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O GRITO (de dor de barriga) DO IPIRANGA A História do Brasil que aprendemos na escola nem sempre foi muito fiel aos fatos. Abaixo temos o relato do Barão de Pindamonhangaba, que estava na comitiva de D. Pedro I, quando ele teria proclamado "Independência ou Morte!": "Já havíamos subido a serra grande (quando) D.Pedro se queixou de ligeiras cólicas intestinais, precisando por isso apear-se para empregar os meios naturais de aliviar seus sofrimentos".
Escrito por B.Machado às 16h32
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O OVO DA SERPENTE O "Ovo da Serpente" foi o nome de um filme de Ingmar Bergman, lançado em 1977, onde é focalizada a Alemanha de entre-guerras, com seu povo desarvorado, sem perspectivas e o nazismo às portas. Esse título estaria também apropriado para a história do tempo que precedeu a ditadura militar brasileira, quando alguns militares já experimentavam suas forças, mostrando a divisão esquerda/direita, que se esboçava no país. A notícia que me lembrou isso foi uma retrospectiva do jornal Folha de São Paulo, sobre uma rebelião de 75 oficiais da Aeronáutica, que deixaram de comparecer à posse do general Lott, no cargo de ministro da Aeronáutica, em 1958. Foram os oficiais da aeronáutica, também, os responsáveis pelo movimento contra Getúlio Vargas, que acabou com o suicídio do velho político. A aeronáutica sempre esteve "à direita", no espectro político brasileiro, e por isso se sentiu bem à vontade quando os generais deram o golpe e tiraram Jango Goulart da presidência. Do lado esquerdo do espectro político também se criam cobras. As greves do ABC poderiam ter alertado a burguesia brasileira sobre o crescente poder dos sindicatos. Não se pense aqui no sindicalismo como uma força que luta pelo direito dos deserdados. Essa é a "versão do macaco". Em política (e a greve é um movimento, antes de tudo político) se luta pelo poder. E os sindicalistas venceram a burguesia, tomaram o poder político. Hoje eles mantêm sob suas asas os remanescentes da ala podre da burguesia, os mesmos que, como o Sarney, estavam ao lado dos generais, quando estes prenderam o Lula.
Escrito por B.Machado às 16h10
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MAIS ABSURDOS DA BOLSA DITADURA Elio Gaspari alinha mais alguns casos absurdos, a respeito da chamada Bolsa Ditadura, a indenização que estão concedendo àqueles que sofreram algum problema nos "anos de chumbo" da Ditadura Militar. Entre eles, destacamos: "O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930. Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: ‘Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?’"
Escrito por B.Machado às 11h35
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PIADAS MARANHENSES Roseana Sarney deu uma entrevista à Folha e se mostrou uma grande humorista. Grande "humorista" eu disse, porque mentalmente é uma anã. É impressionante como alguns políticos chegam tão longe, na sua carreira, sem melhorar nem um pouquinho sua cabeça. A maior "tirada" da filha do Sarney foi: "Meu pai não é apegado a cargo". Não sei como um repórter ouve uma coisa dessas e não desata a rir. É muito autocontrole! A segunda piada roseanense é, ao mesmo tempo, um sinal de refinada burrice e mau julgamento a respeito da inteligência dos leitores de jornal: "Todo mundo que assume um cargo pode querer se afastar ou não". Depois dessa ela deu um exemplo de irresponsabilidade e mau caratismo: "Acho que o presidente (do Senado) tem que pensar um pouco agora na situação política e não ficar resguardando a instituição, já que ninguém quer que seja resguardada." Depois de algum tempo na entrevista, "caiu a ficha" do repórter: "O que a senhora quer dizer quando afirma que o presidente não tem apego ao cargo?" A resposta foi na mesma linha anterior, isto é, humorística: "Que se ele achar necessário sair, ele sai. Não vai fazer nenhuma diferença para ele". E o arremate da piada, sobre o cargo de presidente do Senado: "No começo, ele não queria, mas todos os senadores do PMDB pediram".
Escrito por B.Machado às 11h39
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O GRANDE NEGÓCIO DA ANISTIA No Brasil, até as boas intenções caminham para o abuso. A bandalheira dos "pais da pátria" do Senado é um pingo d'água num balde cheio. Outro escândalo que vem ocorrendo e sendo conhecido "aos pedaços" pelas notícias esparsas, é o caso das indenizações aos prejudicados pela Ditadura Militar. Já chamada de "Bolsa-Ditadura", essa indenização tem movimentado tanto dinheiro que os bancos estão oferecendo por elas dinheiro adiantado, o chamado "crédito de anistiados". Muitos advogados estão fazendo fortuna, "provando" que algumas pessoas foram prejudicadas pelo regime dos generais e, assim, reclamando grossas indenizações. Houve um sujeito que, por conta da perda do emprego na Petrobrás, ganhou uma indenização de um milhão de reais, mais uma pensão de 8.000 reais. Como disse o jornalista Élio Gaspari, a Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários. Para efeito de comparação, pessoas de países que passaram por situações semelhantes, receberam indenizações bem mais razoáveis. Assim, na Alemanha, a indenização para quem foi preso, corresponde a 700 reais mensais, na República Checa, 350 reais, no Chile, 500 reais mensais. No Brasil, ninguém se contenta com pouco. Os antigos revolucionários, que protestavam contra os absurdos da Ditadura, agora, são eles os produtores de absurdos.
Escrito por B.Machado às 18h01
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SENADO: O EXEMPLO O que está acontecendo no Senado, a corrupção, o nepotismo, o gasto desenfreado do dinheiro público, não conseguiu sacudir o marasmo do público. Por que? Porque o povo brasileiro já está acostumado com isso, pois temos uma longa história de corrupção. Não é de hoje que se veem os privilegiados abusar desavergonhadamente de seus cargos, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. O dado mais chocante foi um funcionário de carreira, que conseguiu seu cargo mediante concurso, confessar sua vergonha de receber tanto dinheiro por tão pouco trabalho. Quer dizer, as razões da vergonha são tão grandes que abalaram até aqueles que participam dos privilégios. Só os senadores mais notórios, os Sarneys e Calheiros da vida, não se abalam no seu cinismo.
Escrito por B.Machado às 11h05
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MICHAEL JACKSON "Os artistas não morrem, eles ficam encantados". Não lembro mais quem disse isso, se foi Mário Quintana ou Manoel Bandeira. "Encantado" é um termo antigo que significava algo como "presença invisível". Se os bons artistas já demoravam a ser esquecidos na época do livro e do rádio, imagine-se agora, no mundo da multimídia. Apesar de sua morte prematura, a vida artística de MJ foi longa. E chegou bem a tempo. Quando começou a brilhar, seus predecessores no gênero (Fred Astaire, Gene Kelly, Sammy Davies Jr.), estavam no auge, isto é, prestes a percorrer a encosta descendente. O segredo do sucesso é não só ter estilo próprio, como ser bom no que faz. Fred Astaire fez uma ligação entre a dança antiga e a moderna; Gene Kelly introduziu um estilo mais atlético, acrobático; Sammy Davies Jr., o "show-man" dançava, cantava e tocava vários instrumentos, tendo sido o primeiro artista negro a ter um programa na televisão, numa época em que era preciso lutar contra o preconceito racial. Michael Jackson foi digno de seus predecessores. Thriller, Bad, Beat it, Billie Jean vão ficar na História como os grandes momentos da música/dança mundial. Os jovens vão ficar por muito tempo tentando imitá-lo nos passos "robot" e "moonwalk".
Escrito por B.Machado às 10h48
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NOTÍCIA "Por meio de assessores, Sarney não quis comentar a denúncia!" Será que o jornalista que escreveu isso tem diploma? Deve ter, porque a liberação do jornalista sem diploma saiu agora. O que significa essa frase? Bem, em primeiro lugar, significa que o jornalista que a escreveu, escreve muito mal. É bem provável que o jornalista quis dizer (mas não disse): "Por meio de seus assessores, Sarney manda dizer que não vai comentar a denúncia". Mas do jeito que está, fica parecendo, antes: "Sarney não quis comentar a denúncia por meio de assessores", isto é, "Sarney queria comentar a denúncia pessoalmente".
Escrito por B.Machado às 16h34
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MINC X CAIADO "Como responder um desqualificado moral como esse? Esse homem não tem estatura, é um irresponsável por tratar um segmento, o setor produtivo rural com essas palavras. Ele deve tratar assim quem ele convive bem, que é com o narcotráfico dos morros do Rio de Janeiro", disse o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), a respeito do Ministro Carlos Minc. Eu já previra que essa briga do Ministro do Meio Ambiente com os ruralistas ia "esquentar". Mas, apesar dos duros diálogos de agora, vai ser pior no futuro. Quem está ganhando dinheiro não se preocupa que os outros "se ferrem". A luta pela conservação do meio ambiente vai ficar cada vez mais acirrada, e aqueles que vivem da destruição das florestas, como os plantadores de soja e os criadores de bovinos, além, é claro, dos madeireiros, acuados, como já estão sendo, vão reagir com mais ferocidade.
Escrito por B.Machado às 22h18
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O DIPLOMA DE JORNALISTA Leio no Blog de Sueli Correa: Leitores querem saber minha opinião sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de acabar com a exigência de diploma para exercício da profissão. Do ponto de vista emocional foi um duro golpe, pois dedico minha vida à profissão, onde cheguei com um diploma na mão, muitos planos na cabeça e a impressão de que bastava escrever razoavelmente bem para o exercício profissional. Tudo que sou, a visão de mundo que tenho, é de jornalista. E estou convencida que, para os jornalistas que têm experiência, que fazem o bom combate, que têm o trabalho reconhecido, a decisão do STF não vai representar nada. Penso, também, que os jornais, assessorias e demais empresas de comunicação que quiserem manter bom nível em sua produção certamente continuarão exigindo profissionais experientes e esses, com raras e honrosas exceções, têm diploma. MINHA OPINIÃO: O diploma de jornalista foi uma aberração ditatorial para ser usado contra profissionais que incomodavam o poder militar. O diploma foi aceito pelo vezo bem brasileiro de cercar condomínios exclusivos, para o exercício (e exploração) de certas atividades. Hoje, precisamos de receita médica até para comprar um remédio para lumbago. Resultado: o remédio custa 20 reais, a consulta médica, 200, o atendimento nos postos de saúde pública custa 1 semana de espera e 4 horas de "chá de cadeira". Até chegar lá, o lumbago já sarou ou virou coisa pior. Minha experiência no assunto: trabalhei como jornalista na antiga "Folha da Manhã S.A.", onde fui admitido mediante concurso. Dei aula numa Faculdade de Jornalismo – particular - e fiquei com sérias dúvidas de que aqueles alunos passariam no concurso que a "Folha" fazia. Também editei um jornal regional durante dois anos. Um curso superior para ser jornalista é uma ótima coisa, mas pode ser um curso de Jornalismo, de Letras ou de Filosofia. Jornalista não escreve só notícias do cotidiano, ele está envolvido com tudo o que diz respeito à cultura. O problema é que o ensino superior particular, no Brasil, se tornou uma fábrica de diplomas, o que não garante a qualidade dos profissionais, não só dos jornalistas. Assim, creio que para admitir um jornalista num periódico é melhor fazer um teste do que exigir um diploma.
Escrito por B.Machado às 10h18
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AGORA VIROU MODA Uma velha crônica policial conta que um homem matou uma mulher porque ela o chamou de "negro". Apesar de realmente descendente de autênticos africanos, o homem não aceitava o adjetivo que designava sua etnia. Pois agora a coisa mudou. Com as "cotas" nas universidades e outros privilégios, ser negro está dando tantas vantagens que até brancos estão tentando "pintar sua pele", nem que seja só nos documentos. Li esta notícia no Blog do Camilo, que trata do problema dos quilombolas: "No casebre de tábuas roídas pelos cupins, espremido entre um barranco e a linha de trens da antiga Estrada de Ferro Votorantim, o sucateiro Paulo Fernandes, de 58 anos, sonha alto. Vê o dia em que a comunidade dos Camargos - exatas 57 pessoas, incluídas as crianças, que hoje se apinham em 18 barracos no local conhecido como Favelinha, na periferia de Votorantim, a 108 km de São Paulo - terá de volta os três mil hectares de terras que teriam pertencido a seus antepassados. Embora brancos em sua maioria, eles se dizem descendentes de escravos".
Escrito por B.Machado às 14h19
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O BRASIL NÃO MUDA Um velho recorte de jornal (26/09/1956) dá a notícia, com fotografia e tudo: "Adhemar de Barros regressou ontem a São Paulo, depois de seis meses longe do país, desde que que fora acusado de malversação dos bens públicos". "Malversação dos bens" de político é assalto ao dinheiro público. A foto que acompanha a notícia mostra uma multidão que foi saudar o político paulista. Político ladrão é um herói, no Brasil. Quando Lula diz que não se deve tratar o Sarney como uma "pessoa comum", quer dizer que ele não é dos que roubam pouco, mas rouba muito, por isso merece respeito!
Escrito por B.Machado às 15h19
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O ESPÍRITO "REDUZIDO" O surto industrial que, além de alterar a estrutura urbana, também modificou as relações de trabalho na zona rural, por conta da mecanização da lavoura, fez surgir, a partir da primeira metade do século XX, uma nostagia do velho estilo campesino, logo vazada em canções que rememoravam a pureza da vida rural e da "casinha pequenina". Foi a época das duplas caipiras, Alvarenga e Ranchinho, Tonico e Tinoco, etc. Essa atmosfera nostálgica alimentou a ideologia dos "bons tempos", de uma idade feliz, das pequenas cidades, onde as pessoas eram afetivas e inocentes. Esse fenômeno ocorreu no mundo todo, mas foi mais intenso nos países da América. Nos Estados Unidos, uma parte da intelectualidade não embarcou nessa nostalgia provinciana, e procurou mostrar a verdadeira face da vida no interior do país, principalmente nas pequenas cidades.Isso ocorreu, mais ou menos, no fim da II Grande Guerra Mundial, vale dizer, por volta dos anos cinquenta. No Brasil, a intelectualidade um pouco sonolenta, demorou para acordar do sonho nostálgico do campo, mas, através do teatro e do cinema, o país pôde se conscientizar dos seus próprios problemas, espelhando-se nos exemplos ianques. Os filmes "As feiticeiras de Salém", baseado numa peça de Arthur Miller e "Peyton Place", do romance de Grace Metalious, que podem ser vistos ainda hoje, em vídeos, se constituem em alertas para essa falsa idéia sobre a pureza de sentimentos dos habitantes do interior. "As feiticeiras de Salém" trata principalmente do fanatismo religioso transformado em arma para atormentar a vida das pessoas. "Peyton Place" é o retrato da cidade provinciana, cujos habitantes procuram compensar a própria mediocridade e o vazio de suas vidas pela prática de maldades, traições, hipocrisia e privilégios de classe ou posição política. São peças dramáticas ótimas para "abrir os olhos" das pessoas.
Escrito por B.Machado às 17h55
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NÃO É DE HOJE... Do diário de bordo do naturalista Charles Darwin, na sua passagem pelo Brasil: "3/07/1832 – É algo aterrador ouvir os crimes monstruosos que se cometem diariamente e escapam sem punição. ...Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados."
Escrito por B.Machado às 15h49
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OS CANALHAS TAMBÉM ENVELHECEM Nem sempre é possível respeitar a idade de certas pessoas, porque os canalhas também envelhecem. Isso pode ser facilmente comprovado no Senado brasileiro, na figura mais emblemática da política nacional: José Sarney. Até seu sobrenome é falso, pelo que se sabe, pois foi adquirido pelo caminho, assim como sua cara de pau. Esse homem, que conseguiu piorar a situação do Estado do Maranhão, que nunca foi grande coisa, a não ser num certo período da colonização, vai continuar até sua morte a dar o mau exemplo na política brasileira.
Escrito por B.Machado às 22h13
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