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REPETECO

Nem sempre as opiniões que a gente dá encontram ouvidos ou olhos dispostos a ouvi-las, ou vê-las. Por isso, muitas vezes, sentimo-nos tentados a repeti-las, para que não deixem de chegar àqueles que desejamos. Abaixo, um artigo que escrevemos em 08/04/2015, que, acreditamos, ainda tem sua atualidade garantida

 


               O PROGRAMA “BOLSA-FAMÍLIA”

         A política, no Brasil, se movimenta em voos tão rasteiros que nem sendo partidário de uma facção ou de outra, deixa-se de sentir certo embaraço no relato de suas manobras. Um caso típico é o programa bolsa-família, para pessoas de pouca renda. Surgido como bolsa-escola, esse rendimento foi concedido às famílias pobres, para substituir os eventuais trabalhos de crianças. Com essa concessão, objetivava-se evitar o pretexto de que as crianças não podiam ir à escola porque precisavam ajudar no orçamento da família. 

         Pois bem, esquecida a motivação inicial, com a mudança de governo o programa deixou de ser um rendimento substitutivo para ser uma parte do programa “caça-votos”. Ampliado com esse objetivo, 14 milhões de pessoas recebem hoje o bolsa-família, que tem um orçamento nacional de 2,3 bilhões de reais. A renda pode não ser suficiente para o sustento da família, mas é suficiente para manipular a opinião de uma multidão de pessoas carentes e convencê-las a dar seu voto àqueles que garantem sua continuidade e, ao mesmo tempo, acusam seus adversários de pretender extingui-la.

 

           Seu objetivo político “caça-votos” se escancara pela inexistência de um prazo para duração da concessão do benefício. Será que a situação de “carente” é uma “condenação perpétua” e não um evento infeliz na vida de uma pessoa ou família? Uma resposta esclarecedora a essa pergunta seria uma estatística de quantas pessoas pediram a cessação do benefício por conta de uma mudança em sua situação econômica. Como não sabemos de nenhuma notícia a esse respeito, e isso poderia até ser divulgado como uma vitória do governo no campo da economia social, podemos concluir que o programa, em vez de ser uma medida emergencial, é uma espécie de garantia de votos para a manipulação de um eleitorado mal esclarecido e, pior, algumas vezes mal-intencionado.



Escrito por B.Machado às 17h00
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Admirável essa advogada!

Carta aberta a Fernanda Montenegro

Postado dia: 25/05/2016 às 04:26  por Mônica Lustosa
Prezada Senhora,
Sirvo-me da presente para fazer algumas considerações sobre a sua adesão à manifestação contra a decisão de fundir – sim, o governo interino procedeu à fusão das pastas, e não à extinção de nenhuma delas – o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação, que passam a integrar o Ministério da Educação e Cultura (MEC), como o foi no passado. Para minha surpresa, a senhora fez a seguinte declaração: “Isso é uma tragédia. E o presidente interino vai pagar um preço alto por essa visão de um ministério que é sempre dotado de um orçamento miserável, mas é a base de um país”. Sua alegação é tão sintomática que requer uma análise acurada, o que passo a fazer adiante, embora eu não esteja convicta de estar à altura da incumbência. Preliminarmente, cumpre destacar a influência que a senhora exerce sobre o povo brasileiro, o que lhe atribui imensa responsabilidade sobre o teor das suas palavras. Uma pessoa com tamanho prestígio pode dar grande contribuição para um povo que atravessa tão difícil momento de transição política e econômica, como é o caso do Brasil.

Passando ao mérito, a senhora começa atribuindo à fusão das duas pastas a condição de “tragédia”, quando nossas verdadeiras tragédias são outras, entre as quais podemos citar: (1) a situação dos hospitais da rede pública; (2) a violência urbana – que, em 2015, levou à morte mais de 42 mil brasileiros –; (3) a epidemia do vício em drogas, cuja entrada no país foi extraordinariamente facilitada pelo criminoso relaxamento das fronteiras nacionais para execução das políticas estabelecidas pelo metagoverno que atende pelo nome de Foro de São Paulo; (4) o rombo dos fundos de pensão, que já prejudica milhões de aposentados e pensionistas que dependem disso para viver; (5) a corrupção sistêmica do governo que recebeu amplo apoio da classe artística, com raras e honrosas exceções; (6) o altíssimo índice de desemprego, que já ultrapassa 11 milhões de brasileiros e que tem levado ao desespero inúmeras famílias – se cada trabalhador tiver 3 pessoas economicamente dependentes, significa que 44 milhões de pessoas compartilham esta dramática situação, quase um quarto da população nacional –; (7) e a crise política e econômica, que obriga o governo interimo a cortar drasticamente os gastos públicos. Isso, senhora, são nossas verdadeiras tragédias.

Na frase seguinte, a senhora argumenta que “o presidente interino vai pagar um preço alto por essa visão (…)”. Vale perguntar – porque resisto a acreditar – se isso é uma ameaça. Bem, se a senhora pressiona com tom de intimidação o presidente interino – escolhido para ocupar o cargo de vice-presidente pela presidente que recebeu amplo apoio da sua classe –, que acaba de tomar posse e tem a desafiadora missão de ajustar as contas públicas, então, é bom lembrá-la que Michel Temer, assim como Itamar Franco, está na única situação em que o Brasil pode ser governado sem populismo, a maior praga da América Latina. Como ele não pretende se candidatar à Presidência da República, nas próximas eleições, não precisará submeter sua gestão aos caprichos de pessoas mimadas e egoístas, que usam discursos coletivistas para legitimar seus interesses pessoais e corporativistas.

Ainda na mesma frase, comentada no parágrafo anterior, a senhora explica a “visão” do presidente interino que reputa como “trágica”: a “visão de um ministério que é sempre dotado de um orçamento miserável”. Ora, nosso orçamento público é miserável sim! Aliás, assim como a ciência médica existe em razão da enfermidade, a ciência econômica existe para solucionar um problema – a escassez de recursos –, razão pela qual todo gestor, público ou privado, mesmo numa situação superavitária, tem a obrigação moral de fazer mais com menos. No caso do orçamento público brasileiro, a situação é ainda mais grave, uma vez que esse tem um déficit de mais de 150 bilhões de reais, sem contar com o rombo das unidades federativas, das estatais e dos fundos de pensão. Ressalte-se, ainda, que a gravíssima situação dos cofres públicos é resultado da gastança criminosa do governo impedido pelo Congresso Nacional, e não do governo interino contra o qual a senhora se rebelou publicamente. A senhora, como formadora de opinião, deveria estar lembrando aos seus pares que só há duas maneiras de um governo alcançar o superávit: através do aumento da carga tributária ou por meio de corte nos gastos públicos. Considerando que o povo brasileiro já é espoliado com a dedução compulsória de 40% da sua renda, resta-nos a redução dos gastos. Então, eu lhe pergunto em que item a senhora propõe que os gastos públicos sejam cortados: (a) na saúde, (b) na segurança pública, (c) nos programas sociais (que, aliás, foram mantidos pelo governo interino), (d) na infraestrutura, ou (e) nenhuma das alternativas anteriores? Eu não duvido que a classe artística opte pela alternativa “e”, mas a senhora tem maturidade suficiente para saber que, assim, a conta não pode fechar.

Uma das lições de Margaret Thatcher era a seguinte: “Nunca esqueçamos uma verdade fundamental: o Estado não tem fonte de dinheiro senão o dinheiro que as pessoas ganham por si mesmas e para si mesmas. Se o Estado quer gastar mais dinheiro, somente poderá fazê-lo emprestando de sua poupança [que o Estado brasileiro definitivamente não tem] ou aumentando seus impostos [ou seja, tirando mais do povo]. Não hádinheiro público, há apenas dinheiro dos contribuintes”. Se para a gestão do orçamento doméstico não há mágicas, o mesmo serve para o orçamento público, pois ambos são regidos por leis matemáticas e contábeis, que não podem ser revogadas pelo decreto de um burocrata. Assim, a fatura da gastança do governo anterior, que recebe a apropriada alcunha de “herança maldita”, deve ser paga por toda a sociedade, e não pela população usuária de serviços públicos essenciais – como saúde, segurança e educação.

E por falar em educação, não tomei conhecimento de qualquer mobilização da constelação de celebridades para contestar a fusão dos dois ministérios em virtude do prejuízo que a medida eventualmente possa causar aos que dependem do ensino público. Não. A reclamação é somente com a “cultura”, nome mais palatável para o setor de entretenimento, que é o que realmente está em jogo aqui. A razão dessa atitude corporativista é simples: o que os senhores realmente estão exigindo é privilégio, já que, sem a proteção estatal, os preços dos shows, filmes e peças teatrais, evidentemente, subirão, e os senhores terão que, como todo brasileiro, experimentar o gosto amargo da crise econômica causada pelo governo que vocês mesmos apoiaram. Ao arguir que entretenimento – como aconselharia Confúcio, vamos dar os nomes certos às coisas, até porque cultura é algo muito mais amplo – é “a base de um país”, a senhora está usando um discurso coletivista para defender a microesfera dos seus interesses pessoais, pois, embora seja realmente importante, não deve ser subsidiado pelo Estado, mas pago pelo usuário do serviço. Base de um país, minha senhora, e que só pode ser patrocinada pelo Estado, é saúde e educação (para os que não podem pagar), segurança, defesa e justiça. Essas são as obrigações estatais dos povos prósperos; o resto – francamente! – é serviço a ser pago pelo consumidor, e não pelos cofres públicos. No entanto, não é esse o entendimento do governo interino, pois, infelizmente, ele afirmou que dará mais verbas para a “cultura” e ampliará a Lei Rouanet, o que, diante de todo o exposto acima, eu lamento muitíssimo. Assim, a fusão dos dois ministérios terá como economia apenas a redução dos gastos com funcionalismo público (ordenados, gratificações e privilégios) e despesas de infraestrutura.

A senhora conclui: “Esse congresso aí pode achar que é uma bobagem, uma frescura ou coisa de veados ou de alienados ou… Esse governo, até quando ele existir na atual conjuntura do Temer (sic), vai sofrer um protesto violento, e eu estou neste protesto”. Torço para que o presidente interino não sucumba às ameaças e intimidações da sua classe e corte o que for lícito cortar para o bem do nosso povo, que é quem paga a conta da inconsequência dos senhores.

Mônica Lustosa  é advogada, especialista em propriedade intelectual
e diretora jurídica da HoodID – Registro de Direitos Autorais Online

 



Escrito por B.Machado às 17h55
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A CEGUEIRA IDEOLÓGICA

Um preceito, infelizmente impossível de ser aplicado, pelo menos no caso da política, é o seguinte: “Você tem alguma preferência político-ideológica? – Sim? – Então não escreva sobre política, para um público diversificado”.

        É paulificante, para não dizer coisa pior, para um cidadão democrata ter que “tapar o nariz” para ler certos artigos e considerações de bons articulistas que, por suas inclinações ideológicas, “batizam” e colorem revelações sobre fatos e declarações políticas, com sua ideologia pessoal. Ora, direis, se acha que o articulista tem uma inclinação ideológica diferente da sua, então não leia seus artigos. Mas quem vai adivinhar isso, antes de ler o artigo, se não conhecer previamente quem o escreveu? Já houve tempo em que havia um jornal comunista e outro facista, o Brasil, mas hoje em dia, os órgãos de  imprensa são um melée de controvérsias.

        Alguns dirão que é assim que se faz democracia, isto é, na mistura de  pensamentos diferentes. No caso em pauta, porém, quando se trata de ideologias radicais, isso seria o mesmo que fazer um templo único para budistas, cristãos e muçulmanos. E não me digam que exagero, comparando ideologia com religião: já morreu quase tanta gente por conta de sua ideologia (vide 2ª. Guerra Mundial: Comunismo e Democracia vs. Nazismo), quanto por sua religião (v. massacre dos cristãos, no Império Romano).   

        Escrevo tudo isso acima, por conta da leitura de um artigo da Professora Maria Orlanda Pinassi, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP (Campus de Araraquara) do qual reproduzimos, abaixo, alguns trechos:  

“Em 2002, o PT foi eleito pelas classes trabalhadoras das cidades e do campo. Neste ano de 2016 é execrado por uma massa de indivíduos sem alma política. Os tempos ora difíceis para trabalhadores de média e baixa renda atiçam a ira desgovernada de zumbis políticos”.

 

 

“A unilateralidade das investigações, a arbitrariedade das convocações sobre os depoentes, as sucessivas denúncias de afinidade espúria entre o novo caçador de marajás e o PSDB, mais do que princípios de uma legalidade diuturnamente violada, parecem o trunfo maior de Sérgio Moro, a figura mais exaltada pela direita domingueira, prioritariamente branca e de classe média alta. Essa talvez seja a grande novidade dos fatos”.



Escrito por B.Machado às 19h47
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TÓPICOS

 

1- RELIGIÃO

Afinal, o que é a religião, em nossos dias? Será que ela sempre foi assim, ou mudou para o que se apresenta hoje, já que do passado só podemos reviver as coisas públicas, mas não os sentimentos que os inspiravam? Em muitas coisas, já podemos perceber a diferença. Uma delas é radical: hoje (pelo menos entre os cristãos) não se colocam pessoas para assar na fogueira, como se fazia até o Renascimento, e, assim, purgar seus pecados.

    2 – POLÍTICA

Neste campo, houve algum alívio, entre os cidadãos. Na Inglaterra, por exemplo, em outros tempos, havia reis, como Henrique VIII que, “por dá cá essa palha”, mandava cortar o pescoço da mulher da vez (dizem que ainda há saudosistas desse tempo!). Se fazia isso com gente “de casa” imaginem o que fazia com os estranhos!  

         3 – LÍDERES POLÍTICOS

 

        Não há dúvida que a coisa mudou radicalmente, neste tópico. Antigamente, para ser líder político, o sujeito precisava, no mínimo, ser rico, mesmo sem considerar o caso dos reis, que ganhavam seu dinheiro na moleza. Na democracia representativa, ninguém ia votar num sujeito pobre. A pergunta que não queria calar era: “Se ele não conseguiu melhorar sua própria vida, como vai melhorar a situação de todo o povo?”  



Escrito por B.Machado às 09h49
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A LEI É PARA TODOS

        “Em 19 de junho de 2015, a Polícia Federal prendeu os presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, as duas maiores empreiteiras do Brasil. Batizada de Erga Omnes, expressão latina que significa a lei vale para todos, a ação teve o efeito de um terremoto em Brasília”.

        Com essa frase, a revista “Veja” inicia uma reportagem, sequência de outras, nesse como em outros órgãos da imprensa brasileira, sobre os desmandos de homens do governo e fora dele, com o dinheiro público. Não é a primeira vez que isso acontece. Longe de ser uma novidade, a farra dos políticos, burocratas e aproveitadores eventuais com o dinheiro público, no Brasil, é um traço corriqueiro na nossa crônica política. Mas, como agora o abuso ultrapassou a fronteira daquilo que se convencionou chamar de “privilégios do poder”, a coisa feriu os brios do Poder Judiciário.

 

        Não adianta espernear nem buscar soluções milagrosas para essas aberrações. Desde que o “estado” começou, historicamente, a tomar forma, a questão do uso pessoal dos bens públicos tem sido uma dor de cabeça para os cidadãos honestos, que contribuem com parte de seus ganhos para sustentar o “dragão do poder”. O jeito, como acaba de acontecer no Brasil, é usar o poder anexo, o Judiciário, para coibir os abusos mais flagrantes e exagerados. Porque os abusos miúdos, corriqueiros nessa massa amorfa, formada por políticos e burocratas, passam despercebidos do grande público, e são suportados como um “mal necessário”, como as dores do parto e a necessidade de espremer um furúnculo. 



Escrito por B.Machado às 18h34
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COMO SE FOSSE BONITO

A revista Veja de 20/04/2016 traz duas páginas sobre o reencontro de uma obra perdida do italiano Caravaggio, que retrata um relato bíblico. Trata-se do episódio em que a viúva Judite seduz, embebeda e mata o comandante  Holofernes, no esforço de livrar seu povo do domínio assírio. O quadro é uma preciosidade artística e o episódio é considerado um exemplo de coragem e patriotismo. Quanto à primeira qualidade, nada a declarar, já a segunda não me convence: fingir, de modo geral, não é nenhuma virtude, agora, fingir amor e cortar a cabeça do enganado, por patriotismo, é duro de aceitar, mesmo que o degolado tenha sido, como se diz em Iguape, “ gente que não presta”! 

Na Bíblia Sagrada não faltam episódios em que o fingimento se torna a atitude fundadora de episódios pouco edificantes. Começa pelo fingimento da “serpente tentadora” (como a apelidou, numa definição perfeita, uma antiga música de Carnaval) que induziu Eva a comer o fruto proibido e levar Adão a fazer o mesmo, do que veio a bronca do Criador, a expulsão do Paraíso e tudo de ruim que aconteceu depois. Ainda em Gênesis, Abrão faz sua mulher fingir que era sua irmã e, por conta disso ganhou do Faraó, “ovelhas, e vacas, e jumentos, e servos e servas, e jumentas e camelos” (Gênesis, 13-16). Salvou a pele, ficou rico, mas, para os pósteros mais exigentes com a moral, “sujou a barra”! Esse comportamento pode servir de base a uma ética? Afinal, os fins justificam os meios?

 

Mas, seria querer muito, julgar fatos antiquíssimos a partir de uma ética filtrada por séculos de História. As narrativas bíblicas, assim como de outras fontes, religiosas ou não, nem sempre se destinam a compelir os leitores ou ouvintes à imitação, mas são como amostras de humanidade, que tentam espelhar nossa natureza e, assim, dar uma fundamentação realista para nossa ação, num mundo cheio de armadilhas e negaças. É como se dissessem: “Olha, vocês não são flor que se cheire, mas ainda dá para salvar alguma coisa”! Afinal, Deus criou os anjos, quando quis ter como acompanhantes seres imaculados, mas o mesmo não aconteceu na criação dos seres humanos, que começaram a dar mancadas ainda na condição de hóspedes do Paraíso.   



Escrito por B.Machado às 22h12
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CRIME OU BOLSA FAMÍLIA?

        A mecanização da lavoura desempregou uma parcela considerável da força de trabalho agrícola. Esses desempregados não viram outra opção senão vir para a cidade, onde formaram as favelas. Aqui, novamente, embora mais lentamente, se repetiu o problema: a tecnologia diminuiu a necessidade de mão-de-obra. Mais desemprego, mais marginalização. Quem se atrasou no “bonde do progresso”, pela falta de preparo e cultura, ficou à margem.

O atraso cultural dos favelados, a ociosidade forçada, a necessidade econômica, todos esses fatores só podiam dar, e deram, no substitutivo do trabalho, na busca da sobrevivência: o crime. É claro que essa equação não se fecha automaticamente: é preciso que ela seja acompanhada por outros fatores, ao mesmo tempo, indispensáveis e fortuitos, necessários, mas eventuais: psicologia, temperamento, formação, oportunidade.

 

O programa bolsa-família pretende cortar o caminho, facilitando o encontro entre a necessidade e sua satisfação, antes que o sujeito descubra o atalho da delinquência. Isso, claro, nunca é dito, mas supõe-se que a fome, a necessidade, a desesperança, um dia desaguem em atos antissociais. É um programa “oportunista”, em vários sentidos, já que, por um lado, angaria aplausos, votos e, por outro, alivia a pressão social de um segmento social à beira do desespero. Nem por isso, entretanto, deixa de ser necessário, já que a fome tem um prazo curto para ser saciada.     



Escrito por B.Machado às 09h40
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A VIDA É UM “RASGAR-SE E COSTURAR-SE”

 

Não tenho muita certeza, mas me parece que a frase acima é de Guimarães Rosa. A vida, esse conjunto de consciência, visões, encontros e desencontros, à medida que transcorre e dura, em vez de solidificar-se, permanece como uma massa flácida, que se metamorfoseia, se faz e se desfaz, como a espuma submetida aos choques das ondas do mar. 



Escrito por B.Machado às 09h15
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            A FUNÇÃO DO POETA

O dono de um pequeno comércio, amigo do poeta Olavo Bilac, abordou-o certa vez na rua: 
- Sr. Bilac, estou a precisar vender a minha propriedade, que o Senhor tão bem conhece. Poderia, por gentileza, redigir o anúncio para a venda no jornal? 
Olavo Bilac apanhou o papel que o amigo lhe estendia e escreveu:

VENDE-SE ENCANTADORA PROPRIEDADE
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo. Cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda".

 

“Meses depois, o poeta reencontrou o comerciante e perguntou-lhe se havia conseguido vender a propriedade”.
- Nem pense mais nisso Sr. Bilac! Quando li o anúncio que o senhor escreveu é que percebi a maravilha que tinha nas mãos.



Escrito por B.Machado às 10h39
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     O MOVIMENTO DOS SEM-TERRA

        Tudo começou com o bisavô, que se contentava com sua rocinha em torno da casa, construída num terreno alheio, depois com o avô, que ganhava uns trocados tomando conta de um rebanho que não era seu, e, afinal, com seu pai, que fazia parte da brigada de trabalho de um fazendeiro bem nutrido. Ia tudo indo bem, inclusive com ele, soldado engajado num exército de plantadores e cortadores de cana, na fazenda do usineiro rico. Até que surgiu um “encrenqueiro” para acabar com essa pasmaceira de subordinação e abriu seus olhos para a realidade cósmica: “Deus não fez a Terra para este ou aquele, mas para todos; parte dela lhe pertence, portanto”!

Então, surgiu o movimento dos “Sem terra”. O deserdado descobriu que centenas de outros seres humanos estavam na mesma situação que ele, isto é, que seus respectivos antepassados se descuidaram da “messe do Senhor” e viviam suas vidas com se ela dependesse da oportunidade que outros poderiam, ou deveriam lhes dar. Unidos, compunham uma grande força, armados de foices e machados duplicavam seu poder. Foi preciso que um “encrenqueiro” lhes abrisse os olhos, mas isso é apenas um detalhe. E, mais: a situação geral do país lhes era favorável, pois nas cidades havia outros necessitados que também tinham descoberto a “força” e se uniam entre si para reivindicar seus direitos.  

 

Mas os “donos do poder” não estavam dormindo: enquanto aumentavam suas fortunas não descuidavam da vigilância, pois sabiam que existiam no mundo inúmeras pessoas que preferiam esperar o “prato feito”, em vez de acender o fogo e preparar sua refeição. Então reforçaram a vigilância e, à medida que iam sendo desafiados, iam criando “trincheiras” e “fortes” para se precaver dos desafios futuros. Tudo isso se passando em cumprimento da regra universal descoberta por um tal de Karl Marx, designada sob o nome assustador de “luta de classes”.     



Escrito por B.Machado às 10h30
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         PADECER NO PARAÍSO?

Um artigo na Revista Veja (06/04/2016) levanta instigantes questões a respeito da maternidade, tal como se apresenta, e é vivida e interpretada, nesta primeira metade do século XXI. Sem esquecer os sentimentos e valores, vividos nos séculos passados, impregnados de romantismo (Ser mãe é padecer no Paraíso – nas palavras do poeta), o artigo trata de injetar algum realismo na análise, mostrando que a “coisa” não é tão fácil quanto se pensa e, mesmo, se diz. Como confessa, sinteticamente, uma das mães citadas no artigo, “Não há contos de fadas na maternidade”.

Algumas postagens das redes sociais, citadas pela revista, exprimem desabafos realistas que reduzem o problema aos seus elementos essenciais: “Os dois maiores sonhos de consumo de uma mãe: dormir ao longo de três horas e tomar banho sem ser interrompida”. É notável como a carência de confortos tão simples e corriqueiros azeda a vida de uma pessoa, a ponto de confundir e, mesmo, diminuir a intensidade e o valor de sentimentos tão profundos e valiosos, como aqueles ligados à maternidade. Outros desabafos chegam ao radicalismo: “Me recuso a ser mais uma ferramenta para iludir outras mulheres de que a maternidade é um mar de rosas e que toda mulher nasceu para desempenhar esse papel” (...).

 

Enfim, “nunca antes...” com disse, pensando ser original, aquele famoso político, a mulher esteve tão perto de praticar, de modo integral, aquela liberdade que vem sendo discutida e cantada em prosa e verso, nas conversas e nas modinhas, e de assumir uma atitude que é mais que um desejo, mas corresponde a um novo papel social, de parceira das funções e das responsabilidades cotidianas do homem, independentemente, de sua (dela) capacidade reprodutora. Agora, cabe ao homem conscientizar-se dessa nova situação, que é “tocar pra frente” a dois o “barco da vida”, em vez de ficar remando sozinho, com uma companheira reduzida ao papel de passageira/enfeite.     



Escrito por B.Machado às 19h28
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              O BRASIL SURUCOU!  

Mesmo sem saber direito como anda o Brasil, qualquer cidadão acerta sua análise, simplificando-a na sintética afirmação: “está uma merda!” Uma presidente sem autoridade, comandada por um ex-presidente que já fez suficiente estrago no seu tempo de validade, e agora se esmera em estragar o governo de sua sucessora e discípula, ambos pertencentes e comandantes de um partido político comprovadamente corrupto, como indicam alguns de seus chefetes que estão no xilindró, todo esse conglomerado de absurdos não pode dar certo, nem que o Brasil fosse apenas um distrito do município de Iguape.   

 

Para aumentar o castigo dos brasileiros, vem agora essa enxurrada de pestes trazidas por um mosquito, o que parece, e é, o resultado do desvio da atenção dos responsáveis pela condução dos negócios públicos, dos assuntos de sua obrigação para os assuntos de sua devoção. E, como observa um jornalista, se já estávamos no “último círculo do inferno”, agora “surucamos” (adaptação iguapense) mais um pouco. E, pior, o complicado sistema de votação vigente no Congresso, e a notável capacidade de nossos políticos de “darem um jeito” sempre que as coisas parecem sair da sua zona de conforto, pode manter as coisas tais quais estão, isto é, não saímos do lugar.    



Escrito por B.Machado às 15h51
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ACORDA, IGUAPE!

 

Numa nota de 2013, do Blog de conhecido polemista iguapense, leio informações nada lisonjeiras sobre alguns vereadores de nossa cidade. Constato que esses mesmos vereadores continuam na Casa, portanto foram votados e mantêm o prestigio entre meus conterrâneos. Então, me pergunto: Vale a pena ser um cidadão atento e criticar o mau comportamento de alguns de nossos políticos?   



Escrito por B.Machado às 21h49
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O FESTIVAL DE BESTEIRAS....

.....que invade o país. “Eu agaranto...” afirma a Presidente. Esses e outros atentados à linguagem e ao bom senso (chegamos à meta e dobramos a meta...) a Presidente vem fazendo ao idioma português, como se estivesse insinuando que inventou uma nova retórica, ou uma novilíngua, o idioma imposto por um governo despótico, numa conhecida obra de ficção científica, publicada no século passado. Que diabo está acontecendo com Dilma?

 

        Se as bobagens tivessem sido ditas por Lula talvez pudesse ser perdoáveis, pois afinal, o nosso mais famoso político dos últimos tempos (isso ninguém pode negar, nem que a fama tenha outras origens que não a honestidade) fugiu da escola e se recusa a ler mais que as manchetes dos jornais que falam sobre suas proezas. Mas não, as bobagens têm sido proferidas por uma pessoa que, dizem, tem um curso superior. A faculdade em que ela se formou deve estar fervendo de vergonha, mas essa já é outra história. Agora é aguentar o tranco até que outra eleição nos separe do PT!   



Escrito por B.Machado às 18h40
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MISTÉRIOS DO BRASIL

Como é que uma mulher de discurso tatibitate, aliada a um vice “boca de siri” conseguem ganhar uma eleição? Ah! Mas é uma eleição, “no Brasil”. Desde o Jardim da Infância ouço a recomendação: “estude, se quer ser alguma coisa na vida”, mas o comandante do processo político brasileiro tem ojeriza ao estudo! Claro, a explicação é simples: para cada patrão, existe um empregado, isso no âmbito doméstico, já nas empresas, a relação numérica patrão/empregados é bem mais desproporcional. O patrão vota no “burguês”, o empregado vota no “operário”. Está explicado, é tudo questão de matemática. 

 

Mas, e a cultura? A cultura, ora a cultura! Política é uma questão de poder, não de cultura, aqui, claro, no sentido de conhecimentos gerais. Em termos de cultura, podemos dizer, no Brasil, que voltamos à “Idade das trevas”, mistura, assim, da Idade Média europeia com a selva americana, antes de Colombo e Cabral. O que fazer? Aguardar, pois como se diz, “um dia a casa cai”, ou, no caso, um dia os brasileiros vão “cair em si”.  



Escrito por B.Machado às 16h01
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