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Blog de Benedito Machado


                 MALDITA LÍNGUA!

NOTÍCIAS DE UMA PUBLICAÇÃO RECENTE, NOS STATES:

Desde que os primeiros trechos começaram a vazar para a imprensa, na sexta-feira, o livro Game Change - Obama and the Clintons, McCain and Palin, and the Race of a Lifetime (HarperCollins, 464 pp., US$ 27,99) vem espalhando a discórdia pelos corredores do poder em Washington. As revelações do livro sobre os bastidores da campanha de 2008 já puseram pelo menos um político na fogueira. O líder democrata no Senado, Harry Reid, teve de telefonar para o presidente Obama para pedir desculpas. Ele admitiu ter dito aos autores que o país estava pronto para apoiar um candidato negro, especialmente um como Obama: "Um afro-americano de pele mais clara", que não "fala como preto, a não ser quando quer". Quase todo mundo sai chamuscado por revelações nada lisonjeiras do livro dos jornalistas Mark Halperin, da revista Time, e John Heilemann, da revista New York. Segundo o livro, Bill Clinton irritou o senador Ted Kennedy - morto no ano passado - ao insistir no pedido de apoio a Hillary Clinton, que disputava a prévia do Partido Democrata com Obama. Clinton teria dito que Obama, "até alguns anos atrás, era o cara que buscava cafezinho para a gente".



Escrito por B.Machado às 11h18
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                        Cultura e economia

Pensando "cultura" num sentido geral, que abrange não só aquela cultura transmitida pelos livros e pelos professores, mas também os diversos procedimentos que passam de geração a geração, como os hábitos alimentares ou as recomendações relativas à saúde e, mesmo, os rituais religiosos, vemos como tudo isso está permeado pela economia, ainda que por vias transversas.

Deixando para depois a chamada cultura "livresca ou professoral" não há qualquer dúvida sobre a atenção com que a economia monitora as recomendações médicas sobre a saúde, quando vemos a propaganda ostensiva nas embalagens dos alimentos, com suas listas de vitaminas ou seus avisos sobre a ausência de produtos prejudiciais à boa forma física. Quanto às crenças religiosas, embora elas nunca tenham mantido muita distância de interesses econômicos (basta lembrar a venda das "indulgências"), nos últimos cem anos transformaram-se num verdadeiro festival de arrecadação financeira.

Passando para a "cultura propriamente dita", distribuída entre as áreas artística e científica, podemos perceber que a influência da economia se faz de maneira mais ostensiva. Só para começar pelo lado mais evidente, lembramos o quanto as empresas gastam com pesquisas sobre vários produtos que logo se transformam em mercadorias à disposição do público. Mas há outro ângulo menos evidente, da relação entre cultura e economia, que não se "ensina na escola", nem se divulga na praça. Trata-se da relação, nem sempre "limpa" entre aqueles que têm autoridade crítica sobre um ramo artístico e seus amigos produtores de arte. Um pintor pode tornar-se famoso do dia para a noite (e, assim faturar uma grana) com a crítica, num jornal ou revista de boa circulação, por conta de um amigo, dono de coluna especializada. O mesmo pode acontecer com a literatura ou a música. Esta última, entretanto, como é produto de venda em larga escala, principalmente em seu setor popular, tem se saído melhor quando os próprios divulgadores, geralmente canais de televisão, são associadas à produção dos CDs. Nesse caso, ocorrem duas conseqüências: o gosto popular é destorcido, pela propaganda, e o artista é convencido a produzir segundo um figurino mais "vendável". Naturalmente isso tudo acontece por conta da péssima formação cultural das pessoas, que não possuem espírito crítico suficiente e dependem da orientação ou palpite de terceiros, para saber "do que devem gostar". 



Escrito por B.Machado às 19h54
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                          PRÁ TRÁS, BRASIL!

        O noticiário (Reuters) diz: "Jogado à condição de protagonista na crise política em Honduras, o Brasil agora busca uma saída para reconhecer o novo governo do país. Está disposto a acompanhar os países da região e retomar o diálogo com Tegucigalpa." Melhor seria dizer: "Mal orientado, por Chávez e alguns conselheiros birutas, o Brasil tenta recuperar a moral, depois de fazer um papel internacional ridículo".

        A primeira providência devia ser "cobrar a pensão" daquele cowboy e seus capangas, que passaram uma temporada de férias em nossa embaixada, às custas de nossos impostos. A segunda seria pedir desculpas por se meter onde não foi chamado, a não ser por um político golpista. É bem suspeito, da parte de nosso presidente, apoiar um político que, por meio de um golpe demagógico, queria se perpetuar no poder. Será que ele também não gostaria disso?



Escrito por B.Machado às 18h57
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         UMA VELA PRÁ DEUS, E DUAS PRO DIABO

Uma das coisas mais interessantes, no cotidiano de uma cidade pequena, já que a vida de todos, sob o foco tenaz dos vizinhos e parentes, permanece mais ou menos visível, é o contraste entre a fé, que todos aparentam, e a vida real que levam. Durante todo o ano, nos bares, nas rodinhas de conversa, no palanque político, no escamoteio noturno, cada qual vive sua vida livre dos mandamentos, como se o regulamento celeste tivesse dia e hora certos para seu cumprimento, como a etiqueta social ou as regras de futebol.

        Políticos notórios por costumes "liberais" tornam-se fervorosos crentes, na hora da procissão, compenetrados na fila de fieis ou, até, fazendo força sob os andores dos santos. É só haver uma procissão, uma missa solene, uma cerimônia religiosa qualquer, que todos viram santos: o político abusado, a "comadre" faladeira, a menina desbocada, o rapazote viciado e o marido "pula-cerca". Até parece que foi oficializado o famoso dístico colonial, celebrizado na letra da música de Chico Buarque: "Não existe pecado do lado de baixo do Equador".    



Escrito por B.Machado às 18h33
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      NÃO CONTAVAM COM A ASTÚCIA DELE

Um dos temores dos capitalistas, no ano da eleição de Lula, é que ele "virasse a mesa" e começasse a construir um socialismo caboclo. Mas o "menino que veio da aridez nordestina" mostrou que o seu sucesso não foi obra do acaso, mas o resultado de uma fantástica esperteza. Fingindo-se socialista, captou todas as esperanças dos revolucionários brasileiros, sinceros ou fingidos, ingênuos ou espertalhões, instruídos ou ignorantes. Isso na aparência. Por trás dos bastidores, tinha firmes contatos com o universo capitalista e, se é verdade que, no seu grupo havia alguns "companheiros" suspeitos, também é verdade que o chefe se comprometeu, até um pouco ostensivamente, a continuar a política econômica de Fernando Henrique.

No ambiente externo, sua esperteza não foi menor. Obama o chamou "o cara" porque reconheceu sua liderança na América Latina e achou que é melhor manter essa atitude com ele, apesar de seu comportamento ambíguo, "trocando beijinhos" com Fidel e Chávez. Aliás, a ambigüidade política, por força de interesses comerciais é uma realidade dos finais do século XX e começo do século XXI. Se o país é um bom parceiro comercial, não interessa mais ao mundo capitalista se seus dirigentes enganam o povo com a falsa promessa de um futuro de igualdade para todos, como prometia o socialismo utópico. Lula é o exemplo brasileiro dessa ambigüidade ideológica. Como já diziam de Getúlio Vargas, ele se mostrou um bom "pai dos pobres" e uma excelente "mãe dos ricos".   



Escrito por B.Machado às 10h32
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                            DELINQUÊNCIA

Qual a diferença entre os contrabandistas da Galeria Pagé e os contrabandistas da Daslu? Nenhuma, do ponto de vista da atividade em si. A diferença é que a Daslu ganha mais fazendo menos, pois conta com uma estrutura funcional mais eficiente. Esse é o problema do Brasil. Aqui, a delinqüência não é uma atividade de marginais, de necessitados, que não tiveram educação nem oportunidade, para um emprego formal, mas é um modo de vida de gente de todas as camadas sociais. O pior, ainda, é que essa delinqüência é mais comum entre aqueles que são encarregados de fazer o país funcionar direito, os políticos, a todo momento flagrados em desviar dinheiro público para suas contas pessoais.



Escrito por B.Machado às 16h13
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        AINDA, CUBA,VENEZUELA, ETC.

Há muito tempo que se fala nas dificuldades econômicas, em Cuba, como uma conseqüência de um embargo dos "imperialistas" norte-americanos. Em primeiro lugar, se Cuba acha que pode ser comunista, portanto, inimiga dos capitalistas do mundo inteiro, ela tem que garantir que o regime é auto-suficiente, ou então voltar atrás e aderir à economia de mercado. É só uma questão de largar a burrice ou continuar nela.

Acontece, porém, que toda essa história de embargo é uma mistificação, não só dos dirigentes cubanos como de todos os abobados que acreditam em ditadores. Segundo uma estatística, publicada mesmo em Cuba, para os que querem saber das coisas, entre 2001 e 2008, Cuba importou mais de 2.600.000.000 de dólares, em alimentos, dos (pasmem) Estados Unidos.

Essa notícia desmistificadora é importante por vários motivos. Em primeiro lugar, Lula, Chávez e Fidel Castro têm um antigo entendimento de solidariedade, para minar a influência norte-americana nos países sul-amerianos. Lula não quis aderir a um tratado de livre-comércio com os EUA, como fez o México, cujo PIB ultrapassou o do Brasil, a partir desse tratado. Em vez disso, o Brasil preferiu estimular o MERCOSUL, nosso "grande trunfo" econômico, que facilita o contrabando de mercadorias do Paraguai, o tráfico de cocaína da Bolívia, e um permanente conflito com a Argentina, que, desde Perón, vem descendo num parafuso de decadência econômica. Por incrível que pareça, a entrada da Venezuela no MERCOSUL é benéfica ao Brasil, pois Chávez está atrapalhando tanto a economia de seu país, que a única esperança dos venezuelanos é trocar petróleo com alimentos, que pararam de produzir em quantidade suficiente para alimentar seu povo.  



Escrito por B.Machado às 12h07
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        QUE DIABO DE PESQUISA É ESSA?

Leio na Folha Online: "Presidente Lula é o brasileiro mais confiável, aponta pesquisa". Isso quer dizer, leitor, que nós, e mais os bispos, médicos funcionários dos bancos, somos menos confiáveis que o Presidente dos "mensaleiros", amigo de golpistas como Zelaya, e ditadores mentirosos como Fidel e Chávez. Desculpem, retifico, a comparação é feita entre 27 personalidades públicas (nós estamos fora), mas assim mesmo é de espantar.

Lendo a pesquisa em detalhes, a gente descobre que ela é mesmo "das Arábias": "Entre os mais escolarizados e mais ricos, o presidente fica em quinto. Nesse recorte, Chico Buarque lidera, seguido por William Bonner, Caetano Veloso e Roberto Carlos". Os entrevistados foram "bem selecionados". Basta dizer que "De todas as personalidades, apenas duas – Lula e Sílvio Santos" – são conhecidas por todos os entrevistados". Há um lado positivo nessa esdrúxula pesquisa: "Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, este o menos confiável de todos". Aqui, no entanto, resta uma dúvida: será que Collor é pior que Sarney? Num ponto isso é verdade: Sarney não foi cassado!

A única explicação possível, veio da professora de ciência política da PUC-SP, Maria Celina D'Araújo: "os primeiros lugares são ocupados por homens de mídia". "Lula é um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula sabe". Ela esqueceu ou, querendo ser amável, omitiu, que o problema está mais é do lado dos entrevistados, essa multidão de ignorantes, que só conhece o mundo (melhor seria dizer que desconhece o mundo) através de alguns péssimos programas de televisão.  

 



Escrito por B.Machado às 10h46
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               ASSUNTOS PROBIDOS

Mais uma vez, um negro ganha a Corrida de São Silvestre. Os negros são fisicamente superiores aos brancos? Se alguém disser isso, não causará nenhuma polêmica. Mas os negros não se notabilizaram (até agora) no campo intelectual. A maioria das conquistas, científicas, literárias, artísticas, pertencem aos brancos. Os brancos são intelectualmente superiores aos negros? A simples pergunta pode levantar suspeitas contra uma pessoa. Imagine se alguém responder positivamente!

Até há pouco tempo, eu dei certa atenção à hipótese do escritor argentino, Ernesto Sábato, de que os negros americanos (do Norte ou do Sul) eram fisicamente muito fortes (na luta de Box, no Futebol e outros esportes), porque passaram por uma cruel seleção: são os que escaparam das difíceis condições do tráfico negreiro (de cada cem, morriam 60 ou mais). Agora, com essas vitórias dos corredores negros, já não tenho tanta fé nessa hipótese.

Para evitar a acusação de preconceito, muitos assuntos interessantes são postos de lado. O Xá Reza Pahlevi, antigo monarca do Irã, disse certa vez que a inferioridade da mulher era evidente, pois, historicamente, não conseguiu um brilho excepcional nas suas atividades, nem na cozinha, pois os melhores cozinheiros do mundo eram homens. Outro dia, aqui neste mesmo Blog, alguém me acusou de machismo, já nem lembro a propósito de quê. Essas pechas são fáceis de atirar, difíceis de defesa e acabam com qualquer conversa séria.

Até agora, os cientistas só ousaram dizer que os negros são mais suscetíveis que os brancos a algumas moléstias. Também ninguém vai acusar alguém de "feminismo" por ter dito que "só o homem" tem câncer de próstata. Se sair desse círculo estreito, a acusação de preconceituoso ronda o audacioso que notar (e expressar) alguma diferença entre etnias ou sexos. Como se todos os homens e mulheres fossem iguais em tudo, e não apenas nos seus direitos como cidadãos. Enquanto isso, gastam-se "rios de tinta" (modo de dizer; hoje gastam-se apenas os dedos no teclado) em teses malabarísticas, tentando explicar porque os sul-americanos, africanos e alguns povos asiáticos estão mais atrasados que os europeus, norte-americanos e canadenses.



Escrito por B.Machado às 19h15
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               AQUECIMENTO GLOBAL

Se esse verão infernal, essas tempestades e chuvas torrenciais e, mais, a nevasca no hemisfério norte não têm nada a ver com o aquecimento global, então é preciso fazer um revisão nos conhecimentos a respeito desse assunto. Tudo o que se teme para o futuro parece estar começando a ocorrer, desde já. Naturalmente aqueles que, pela fortuna ou pela localização geográfica, estão fora do alcance desses desastres naturais, podem ter suas dúvidas. Mas quem viu sua casa virar destroços e sua rua virar rio certamente não tem mais dúvida a respeito do problema do aquecimento global.



Escrito por B.Machado às 17h04
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                             CHINA

Está certo: o Governo Inglês tem razão, os chineses são excessivamente rigorosos com os criminosos. Em compensação, é bem provável que, nas cidades chinesas, os cidadãos honestos podem andar nas ruas com tranqüilidade e os presídios não estão cheios de bandidos que, mesmo presos, continuam a criar problemas, até para quem não tem nada a ver com eles.

Também deve ser mais difícil que um deputado (ou coisa que o valha) chinês que guarda dinheiro de propina na cueca ou nas meias possa sair impune, rindo do cidadão honesto. Não é difícil verificar porque no Brasil acontecem esses descalabros: as leis são feitas pelos próprios corruptos, logo têm que ser mesmo tolerantes.  



Escrito por B.Machado às 21h31
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                 O FANATISMO RELIGIOSO

Em vez de mandar soldados para o Iraque e Afeganistão, os americanos e europeus deviam enviar filósofos ateus. Se é por esperar que Alá o recompense depois da morte que um idiota se enrola em explosivos e manda para o Além a si próprio e mais algumas dezenas de "imperialistas e seus comparsas", basta convencê-lo de que depois da morte só o espera o "nada" para que ele desista da façanha. Afinal, o costume é fazer as coisas pensando-se nas recompensas. Se esta desaparece, desaparece a vontade da ação.

A Igreja Católica, durante os mil anos que dominou a Europa, mandou para a fogueira muito mais gente do que aquelas que estão morrendo por conta do fanatismo muçulmano. O "começo do fim" dessa ação criminosa foi a pregação dos ateus Diderot, Voltaire, etc. que resultou na Revolução Francesa e na imposição, ao resto da Europa, por conta das conquistas napoleônicas e seu exemplo, de um Estado leigo, independente da Igreja. Não há nada mais pernicioso do que um grupo dirigente composto por religiosos (os países muçulmanos) ou por convicções dogmáticas, como o marxismo (vejam-se Cuba e Coréia do Norte) ou, ainda, por arautos de doutrinas personalistas, sem nenhum fundamento, nem religioso, nem científico, como o bolivarismo, tal como se apresenta o caboclo mal esclarecido Chávez.  



Escrito por B.Machado às 17h46
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                     LULA E O AZAR

Lula teve sorte na vida, mas parece que dá azar a quem o segue. Sem contar os mensaleiros, pegos com a boca na botija, o seu vice e a sua ministra pegaram uma doença terrível. Agora, o cineasta que tanto o exaltou, sofreu um violento acidente. E esse azar, pela proximidade, vem de longe: José Dirceu, o seu dileto braço direito, que talvez, não fossem as circunstâncias, seria o próximo candidato a presidente, caiu do galho, antes do tempo. O candidato que venceu Lula, numa das disputas pela presidência, o Collor de Melo (dá vontade de dizer outra palavra) foi o único presidente cassado, legalmente, no Brasil.



Escrito por B.Machado às 22h17
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                  OS CARIOCAS

Um gerente de banco de São Paulo foi transferido para uma agência no Rio de Janeiro. Um dia precisou de funcionários para um trabalho maior, que deveria ser feito em horas extras. Não conseguiu. Ninguém queria perder a praia. Não adiantou falar nos reais a mais que iriam ganhar. Achou muito estranho, porque em São Paulo havia disputas pelas horas extras, pois todos queriam ganhar um pouco mais do que o salário normal.

        Um profissional de cenários para eventos foi contratado para um trabalho no Rio. Sairia muito caro levar mão-de-obra de São Paulo, por conta de transporte, alimentação, alojamentos, etc. Contratou profissionais do Rio. Sofreu na mão dos cariocas. Eles pegavam o material com a mão suja, faziam baderna no local do trabalho, zombavam do comportamento dos paulistas, preocupados com o trabalho.

        Uma pessoa amiga passeou uns dias pelo Rio. Visitou bairros e vários centros de eventos fazendo viagens de ônibus, como todo mundo. Os cariocas faziam baderna dentro dos ônibus, deitavam naquela saliência onde fica o motor e ficavam contando piadas para o motorista, distraindo-o e pondo em perigo a vida dos passageiros. A zoada era geral. Parecia um ônibus de estudantes que tinha ficado livre dos professores. 

        O carro de um grupo de paulistas, em visita ao Rio de Janeiro, foi abordado pela polícia, na "linha vermelha". Os guardas fizeram todo mundo sair do carro, revistaram suas roupas, mexeram no carro e não encontraram nada. Mas continuaram a procurar coisas e pressionar os viajantes, como se fossem delinqüentes. Não os deixaram sair enquanto não fosse pago o "pedágio": uma boa quantia de dinheiro. 

        Não sei como se pode "combater o crime" numa cidade (ou num país) onde o normal dos cidadãos (e de algumas autoridades) é contrariar a lei, onde se zomba do cidadão que respeita os códigos dos costumes. O crime é uma espécie de apocalipse do mau comportamento. Ele não começa com um revólver, mas com uma zombaria, com o desprezo pelo próximo, com a falta de respeito aos lugares e às pessoas. Um povo mal educado é um ninho de delinqüência. Um povo mal educado não se escandaliza por ter autoridades desonestas.   



Escrito por B.Machado às 15h39
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DESEJO AOS LEITORES, HABITUAIS OU              ESPORÁDICOS, DESTE BLOG

                   UM FELIZ NATAL

                  Benedito Machado



Escrito por B.Machado às 20h56
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