa idéia de “intocável”, irrepreensível. Por isso ele se irrita com as críticas, gasta dinheiro público em cerimônias de auto-engrandecimento, paga órgãos da imprensa para falarem bem dele, só ouve os aplausos e fica surdo a qualquer observação que não seja um elogio, um pleito à sua “inteligência” e “capacidade”. Por isso, as críticas, de olho na administração, são absolutamente necessárias, para contrabalançar essa arrogância.
Escrito por B.Machado às 16h48
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OS PADRES DO PT
As ligações entre o clero católico e os focos de resistência à Ditadura Militar tiveram seqüências posteriores, tanto em âmbito político, quanto em alguns itens da liturgia. As pastorais de várias denominações desenvolveram procedimentos de conscientização das classes chamadas oprimidas, para que ocupem seu lugar numa sociedade crescentemente seduzida pelo consumismo e pelo individualismo. A aproximação com partidos da esquerda, que teve origem na solidariedade aos perseguidos pela Ditadura, teve continuidade na democracia restaurada com o engajamento dos religiosos no Partido dos Trabalhadores (Frei Beto – apesar do arrependimento recente - é um bom exemplo), aparentemente o que apresentava uma pauta mais orientada para os marginalizados pelo “sistema”.
Essa politização do clero pode ser melhor percebida em cidades pequenas, como Iguape, que teve grandes tradições religiosas, pouco a pouco desarmadas pelos chamados padres do PT. A ênfase dada por estes aos grupos de ação comunitária foram seguidas de perto pelo desengajamento progressivo das festas tradicionais que, embora de cunho popular, foram, há muito tempo, encampadas pela burguesia, isto é, pelos que tinham recursos suficientes para serem “festeiros”. Entre essas festividades populares-burguesas, destacamos a Festa do Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade. Um trecho da descrição dessa festa, pelo historiador Roberto Fortes, dá uma idéia de quem podia dispor dos recursos necessários para realizá-la:
Logo depois da Quarta-Feira de Cinzas, as bandeiras começavam a sair pelos sítios para arrecadar prendas. As senhoras iam à casa do festeiro, ajudar no preparo de licores, broinhas, doces e do famoso pão bento. No domingo, às 5:00 horas da manhã, a banda saía pelas ruas da cidade, em alvorada festiva. Logo após, era servido chocolate quente na casa do festeiro.
A festa constava de novenas, que duravam de domingo a domingo. Toda noite havia quermesse em frente à casa do festeiro, contando até mesmo com correio elegante, ocasião em que muitos jovens enamorados se correspondiam. Na abertura do Império, o festeiro promovia um lauto almoço, contando com a presença do padre e demais convidados. No outro domingo, também havia alvorada festiva, com chocolate, repiques de sinos e foguetes.
Rapazes saíam a recolher donativos pela cidade. O cortejo com a Coroa do Imperador saía, diariamente, às 18:30 horas, dando uma volta pela Praça da Basílica, para anunciar a novena, que se iniciava às 19:00 horas. Os moços carregavam as bandeiras e as moças, a quadras. Aos participantes, o festeiro servia licores, doces e bolos. Todo o evento era animado por banda de música. Na missa do outro domingo, era escolhido o festeiro do próximo ano, que recebia a Bandeira do Divino.
Como se vê, embora “popular” não era uma “festa de pobre”. Nas fotos antigas, é possível observar que, no desfile dos “festeiros”, havia ternos de casimira e gravatas de boa qualidade. Os pobres iam atrás, apreciando a festa de longe, porque pobre “gosta de luxo”, como bem observou Joãozinho Trinta, embora não possa ostentá-lo. A nova orientação da Igreja (Pós-Pio XII) não podia tolerar mais essa situação. Os saudosistas lamentam.
Escrito por B.Machado às 10h17
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