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Blog de Benedito Machado


                                        COISA LINDA!

 

        É reconfortante saber que “Assim caminha a humanidade”, a frase-título daquele antigo filme, deixou de ser uma frase irônica, para significar a melhoria das relações humanas. Observem o carinho com que são recebidos os novos integrantes da facção criminosa PCC (revista “VEJA”):

        - Você veio aceitar entrar pro PCC de coração, irmãozão?

        - De coração. O certo é o certo.

        - Se um dia você pedir pra sair, você não pode fazer parte de nenhuma outra facção, e pode até ser pago com a vida.

        - Tenho ciência do estatuto aqui.

        - Você já fez uso de crack, essas drogas aí, irmãozão?

        - Já fiz uso, já.

 

        - Pô, maconha, essas caminhadas é tranquilo. Mas integrante do PCC não pode usar crack e nem pasta-base, essas drogas é proibido, entendeu?



Escrito por B.Machado às 15h40
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                        O BARCO

        Quando completou quatro anos, ganhou do pai um barco de madeira. Ele nunca tinha visto um barco de verdade, mas os adultos já o tinham informado de sua utilidade, e falado sobre os mares sem fim. O irmão de seis anos, com gestos largos mostrou-lhe os movimentos que faria o barco, tocado pelos ventos, sacolejado pelas ondas.

        - Mas o mar é muito grande?

        - O mar não tem fim – afirmou, convicto o irmão, fazendo um gesto com as mãos, indicando um ponto indefinido, para além das paredes.

        Então, o menino começou sua viagem pelos espaços infinitos, a bordo daquele barquinho de madeira, sem cores além da sua, original, tocado por ventos mais fortes e intensos do que aqueles que ele sentia, quando passeava no quintal de sua casa.

 

 



Escrito por B.Machado às 08h22
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                            ET PUR SE MUOVE...

        Meu desconhecimento da Língua Italiana antiga não me permite garantir a exatidão da grafia do título, mas de qualquer maneira, devo esclarecer que as palavras (traduzidas) “e, no entanto, se movem....”, são de autoria de Galileu Galilei, e foram, segundo os cronistas, proferidas por ele, em resposta aos amigos que estranhavam sua negativa de sua própria teoria, no interrogatório do Santo Ofício (a famosa Inquisição), a respeito do funcionamento do sistema solar. Porque, para os teólogos daquele tempo, que seguiam ao pé da letra as palavras da Bíblia, o planeta Terra era um corpo fixo, enquanto o sol gira ao seu redor e o ilumina.  

 

        Essas palavras me vêm à mente, nestes dias de tantas convicções políticas equivocadas, quando a gente, para não brigar com os amigos e não entrar em confusão, é obrigado a aceitar o estado de coisas, como se tudo estivesse bem, e concordássemos com o que aí está. Porque, concordando ou não, as coisas vão continuar pelo mesmo caminho, sendo que nossa contribuição, quando há, é um mero cumprimento do dever de consciência cívica. Afinal, democracia se faz com números: quanto maior o número de cidadãos favoráveis a isto ou aquilo, mais a coisa tem probabilidade de entrar em funcionamento. 



Escrito por B.Machado às 21h50
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             VALE A PENA LER DE NOVO

Publicado em 28/11/2011

 

HISTORINHA DE LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO

 

Tenho sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa é muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.

Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.

Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:

-Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara...

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo. Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia. No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:

-Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.

Eu respondi:

 

- Pensei que tivesse dito que não havia ‘nenhuma viatura’ disponível...



Escrito por B.Machado às 11h31
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                                STEPHANI IN THE WATER

        Não que eu me desinteresse do esporte, mas a vida não está muito fácil, hoje, para a gente ficar a par de tudo o que acontece na área. Assim, o que ficamos sabendo, é por puro acaso, quando, passando pela sala, ligamos o aparelho de TV. Bem, o que hoje vi, de relance, foi essa moça, surfando sobre as águas, como uma pombinha pairando sobre as ondas.

 

        A beleza tem muitas faces, apreciar a beleza é só questão de a gente parar e olhar. As ondas do mar são belas, a natureza não deixa de nos encantar. Agora, imaginem uma mulher bonita, pairando sobre as ondas. É um espetáculo pra ninguém botar defeito. “Comecei bem a manhã“! Congratulei-me comigo mesmo. Espero que o dia corresponda a esse início auspicioso. 



Escrito por B.Machado às 11h01
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       NÃO SE SOFRE MAIS DE AMOR, COMO ANTIGAMENTE!

        Catari, catari, perche me a detto stu palavra amore, perche me ha dato il cuore / Me turmente, Catari!

        Não me responsabilizo pela exatidão da ortografia, estou citando de memória. Mas era, mais ou menos assim, o início de uma canção entoada com a maior emoção por Carlo Buti, um astro do bel canto, do “meu tempo”. Era uma época de gostos contraditórios, seja na arte, seja no amor: a gente se apaixonava tanto pela beldade cinematográfica, com seus cílios perfeitos, como pela vizinha periguete, com seus cabelos mal trançados.  

 

        O personagem desses versos se queixa dos dengos da amada, porque isso mexeu com seus sentimentos, fazendo-o subir e descer, nos contraditórios impulsos do coração. Não sou saudosista: cada época tem seus encantos e seus sofrimentos! Só estou anotando e mencionando essa diferença nos impulsos do “cuore”. Mas que ainda acho bacana falar em sofrimento do coração, sem ser por ataque cardíaco, isso acho! E, como disse no título desta nota, não tenho encontrado, nos escritos mais recentes, queixas tão dolentes quanto aquelas que lia nos antigos versos de amor! 



Escrito por B.Machado às 09h43
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                            SÓ PODIA DAR M.

        Elize trabalhava como garota de programa. Marcos Matsunaga a conheceu como “cliente”. Gostou dela e a convidou para “morar junto”. Dois anos depois, casaram. Durante seu tempo de gravidez, a mulher descobriu que seu marido a traía. Não pediu divórcio porque, na época, tiveram (ela, naturalmente) uma filha. Durante um ano, o encanto da filha os manteve juntos.

        Bem, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. O marido continuou sua faina de “mariscador” de garotas de programa. Ela descobriu, reagiu com desaforos, suponho, e levou um tapa na cara. A mulher pegou uma arma da coleção do casal e pum! Após o crime, esquartejou o cadáver do marido, talvez para não ter que enfrentá-lo inteiro, nem morto!   Tendo agido “sob forte emoção”, conforme a alegação dos bem pagos advogados, estes tentarão reduzir a pena imposta pela Lei.

 

        Não sei no que isso vai dar, mas, até aqui, já deu bastante m.! 



Escrito por B.Machado às 17h38
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 POBRE NÃO CASA POR BONITEZA, MAS POR PRECISÃO!

 

        Aceito a crítica: o assunto é meio besta! Melhor dizendo, a tomada de posição é meio besta. O fato, em si, é que todo mundo sabe disso, mas ninguém gosta de falar a respeito. E nisso, todos estão certos: se já se sabe, por que tocar no assunto? Não há tanta coisa mais importante de que se tratar? Não estão aí as piranhas do São Francisco, os crocodilos do Nilo, os mares da Índia, a extensão do Pacífico?

        Mas escrever não é uma opção: é uma imposição. E assunto não se escolhe por capricho, mas surge como a chuva, a ventania, o trovão. Rola por dentro de sua cabeça, louco para sair, comunicar, cientificar. Se você não sabe escrever, tem que falar, tem que dizer de qualquer maneira, seja para seu amigo, seu vizinho, seu parceiro ou parceira, seus filhos, seus pais. Assunto, na cabeça, é igual a vespa presa numa caixa, numa garrafa ou teia de aranha. Fica zunindo, até que você destampe seu cárcere.

        Mas, como eu ia dizendo, pobre não casa por boniteza, mas por precisão. Ninguém ainda se deu ao desfrute de fazer uma estatística, mas descubra o leitor por si: considerando-se a classe social, isto é, a situação econômica das pessoas, quem são os que casam mais cedo? Vamos tirar dessas considerações os príncipes e princesas, porque estes, coitados, estão sujeitos às leis e necessidades políticas de seus reinos e principados: eles casam porque seu país precisa fazer alianças; casam por necessidade política.

 

        Agora, fiquem vocês chupando o dedo: não vou continuar a explanação e que cada um dê o fim que desejar. Eu não contei um caso, não comecei nenhuma tese: eu levantei um problema, cabe ao leitor resolvê-lo! 



Escrito por B.Machado às 15h56
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                     A MORTE DE FIDEL CASTRO

 

        Estou me arriscando em terreno estranho. Embora tenha minhas opiniões a respeito, não gosto de colocá-las “por escrito”, pois acho que, para isso,  precisava ter um pouco mais de “autoridade” no terreno da ciência política. Mas, no caso, Fidel não foi só uma figura política polêmica, foi também, “queiramos ou não queiramos” (como dizia aquele meu amigo pernóstico, a respeito de sermos, ou não, “intelectuais” – ele dizia que “sim, éramos”, nós, que líamos, pelo menos, um livro por semana) um herói do povo cubano.

 

        Dizem os jornais que “A reação à morte de Fidel Castro foi de pesar em Cuba e de alegria em Miami...” Pois, ampliando um pouco essa afirmativa, eu diria que a morte do “Capitão”, assim como, ao seu tempo, sua revolução provocou essas mesmas atitudes contraditórias, em todo mundo. Neste último caso, deve-se lembrar que, nunca como nessa época, o mundo esteve tão dividido entre as posições direita/esquerda. E isso era visível, para todos que não fossem surdos, nem cegos, nem imbecis, seja no noticiário, no cinema, no teatro ou nas rodinhas de conversa. 



Escrito por B.Machado às 10h38
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                     O RABO GROSSO DE FRANK

 

         “Frank” consta do título para evitar possíveis desconfianças do leitor. Isso porque “rabo” e “grosso” são palavras suspeitas, na Língua Portuguesa, e faço tal declaração sem maiores explicações, porque tenho certeza de que o leitor entende, assim, “de topo”. Nem gostaria de dizer, apesar de, sem querer, ter lembrado disso, o que disse meu professor de Língua Portuguesa, quando a garotada riu de sua declaração sobre o “paquete” (referindo-se a um barco que atracara recentemente, no cais da cidade): “vocês estão jogando a linguagem no lixo”!

        Mas, voltando ao Frank, o fato é que ele pulou, com aquela agilidade, apelidada, não sem razão, de felina, em cima do murinho, base da grade divisória de nosso território com a via pública, com o rabo pra lá de grosso. Imaginei, de imediato, que estava escapando do fustigo de algum cão. Não deu outra: logo um imenso “policial” mostrou seu focinho por cima da mureta, enquanto Frank, agilmente, manobrava para dentro do quintal, de um jeito que me fez lembrar, inconscientemente, da velha expressão iguapense: “comigo não, violão”!

 

        Mas voltando ao rabo grosso, o caso é que, naquele momento, me indaguei se aquela reação, típica dos gatos, de engrossar o rabo, diante de uma ameaça, era uma demonstração de medo ou uma tentativa de assustar o adversário, aumentando seu volume corporal, embora apenas em um detalhe, por sinal pouco expressivo, diante do conjunto. Bem, adianto que não cheguei a nenhuma conclusão, a não ser aquela de qualquer mortal: quando surge o inesperado, o desagradável, o ameaçador, até nós, os humanos, “engrossamos”, de alguma forma. 



Escrito por B.Machado às 10h03
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                            O PRÓXIMO BIG BANG

 

        Houve um tempo, entre 13 e 14 bilhões de anos atrás, em que o Universo era um denso e quentíssimo aglomerado de matéria. Então, ocorreu aquilo que os cosmólogos chamam de Big Bang, a explosão que dispersou a matéria pelo espaço, dividida em dimensões as mais diversas, formando as estrelas, os planetas e seus satélites. Nos bilhões de anos pela frente, até nossos dias, cada um desses corpos cumpriu sua missão cosmológica, viajando pelo espaço segundo leis que, aos poucos, vão sendo desvendadas pela ciência humana.

        Não sabemos, por enquanto, o que existe, ou existiu, para além do alcance de nossa tecnologia, mas não há como deixar de pensar em outros mundos, que existam, existiram ou virão a existir, nos anteriores e nos próximos milênios, impossíveis de abarcar nos cálculos possibilitados pelos meios humanos, mas cabíveis na infinita capacidade da imaginação humana.

 

        Apesar de nossa compreensível ignorância sobre a totalidade desse processo, não se consegue evitar, sem que a imaginação caia numa sofrida frustração, é o pensamento de que tudo o que ocorreu, na direção de uma contínua expansão dos corpos celestes, é seu retorno ao ponto de partida, uma retração ao núcleo inicial, que se fechará no decorrer de outros tantos milênios, até que um novo Big Bang recriará um novo Universo, com suas estrelas, seus cometas, seus planetas e satélites, nos quais surgirão civilizações inimagináveis. 



Escrito por B.Machado às 10h50
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              COMO MORRER...NUMA BOA!

 

        Álcool e cocaína. Vou dando logo a fórmula. Pois foi essa mistura “legal” que matou nossa inesquecível cantora Elis Regina. Podem me acusar de cínico. Não me importo. Além do mais, só estou falando do que sei, não do que uso, quando e como preparo um coquetel.

        Elis foi uma bela amostra da arte, no mundo da criação do belo, e da impaciência, no mundo das vivências humanas. Fez de tudo o que era possível, dentro das possibilidades humanas, para agradar a si e aos outros, cultivando sua voz, tanto para nosso deleite, quando se apresentava nos palcos e nos discos, como para se destruir, na pira da impaciência com a vida.

 

        Não foi um exemplo isolado, não foi uma Joana D’Arc da boêmia. Foi apenas um ser humano, de voz excepcional, que nos iluminou e nos encantou com sua figura de perene menina-moça, com seu sorriso infantil e sua disposição adulta, para a vida e para a arte!   



Escrito por B.Machado às 18h27
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          SOU DE MARTE...E NÃO SABIA

       

        Comecei a escrever um artigo e toquei, sem querer, em alguma tecla que não consegui, no momento, localizar. Eis que, em vez de os teclados obedecerem aos meus dedos, produzindo o que me veio à cabeça, saíram uns estranhos sinais, que transcrevo, para minha contemplação e a do leitor:

 

o pdcado foi pro belelleu

   Sem saber o que pensar-

 

        Mexi outra vez, nos comandos, e voltei à nossa admirável Língua Portuguesa. Por enquanto, não sei o que aconteceu. Tenho certeza de que logo descobrirei, mas, no momento, faço de contas de sou um marciano, de férias na Terra, experimentando aparelhos estranhos, para ver o que fazem estes humanos que habitam o planeta vizinho.

        Algum tecladista mais esperto, que, por acaso, esteja lendo estas mal traçadas, vai, de certo, rir de minha inexperiência, ainda mais sabendo de minha idade e de minha vivência ao lado da “escrevente”, desde os saudosos tempos das “Folhas” e da repartição pública, meus primeiros empregos.

 

        Pode rir à vontade, leitor amigo! Rio (de “rir”, não da cidade carioca) com você! Mexer em máquinas modernas, às tantas décadas de vida, dá azo a essas oportunidades de humor. E é pecado mortal, pago com temporada no inferno, fingir piedade, quando o impulso sincero de nosso coração é mais para o humor! 



Escrito por B.Machado às 16h40
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       REVISITANDO MEU BLOG – A EXPERIÊNCIA                                        CONFRONTADA

        Recordar é viver? Não sei, mas é sempre bom recordar o que fizemos, pensamos ou sofremos, no passado, nem que seja para saber que progresso conseguimos, nesta vida. Isso, do ponto de vista prático. Por outro lado, existe e lado sentimental, a curiosidade histórica, o espírito crítico e a inclinação humorística.

        O lado sentimental é satisfeito pelo reencontro conosco, quando ainda não estávamos no estágio atual que, às vezes, mudou um pouco, ou muito, ou nada. A curiosidade histórica vai além do confronto de fatos e ideias: implica numa medição de diferenças, com o “metro” rastreando progressos e regressões, por conta do aprendizado, das transformações físico-mentais e da visão de mundo.

        Enfim, revisitar o que escrevemos chega ao nível de um exame de consciência. A mudança foi para melhor ou para pior? A partir de que medidas? Morais? Sentimentais? Intelectuais?

 

        Talvez o certo é mudar a abrangência do verbo, passando de “fizemos”, “pensamos” ou “sofremos”, para fiz, pensei ou sofri. Porque é muito grande a distância, não só entre o que as pessoas são, mas a diferença pelo que passaram, não só do ponto de vista dos fatos, mas, principalmente, da maneira como cada um os recebe, assimila ou rejeita.   



Escrito por B.Machado às 15h28
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VALE A PENA LER DE NOVO – (trecho do velho Diário)


                            A ARTE DE ESPALHAR BOATOS

 

Numa cidade pequena, criar boatos é uma arte coletiva. O boato nasce como os rios, numa pequena fonte, um olho d’água que, caminhando, acaba sendo enriquecido por outras correntes pequenas e, assim, vai engrossando, até virar um Tocantins, São Francisco ou Amazonas. Vamos criar um enredo hipotético, para servir de exemplo:

Um sujeito (vamos chamá-lo de X-1), numa noite quente, perde o sono e, para espairecer, resolve caminhar um pouco. Sem perceber, estende seu passeio para uma rua bem distante da sua. No silêncio da noite, o ruído de seus passos chama a atenção de outro insone, Z-1. Este levanta, olha pela fresta da veneziana e percebe X-l, caminhando na rua. “O que será que X-1 anda fazendo por aqui?”, pergunta-se. E começa a imaginar explicações.

 

No dia seguinte, Z-1 encontra Z-2 e diz: “Não comente isso com ninguém, mas, ontem à noite, X-1 passou pela minha rua, quase de madrugada. O que será que ele andava fazendo ali, a essa hora”? Z-2, baseado no famoso ditado internacional “Cherchez la femme”, pergunta: “Na sua rua tem alguma mulher, meio assim, digamos, facilitadora?”, Z-1 tem o fichário em dia: “Tem A-1, A-2, A-3”; “Epa”, interrompe Z-2, “essa última é casada!”. “E, daí”? “É mesmo”, lembra Z-1, “ela já teve um caso com Y-1; mas a fogueta mesmo é A-1”. Está dada a partida para o boato.       Agora é só uma questão de tempo. Semanas depois, corre à boca pequena, mas em muitas bocas pequenas, que X-1 engana a mulher, que X-1 está “andando” com A-1 ou A-3, ou com as duas; que “esse sujeito não tem caráter mesmo”, “lembra daquela vez que ele fez aquela sacanagem”? E assim por diante. O filete de água vai rolando e engrossando. Em poucos meses vira um Amazonas. E tudo por causa de uma noite de insônia!



Escrito por B.Machado às 14h40
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